FONTE: TRIBUNA DA BAHIA.

Roque Freitas convivia com a doença há mais de quinze anos, mas há sete não sofre mais nenhuma crise. Ele é um dos cerca de mil casos atendidos por mês pelo Programa para o Controle da Asma e da Rinite Alérgica (ProAR), desenvolvido desde 2005, em parceria entre a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e a Universidade Federal da Bahia (UFBa).
Funcionando em todo o sétimo andar do Centro de Saúde Carlos Gomes, no Centro, o ProAR oferece estrutura para atender os pacientes diagnosticados com a forma mais grave da asma. “A asma ataca 27% da população em todo o Estado. Só em Salvador, são cerca de 3% os que sofrem com a doença, muitas vezes sem saber que têm”, afirma Freitas, que também é presidente da Associação Brasileira de Asmáticos, seção Bahia.
Freitas era tratado com medicamentos como a adrenalina, aplicada diretamente na veia, o que provocava tremedeiras pelo corpo. “Comemoro a cada ano esta vitória porque, além de ter controlado a asma, eu pude aceitar a doença, já que antes me sentia discriminado, por me sentir limitado nas tarefas diárias. Hoje, não passo mais por constrangimento”, disse.
O constrangimento também é coisa do passado para a paciente Elenita Barbosa que, há cinco anos, é atendida pelo ProAR. “Eu não aceitava, tive a doença logo aos sete anos. Quando adolescente, comecei a fumar”, explica Elenita.
Após entender a enfermidade e ser atendida pelo serviço, mudou sua rotina, inclusive parando de fumar. “Sei que, se continuasse fumando, seria excluída do programa”, reconhece. Elenita ressalta ainda a importância da eficiência no atendimento, por parte dos órgãos de saúde, principalmente o domiciliar, muitas vezes necessário devido às suas crises.
A estrutura do ProAr é composta por uma sala para consultas médicas, sala de enfermaria, sala de exames, sala de armazenamento dos prontuários dos pacientes e sala de farmácia, com um anexo para armazenar os medicamentos. Os atendimentos são realizados das 7h30 às 17 horas, de segunda a sexta-feira.
“Aqui o paciente vem encaminhado pelos postos de saúde, ambulatórios e hospitais, identificados somente com o caso mais grave da doença”, informa Andréia Guedes, enfermeira voluntária do programa.
Os pacientes identificados com asma leve, ou moderada, são encaminhados para o Ambulatório Magalhães Neto, pertencente ao Complexo Hospital Universitário Prof. Edgard Santos (Hupes). Os atendimentos pediátricos são feitos pelo Centro Pediátrico Prof. Hosannah de Oliveira.
Além de Andréia, outros estudantes da Escola de Medicina da UFBa, mestrandos e doutorandos, também dedicam parte de seu tempo para atuar como funcionários voluntários do ProAR. O quadro inclui enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e médicos, encaminhados pelas secretarias municipal e estadual de Saúde.
Ao todo, cerca de 60 pessoas fazem o atendimento aos pacientes da rede pública.
Após a consulta médica, o paciente recebe a prescrição dos medicamentos que necessitará utilizar por um mês. Na terceira retirada de medicamentos, acontece uma nova consulta, para acompanhamento. “Na farmácia, o controle é feito com a assinatura do paciente na retirada. Assim podemos acompanhar se ele está seguindo a determinação médica. Caso precise, a consulta pode ser feita antes dos três meses previstos”, explica Andréia.
RESULTADOS.
“Começamos o trabalho depois de identificar um grande número de óbitos ocasionados pela doença, que nem todos veem com gravidade. Ainda há quem ache um absurdo alguém morrer por asma”, explica Adelmir Machado, coordenador-geral do ProAR.
“Depois de identificar as formas da doença, como leve, moderada e grave, começamos a tratar as pessoas com maior risco, porque demandam mais gasto com o tratamento e internação hospitalar”, continua.
Houve uma redução de 83% de atendimentos hospitalares ocasionados pela asma ou rinite alérgica em Salvador. Também foi registrada a redução de 74% com gastos hospitalares, já que o paciente passa menos tempo internado.
“Oferecemos ainda maior qualidade de vida ao paciente e para a família dele, além da economia com a compra dos remédios, que antes eram indicados para o tratamento momentâneo, e não contínuo, como o que acontece aqui no ProAR”, diz o coordenador-geral do programa. Ele destaca ainda que a aceitação familiar também serve como incentivo, para que os pacientes lutem pelo retorno ao trabalho, deixado de lado por causa da doença.
EDUCAÇÃO.
O programa também oferece uma linha educacional, tanto para os pacientes quanto para os profissionais da saúde. Por atuar com as vertentes de assistência, pesquisa e ensino, oportuniza aos alunos de graduação, mestrado e doutorado das instituições federais, que pretendam aprender mais sobre a asma, a participação no ProAR.
“Fazemos ainda reciclagem dos profissionais, apresentando novidades sobre os estudos de combate à asma e rinite alérgica, palestras sobre a saúde de forma geral e uso pelos pacientes da rede pública de atendimento de saúde”, completa Adelmir Machado.
Ele destaca ainda que há um projeto, ainda a ser implantado, para educação voltada à saúde nas escolas. A intenção é esclarecer as crianças e adolescentes sobre a doença, como identificar e tratar precocemente.
A DOENÇA.
A asma é caracterizada pela falta de ar, chiado, aperto no peito e tosse. É resultado de uma inflamação crônica nos brônquios, com sensibilidade exagerada. A doença pode ser controlada, com medicações e cuidados com o ambiente em que o paciente esteja inserido.
A asma não tem cura. O paciente pode vir a óbito ocasionado por asfixia, se não for realizado tratamento adequado. As causas da doença ainda não são totalmente esclarecidas.
A rinite alérgica é uma inflamação no nariz, causada em sua situação aguda, pelo resfriado comum, e em sua situação crônica por alergia. Tal como a asma, a rinite também tem controle com medicações e cuidados preventivos, mas sem cura definitiva.
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