sexta-feira, 18 de setembro de 2009

SUJOU GERAL...

FONTE: Janio Lopo (TRIBUNA DA BAHIA).

“Dizer que 60 delegados a mais num quadro de mais de 200 mil servidores vai afetar a Lei de Responsabilidade Fiscal é uma piada de mau gosto. O governo, no auge da crise da segurança pública, não pode dar uma declaração atrapalhada e estapafúrdia como essa. Aliás, a desculpa que o governo anterior dava para a não-nomeação desses delegados era exatamente essa… Se não vamos realmente contratá-los, pelo menos temos que dar uma desculpa melhor…”. Sabe de quem é a frase? Você acertou. Óbvio que tanta ênfase, tanta crítica e tamanha tentativa de diminuir o governo Jaques Wagner só poderia mesmo partir de um... aliado! A oposição, acredito, não seria tão intolerante. O que me chamou a atenção não foi a acidez das palavras do chefe de gabinete do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), Jorge Henrique Mendonça ( cargo de vigésimo quinto escalão) mas o fato dele pertencer a um órgão oficial. Não, não estou pirado. Meu raciocínio é simples: se o subordinado do governador de um Estado como a Bahia o trata dessa forma, como esse mesmo subordinado não conduz a política ambiental do Estado? Mendonça também condenou a assessoria de Wagner. “Eu também nunca vi programa chapa branca (refere-se ao Conversa com o Governador, exibido às terças-feiras) tocar num assunto que é ponto vulnerável desse governo, que é exatamente a não-nomeação desses benditos delegados…”, “Cada dia me convenço mais que o nosso Exmo. Governador está muito mal assessorado”.
Fica no ar a sensação de puro radicalismo. Como cidadão, tomo aqui as dores do governador. Acompanhei todo o desenrolar da crise na área da segurança pública. Saímos dela graças ao equilíbrio e ao bom senso do inquilino atual do Palácio de Ondina e as ações propostas pelo secretário de Segurança Pública, César Nunes. Isso me leva a crer que o representante do Ingá entende tanto de estratégias contra criminosos quanto dos assuntos relacionados à área em que atua. Ou seja, não entende absolutamente nada de nada. Estou convencido, mais do que nunca, que segmentos petistas são os principais obstáculos ao governador baiano. Wagner precisa se ver livre dos algozes que o rodeiam sob pena de comprometer todo um projeto político e pessoal. Quando eu penso no Ingá só me vem à mente o rigor com que o instituto age no sentido de impedir o desenvolvimento do Estado em nome de uma suposta devastação do meio ambiente atribuída a empresários interessados em gerar emprego e renda. Esse organismo que depende do governador para funcionar é o mesmo que o desdenha e até o insinua desvinculado com a realidade baiana. Imagine, pois, o que seus dirigentes não fazem quando se sentem “cumprindo” suas obrigações com todos os poderes que esbravejam possuir?
O Ingá travou o projeto original do Canal do Imbuí e tem infernizado o quanto pode trabalhadores e empreendedores, sistematicamente negando as tais das outorgas para a continuidade de obras e serviços, mesmo estes já tendo iniciados sob a proteção de instrumentos legais de organismos ligados ao município. Não custa dizer que o instituto conta, na maioria das vezes, com o apoio do Ministério Público e de ambientalistas bem sucedidos através de suas ONGs sustentados por dinheiro público nacional ou internacional. O resultado é único: a evasão cada vez mais acelerada dos investidores em terras baianas. Engraçado é que esses investidores não servem para nós, mas são recebidos de braços abertos por outros ambientalistas e órgãos ambientais de outros estados que entendem ser possível (a prática mostra que o é) o desenvolvimento sustentável com a preservação do ecossistema. Aqui, ao contrário dos nossos governantes vizinhos, perseguem inclusive obras do poder público. Dar-se a impressão que buscam, propositadamente, inviabilizar qualquer tentativa de expansão urbana ou de crescimento mesmo ordenado.
Não sei se Wagner vai tomar providências contra o servidor comissionado do Ingá por suas ferinas colocações. Pode alegar que as críticas são normais numa democracia. Tá legal, eu aceito o argumento, mas que diabo de democracia é essa onde o subalterno desqualifica e até desautoriza o chefe? Bem, a caneta pertence ao governador, que deve usá-la convenientemente, pondo um ponto final nesse desagradável episódio. Caso contrário, que ele deixe tudo nos seus devidos lugares. Se assim for, aguardamos com avidez e entusiasmo os novos pronunciamentos do companheiro Jorge Mendonça.

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