terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

COMO ARRUINAR A EBAL...

FONTE: Janio Lopo (TRIBUNA DA BAHIA).

Uma leitura superficial do relatório da Secretaria da Fazenda Estadual sobre a Ebal, no período de 12 de janeiro a 30 de abril de 2007 (primeiros meses do atual governo) espanta o mais leigo em questões contábeis. O documento é claro e incontestável: mesmo sabendo que a empresa afundava em dívida, o Estado não tinha a menor parcimônia com o dinheiro público.
O bicho apertava lá e, imediatamente, as torneiras eram abertas e delas jorravam dezenas, centenas, milhões de reais para tapar as gigantescas crateras causadas por má gestão. O curioso (está no relatório, página 8, do primeiro volume) é que os dirigentes da estatal não estavam nem aí nem chegando para o festival de desperdício.
“Apesar dessas evidências (prejuízos sucessivos), são raros os registros nas atas de reunião do Conselho de Administração de ações administrativo-financeiras que buscassem sustar essa crise”, afirmam os auditores da Sefaz.
Voltemos ao que foi apurado pelos especialistas da Fazenda (sétima página) : “ Auditorias realizadas pela AGE em 2001 e 2004 já evidenciavam prejuízos acumulados da ordem de R$ 58 milhões e R$ 167 milhões, em 2001 e 2003 respectivamente”.
Prossegue o relatório: “Em 2004, a AGE constatou que no final de julho desse mesmo ano, a Ebal apresentava um montante de R$ 28 milhões em títulos vencidos, alguns desde maio de 2004, mais R$ 42 milhões a vencer no mês de agosto e mais R$ 6 milhões a vencer por esse mês.” Vamos a um outro parágrafo do relatório (também da sétima página): “ A partir de agosto de 2005, os sinais da crise, que viriam atingi-la, aprofundaram-se.As vendas que, de março a julho de 2005, estavam na faixa de R$ 43 a R$ 44 milhões mensais, começaram a cair abaixo dos R$ 40 milhões, exceto o mês de dezembro que ficou em R$ 47 milhões. No ano de 2006, com vendas sempre decrescentes, a empresa atingiu o auge da crise , chegando em dezembro a apenas R$ 4, 4 milhões”.
Sem querer ser chato mas apenas colocando o preto no branco (ou o branco no preto para que não digam que estou agindo de forma racista), apresento mais uma observação dos auditores. “ A empresa chegou ao final de 2006 com suas atividades de venda de mercadorias quase que paralisadas... A dependência de recursos do governo para a sua sustentabilidade fica evidente pela quantidade de recursos repassados à Ebal, sob a rubrica de aumento de capital....
Os valores transferidos pelo Tesouro referentes a aumento de capital totalizaram, de 2002 até dezembro de 2006, R$ 310,9 milhões”. Como se vê, praticou-se um crime contra o Estado. É claro – e não poderia ser diferente - que o governador Wagner já mandou reavaliar toda a situação e novas providências devem ser tomadas no sentido de matar o monstrengo e seus pseudos domadores do passado com uma única cacetada. Amanhã teremos mais detalhes do relatório da Ebal.

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