FONTE: Aliny Gama, do UOL, em Campina Grande (educacao.uol.com.br).
Valternilson Arruda
Ribeiro, 38 anos, é um dos alunos mais ativos do Campus Serrotão da UEPB
(Universidade Estadual da Paraíba), em Campina Grande. Ele frequenta as aulas
do curso preparatório para o Enem, faz curso técnico pelo Pronatec, também oferecido
pela UEPB, e participa do projeto de leitura e escrita em grupo.
Quando começou a
cumprir sua pena, há 17 anos, ele não havia sequer terminado o ensino
fundamental, tinha feito até o 6º ano. Ribeiro não é de falar muito nem gosta
de comentar os crimes que o levaram a uma condenação de 124 anos e nove meses.
Foram cinco homicídios. Ele apenas comenta que não fará nada semelhante quando
sair de lá.
"Viajo nos
pensamentos e não me sinto preso quando estou aqui na universidade",
afirma. "Estou traçando planos para minha nova vida, pois terei de
aprender a andar de novo quando sair da cadeia e quero recomeçar com o
estudo."
Ele diz que o esforço
é "para se tornar uma pessoa melhor". Segundo a legislação, ele
ficará livre quando completar 30 anos de cárcere, tempo máximo de prisão no
país. "Estou vivendo uma nova etapa que me levará à nova vida quando sair
da cadeia. Quando cumprir minha pena, eu quero esquecer tudo de errado e
começar minha vida a partir dali", conta Ribeiro.
Campus dentro da prisão.
A UEPB instalou o
primeiro campus universitário dentro de uma prisão em 2013, mas os cursos de
nível superior serão implantados de acordo com a demanda dos presos em 2015.
"Estamos
trabalhando para que pelo menos três cursos sejam escolhidos para iniciar as
aulas de graduação", explicou a coordenadora do Campus Avançado do
Serrotão, Aparecida Carneiro. Como a escolaridade dos prisioneiros era baixa, a
coordenação optou por começar seu trabalho oferecendo aulas de educação básica.
Em 2014, cem estudantes fizeram o Enem contra 16 no ano anterior.
As graduações
oferecidas serão definidas em fevereiro no PPP (Plano de Políticas Públicas) da
instituição, que reúne alunos da UEPB, professores e também os presos. A
coordenação do campus explica que a iniciativa tem como objetivo contribuir
diretamente para a ressocialização dos internos.
Atualmente, o campus
avançado atende cem dos 450 presos da unidade masculina e quase todas as 84
presas da unidade feminina do Serrotão.

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