FONTE: Noelle Marques, do UOL, em São Paulo (noticias.uol.com.br).
Muitas pessoas utilizam o chá para
tratar dor de barriga, dor de cabeça, tosse e outras mazelas. Há quem prefira e
ache menos agressivo ingerir a bebida do que tomar um medicamento. Outras
pessoas preferem combinar as duas coisas, pois acreditam que assim ficarão boas
de forma mais rápida. Mas não é bem assim. O chá e as infusões em geral podem
interagir com os remédios, potencializando ou anulando suas ações e podendo até
prejudicar o tratamento.
Segundo do clínico-geral e presidente
da Associação Brasileira de Fitoterapia, Alexandro Botsaris, tudo tem contra
indicação, inclusive a água. Por isso, antes de se tomar um chá ou uma infusão,
é preciso saber quais princípios ativos eles carregam, para, então, saber se há
ou não problema em ingeri-lo sozinho ou junto com um medicamento.
"Um medicamento como a
sibutramina, usado para emagrecer, interage forte com a cafeína, presente nos
chás [proveniente da planta Camellia sinensis]. Se você combinar os
dois, usando em grande quantidade, você pode ter uma crise hipertensiva. Ou se
você está tomando algo para arritmia, a cafeína falha o remédio, e a pessoa
volta a ter o sintoma", alerta Botsaris.
Entenda a diferença
entre chá e infusão.
- Chá
deriva da Camellia
sinensis, que produz chás preto, verde, oolong e pu-erh
- Infusão
feita das demais
ervas e alimentos: camomila, erva-doce, cidreira, maçã...
Mas, dependendo da doença e para
alguns problemas simples de saúde, como uma cólica, o chá pode sim substituir o
remédio.
A coordenadora da comissão assessora
de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Conselho Regional de Farmácia do
Estado de São Paulo, Caroly Cardoso, também ressalta que a procedência das
ervas faz diferença.
"Em um transtorno menor, como
uma má digestão, a pessoa pode e deve usar um chá, desde que ele tenha uma boa
procedência e não esteja contaminado. É importante que a pessoa compre a planta
de um local que faça um controle de qualidade", diz.
Botsaris explica que em caso de
tratamentos a bebida deve ser feita com uma quantidade maior de chá. "Tem
que usar, em média, três vezes mais do que aquele pacotinho de dois gramas que
tem em supermercado".
A dosagem da bebida também deve ser
observada para as diferentes faixas etárias, já que o peso de cada um interfere
diretamente na quantidade.
"Você faz uma conta que a
quantidade de chá ou de princípios ativos que ficam circulando dentro do
organismo é inversamente proporcional à massa corporal. Quando diminui a massa
corporal, a concentração dos ativos aumenta no sangue. Então, aquilo que você
dá para um adulto beber, uma criança de um ano e pouco não pode", explica
o médico.
Ou seja, mesmo sendo natural, o chá
pode causar reações adversas nos pequenos. "A dose de cafeína do chá verde
para um adulto é pequena, mas para uma criança não. Ela pode ficar agitada, ter
taquicardia, ter um mal estar", exemplifica Botsaris.
Cardoso também aponta o guaco, muito
utilizado para quem tem tosse, como algo a ser evitado em crianças com menos de
dois anos, já que a planta tem um princípio chamado cumarina que pode
desenvolver alergias.
Mas o chá não deve ser consumido só
quando algum sintoma aparecer. A bebida também pode ser usada como forma de
prevenção de algumas doenças.
"Alguns chás são diuréticos,
então eliminam o sal do corpo. Se a pessoa toma a bebida regularmente, ela pode
estar retardando o aparecimento de uma pressão alta, se ela tem tendência a
isso", exemplifica o clínico.
"UBS amiga do
chá"..
A Prefeitura de São
Paulo também indica o uso de chá, por meio do "Programa Ambientes Verdes e
Saudáveis", implantado em 2005.
Em algumas UBS
(Unidade Básica de Saúde), como a da Vila Dalva, na zona oeste da capital paulista,
hortas são cultivadas com a ajuda de pessoas da comunidade.
A da Vila Dalva
existe de desde 2012 e é gerenciada pelo farmacêutico Eli Anderson Dias. Ele
conta que toda sexta-feira, das 9h às 12h, os responsáveis da UBS e cerca de 10
pessoas do bairro se reúnem para cuidar do espaço. O grupo também pode escolher
uma planta para então ter aulas sobre seu uso e cultivo.
O fornecimento dos
chás para a população é controlado e sempre acompanhado de orientações.
"A gente faz uma
primeira orientação, explica como faz o chá, verifica se ele pode ser usado com
o medicamento que o paciente está tomando, pois percebemos que a grande maioria
dos remédios prescritos pelo posto interage com as plantas medicinais. Então
essa orientação é importante", explica Dias.
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