FONTE: Matheus Fortes, TRIBUNA DA BAHIA.
Um
hábito tão comum quanto comer pão francês – popularmente conhecido como o “pão
de sal” ou “pão cacetinho”, na Bahia, e elemento amplamente presente no café da
manhã e no jantar dos lares de todo o país – também pode comprometer a saúde. A
razão é a alta quantidade de sódio em sua composição.
De
acordo com o Sindicato de Panificação no Estado da Bahia (Sintrapan/BA), a
receita de fabricação do pão francês utilizada majoritariamente pelas padarias
de todo o estado possui 2% de sódio. O percentual, no entanto, pode ser
alterado de acordo com a receita usada por cada panificação.
Como
inexiste regulamentação ou norma que defina a quantidade máxima do sal
integrando a receita do tradicional quitute do café da manhã, as padarias ficam
livres para modificá-la, fazendo com que esta quantidade chegue a 10%, o que já
poderia ser prejudicial à saúde.
Além
disso, o pão francês, de modo geral, não é consumido individualmente, o que
eleva essa carga do sal no organismo, segundo explica a nutricionista Amália
Magalhães. “O grande problema relativo ao consumo do pão francês é que,
geralmente, não se consome uma única unidade, e também porque sua ingestão é
feita com outros acompanhamentos ou recheios que elevam esta quantidade de sódio,
à exemplo da manteiga ou a margarina”.
Outro
fator que dificulta a diminuição deste alto consumo é que não há qualquer
regulamentação ou norma estipulando o valor máximo da substância nos alimentos.
O que normalmente faz com que grande parte dos brasileiros consuma o sódio em
uma quantidade maior do que o necessário para o organismo, já que este sal está
presente em grande parte dos alimentos industrializados e que, inevitavelmente,
fazem parte do cardápio diário das pessoas com uma rotina cheia, e sem tempo ou
renda para sustentar uma dieta mais balanceada.
Entre
os males da ingestão exagerada de sódio no organismo, está a retenção de
líquidos no corpo, que faz o coração trabalhar mais para bombear o volume maior
de sangue. Com isso, a pressão arterial aumenta, o que pode levar ao acidente
vascular cerebral (derrame), cegueira, infarto agudo do miocárdio,
insuficiência cardíaca, além do câncer de estômago.
Em quantidades menores, o mineral é vital para o corpo,
sendo necessário para a manutenção de várias funções fisiológicas do organismo,
como a transmissão nervosa, manutenção da pressão arterial e equilíbrios de
fluidos e ácidos básicos, além de ser importante para o transporte de
nutrientes no intestino delgado e nos rins. Contudo, ele não é essencial para a
quantidade de sódio necessária para repor as perdas de nutrientes é próxima do
conteúdo já existente nos alimentos in natura, como explica Dr.
Amanda.
“No
café da manhã, por exemplo, o pão francês pode ser substituído por outos
alimentos ricos em carboidratos, e mais saudáveis, como as raízes – onde estão
o aipim, a batata doce, e o inhame –, além do beiju de tapioca e o cuscuz”,
recomenda a nutricionista, ressaltando a atenção do consumidor para os “lanches
inocentes”, como os biscoitos recheados e refrigerantes.
No
campo legislativo brasileiro, ainda não há normas que regulamentem a quantidade
máxima de sódio nos alimentos. Mas, em abril de 2011, o Ministério da Saúde
assinou termo de compromisso com a Associação Brasileira das Indústrias de
Alimentação (ABIA), a Associação Brasileira das Indústrias de Massas
Alimentícias (Abima), a Associação Brasileira da Indústria de trigo (Abitrigo)
e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).
O
objetivo do acordo era estabelecer metas nacionais para redução do teor de
sódio em macarrão instantâneo, pão de forma e bisnaguinhas.
Em
dezembro do mesmo ano, a entidade federal assinou outro termo com essas mesmas
associações ampliando a gama de produtos processados para pão francês, bolos
prontos sem recheio, batata frita, batata palha, maionese, biscoito doce
(Maizena e Maria), biscoito salgado (Cream Cracker, água e sal) e biscoito doce
recheado. No entanto, a segunda etapa do acordo entre o ministério e as
associações ainda não teve os resultados divulgados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário