RESISTÊNCIA.
Muitos sabonetes e outros produtos bactericidas têm triclosan ou triclocarban na fórmula. Cientistas debatem se essas substâncias antimicrobianas podem selecionar bactérias resistentes, contribuindo para o surgimento de superbactérias.
"Qualquer antimicrobiano, ao eliminar bactérias, seleciona micro-organismos mais resistentes", diz Marco Miguel, professor de microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Para ele, germicidas devem ser usados só em situações específicas: em hospitais e na manipulação profissional de alimentos e lixo.
Para ele, germicidas devem ser usados só em situações específicas: em hospitais e na manipulação profissional de alimentos e lixo.
"Sabão comum remove a sujeira com a mesma eficácia. Não devemos desperdiçar substâncias químicas. Com o tempo, teremos que criar novas, mais potentes".
A polêmica vai longe. Semana passada, um grupo da Universidade do Arizona, nos EUA, depois de realizar estudos com os compostos químicos, declarou que não têm eficácia e não se degradam facilmente no ambiente.
Segundo a Unilever, fabricante da linha Lifebuoy, seu sabonete não tem triclosan na fórmula. "O ingrediente foi substituído por outro agente para minimizar o impacto ambiental".
"A ação antibacteriana do produto é comprovada por rigorosos testes em laboratório e o uso pode evitar doenças comuns como diarreia e infecções respiratórias."
De acordo com a Reckitt Benckiser, fabricante do sabonete Dettol, que tem triclocarban na fórmula, "o uso de produtos antimicrobianos, tais como Dettol, é capaz de remover as bactérias patogênicas, mas não as bactérias inofensivas da pele".
Ainda segundo a fabricante, esses produtos "têm um papel importante na saúde pública e também ajudam a controlar surtos de resistência a antibióticos."
A Colgate/Palmolive, fabricante do sabonete Protex, foi procurada pela reportagem, mas não respondeu.
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