FONTE: *** Alexandre Faisal (dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br).
Uma nova droga
para tratar o desejo sexual hipoativo feminino pode estar disponível no
mercado, em breve. Um estudo avalia se a balança eficácia-efeitos colaterais da
medicação compensa mesmo
Você usaria uma
medicação para melhora o desejo sexual mesmo que ela acarretasse muitos efeitos
colaterais ? Clique aqui para votar
A mídia veiculou com destaque a aprovação do conselho consultivo
da FDA (food and Drug Admistration), a agência americana que regulamenta e
fiscaliza alimentos e remédios, de uma nova droga para tratar da falta de
desejo sexual feminino. A droga que vem sendo chamada de novo Viagra feminino
pode vir a ser um verdadeiro sucesso comercial. Mas o mecanismo da droga, que
interfere na liberação de neurotransmissores e circuitos do prazer cerebral,
nada tem a ver com o mecanismo das drogas usadas na disfunção erétil masculina.
A aprovação da Flibanserina, no entanto, foi acompanhada de uma série de precauções
e advertências, em função da presença de diversos efeitos colaterais observados
nos estudos clínicos. A lista de efeitos indesejáveis inclui tontura, náusea,
fadiga, sonolência e risco de queda de pressão e desmaio. Entre as medidas de
gerenciamento de risco do uso da medicação foram mencionadas certificação dos
médicos que prescrevem a droga, que ainda serão checados pelas farmácias e
registro das usuárias.
Um dos estudos sobre eficácia da nova droga foi feito com mais de 1000
mulheres, com desejo sexual hipoativo, que foram randomizadas para receber
Flibanserina, 100 mg/dia, por até 24 semanas, ou placebo. A média de idade das
participantes era de 36 anos. Questionários sobre a sexualidade foram aplicados
antes e ao final do estudo. No geral, as mulheres que usaram a medicação
experimentaram melhora significativa de alguns parâmetros sexuais. Em
particular elas relataram maior número de eventos sexuais qualificados como
satisfatórios e menos estresse relacionado à disfunção sexual. Mas como nem
tudo é perfeito, o número de efeitos colaterais não foi desprezível e quase 10%
das mulheres pararam de tomar a droga por não tolerá-los. E aí é que entra
parte da polêmica sobre a droga. Embora feministas tenham batalhado pela
aprovação da droga, inclusive por meio do site www.eventhescore.org, alegando
igualdade de direitos, não está bem claro para o meio acadêmico se os
benefícios compensam os riscos. Outros estudos já haviam sugerido que o
benefício é pequeno, pouco superior ao observado com placebo, e que, portanto,
o risco não se justifica.
A esta altura do campeonato, nem interessa se a droga,
originalmente indicada para tratar depressão, já havia sido recusada, desde
2010, pela própria FDA. A expectativa de melhora da libido feminina é um
tratamento que interessa a muitas mulheres. E convenhamos, a muitos homens,
parceiros destas mulheres, também. A questão a ser esclarecida, em pesquisas
futuras é se a medicação é ao mesmo tempo eficaz e sem efeitos colaterais.
Porque, como todo mundo deve concordar, é difícil pensar em sexo quanto se está
passando mal.
(Katz et al. Efficacy
of flibanserin in women with hypoactive sexual desire disorder:
results from the BEGONIA trial. J Sex Med. 2013l;10(7):1807-15).
Sobre o autor.
Alexandre Faisal é
ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do
Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo
Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia
Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos
entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP
(FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas
no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas
e eventos.
Sobre o blog.
Acompanhe os boletins do "Saúde
feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os
assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e
descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas
como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa,
adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc.
Aproveite.


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