quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

PÃO FRANCÊS PODE PREJUDICAR A SAÚDE...

FONTE: Matheus Fortes, TRIBUNA DA BAHIA.


Um hábito tão comum quanto comer pão francês – popularmente conhecido como o “pão de sal” ou “pão cacetinho”, na Bahia, e elemento amplamente presente no café da manhã e no jantar dos lares de todo o país – também pode comprometer a saúde. A razão é a alta quantidade de sódio em sua composição.
De acordo com o Sindicato de Panificação no Estado da Bahia (Sintrapan/BA), a receita de fabricação do pão francês utilizada majoritariamente pelas padarias de todo o estado possui 2% de sódio. O percentual, no entanto, pode ser alterado de acordo com a receita usada por cada panificação.
Como inexiste regulamentação ou norma que defina a quantidade máxima do sal integrando a receita do tradicional quitute do café da manhã, as padarias ficam livres para modificá-la, fazendo com que esta quantidade chegue a 10%, o que já poderia ser prejudicial à saúde.
Além disso, o pão francês, de modo geral, não é consumido individualmente, o que eleva essa carga do sal no organismo, segundo explica a nutricionista Amália Magalhães. “O grande problema relativo ao consumo do pão francês é que, geralmente, não se consome uma única unidade, e também porque sua ingestão é feita com outros acompanhamentos ou recheios que elevam esta quantidade de sódio, à exemplo da manteiga ou a margarina”.  
Outro fator que dificulta a diminuição deste alto consumo é que não há qualquer regulamentação ou norma estipulando o valor máximo da substância nos alimentos. O que normalmente faz com que grande parte dos brasileiros consuma o sódio em uma quantidade maior do que o necessário para o organismo, já que este sal está presente em grande parte dos alimentos industrializados e que, inevitavelmente, fazem parte do cardápio diário das pessoas com uma rotina cheia, e sem tempo ou renda para sustentar uma dieta mais balanceada.
Entre os males da ingestão exagerada de sódio no organismo, está a retenção de líquidos no corpo, que faz o coração trabalhar mais para bombear o volume maior de sangue. Com isso, a pressão arterial aumenta, o que pode levar ao acidente vascular cerebral (derrame), cegueira, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, além do câncer de estômago.
Em quantidades menores, o mineral é vital para o corpo, sendo necessário para a manutenção de várias funções fisiológicas do organismo, como a transmissão nervosa, manutenção da pressão arterial e equilíbrios de fluidos e ácidos básicos, além de ser importante para o transporte de nutrientes no intestino delgado e nos rins. Contudo, ele não é essencial para a quantidade de sódio necessária para repor as perdas de nutrientes é próxima do conteúdo já existente nos alimentos in natura, como explica Dr. Amanda.
“No café da manhã, por exemplo, o pão francês pode ser substituído por outos alimentos ricos em carboidratos, e mais saudáveis, como as raízes – onde estão o aipim, a batata doce, e o inhame –, além do beiju de tapioca e o cuscuz”, recomenda a nutricionista, ressaltando a atenção do consumidor para os “lanches inocentes”, como os biscoitos recheados e refrigerantes.
No campo legislativo brasileiro, ainda não há normas que regulamentem a quantidade máxima de sódio nos alimentos. Mas, em abril de 2011, o Ministério da Saúde assinou termo de compromisso com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), a Associação Brasileira da Indústria de trigo (Abitrigo) e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).
O objetivo do acordo era estabelecer metas nacionais para redução do teor de sódio em macarrão instantâneo, pão de forma e bisnaguinhas.  

Em dezembro do mesmo ano, a entidade federal assinou outro termo com essas mesmas associações ampliando a gama de produtos processados para pão francês, bolos prontos sem recheio, batata frita, batata palha, maionese, biscoito doce (Maizena e Maria), biscoito salgado (Cream Cracker, água e sal) e biscoito doce recheado. No entanto, a segunda etapa do acordo entre o ministério e as associações ainda não teve os resultados divulgados. 

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