FONTE: Camila Neumam, do UOL, em São Paulo (noticias.uol.com.br).
COLOQUE CHAPÉUS E CAMISETAS NAS
CRIANÇAS. Além de aplicar o protetor solar, vestir camisetas e chapéus nas
crianças ajuda a prevenir um maior contato com o sol e previne queimaduras na
pele delas. Camisetas de algodão nas cores azul e vermelha ajudam a repelir os
raios solares.
A pele bronzeada
tornou-se símbolo de beleza mundo afora, como exemplo de aparência saudável. No
entanto, para dermatologistas o seu efeito não tem nada a ver com saúde. Ao
contrário, pode acelerar o envelhecimento da pele e a probabilidade de ter
câncer.
Mas é durante o verão
que muitas pessoas ainda se arriscam a pegar uma cor, mesmo com a possibilidade
de ter mais queimaduras do que o bronze propriamente dito.
Diante deste dilema,
o UOL questionou especialistas sobre quais cuidados devem
ser tomados antes de se bronzear para evitar riscos à saúde. Os dermatologistas
Marcus Maia, coordenador do programa nacional de combate ao câncer de pele da
Sociedade Brasileira de Dermatologia, e Dolival Lobão, chefe da sessão de
dermatologia do Inca (Instituto Nacional do Câncer), selecionaram dez
dicas que vão ajudar a evitar queimaduras e prevenir contra os danos à pele.
Aí sim: protetor, roupas e
acessórios.
A primeira dica é ter
consciência de que seu tipo de pele pode não ser capaz de adquirir um bronzeado
de capa de revista. Os menos sortudos em questão são os de pele mais clara, que
naturalmente possuem menos melanina, pigmento que protege a pele dos raios
solares.
"As pessoas de
pele, olhos e cabelos claros, com sardas e manchas na pele são as que têm
dificuldade de se bronzear porque, na verdade, ficam com queimaduras. A
primeira providência antes de se expor ao sol é saber que se corre este risco.
Embora todo mundo tenha que se proteger contra o sol, até os de pele escura,
estas pessoas precisam de uma proteção solar mais rigorosa", diz Marcus
Maia.
Para se proteger do
sol, o dermatologista do SBD sugere uma série de dicas que vão além do uso do
protetor solar. O ideal é usar 40 ml por adulto e 20 ml por criança. Junto ao
fotoprotetor, use roupas cujo tecido tenha proteção solar, peças conhecidas
como U.V line, além de chapéus e óculos que protegem contra os raios solares.
Para as crianças, os
especialistas sugerem o uso de camisetas e chapéus, já que elas podem suar mais
por se movimentarem bastante. Com os acessórios, que podem ser aqueles com
proteção ou comuns, elas terão boa parte do corpo protegida.
Reaplicar protetor deve
ser 'lei'.
Os dermatologistas
orientam aplicar o protetor solar 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicá-lo
depois do mergulho e de suar muito. A recomendação vale tanto para pessoas de
pele clara, como os de pele morena, amarela e negra.
O fator de proteção
solar considerado ideal para todas as escalas de cores de pele vai do número 15
ao 30, sendo mais importante reaplicá-lo do que o número em si. Crianças com
idade superior a seis meses podem até usar protetores solares comuns, não
infantis, desde que o fator de proteção seja no mínimo 15.
"O protetor com
fator solar de número 15 seria suficiente porque ele protege em até 97% por
aplicação contra a radiação solar. Como as pessoas não o reaplicam
corretamente, indica-se o de número 30, que tem 98% de proteção. Mas o protetor
só funciona como indicado se for aplicado sempre que necessário, a cada duas horas,
pelo menos", diz Maia.
O uso de óculos, por
vezes negligenciado, pode prevenir até doenças como a catarata.
"Como todos nós
um dia podemos ter catarata, o sol faz com que ela venha mais cedo por ter
efeito cumulativo. Por isso é importante prevenir", diz Dolival Lobão, do
Inca.
Bronzeado sem sol
funciona.
O uso de cremes
bronzeadores ou a ingestão de cápsulas de betacaroteno --encontradas em
farmácias-- são liberados pelos médicos, no entanto, eles frisam que tais
produtos não protegem a pele contra os raios solares, embora proporcionem a sua
pigmentação.
"São produtos
eficazes de uma forma geral, mas são caros e podem não oferecer o efeito
desejado para pessoas de pele muito clara. Há alimentos mais baratos que podem
ajudar a mudar a cor da pele como a cenoura e o tomate. E não adianta usá-los e
se esquecer do protetor solar", diz Marcus Maia.
Para Dolival Lobão, o
autobronzeador deve ser usado com a consciência de que terá efeito passageiro e
é melhor ser evitado por quem tem alergia a algum produto de sua composição.
"O
autobronzeador é um corante que não faz mal porque não atua dentro da pele. Em
tese não há contraindicação, a não ser que a pessoa seja alérgica".
Não existe bronzeamento
saudável.
Quanto mais tempo sob
o sol, maior a exposição da pele aos raios solares UVA e UVB, os primeiros mais
intensos entre as 7h e 19h e o segundo após o meio-dia até as 16h, que causam
os problemas já apontados.
Portanto, a conhecida
recomendação de encarar o sol até as 10h e depois das 16h só ajuda a se
proteger dos raios UVB, não dos que causam envelhecimento.
"Não existe
bronzeamento saudável. Você estará envelhecendo a pele precocemente ou se
preparando para ter um câncer de pele. A ação dos raios solares provoca
envelhecimento precoce ou dano da estrutura do DNA, que pode acarretar na
formação do câncer de pele", afirma Lobão.
Há dois tipos de
câncer de pele: o melanoma e o não-melanoma. O câncer do tipo melanoma tem
maior incidência entre brancos e é considerado mais mortal por ter maior poder
de destruição do local onde nasce o tumor --especialmente na boca, nariz e
próximo aos olhos-- porque literalmente vai 'comendo a pele'. Entretanto, sua
incidência no Brasil é de apenas 4% entre os casos de câncer de pele.
Já o câncer
não-melanoma é o câncer mais frequente no Brasil, correspondente a 25% de
todos os tumores malignos registrados no país, e atinge com maior frequência
pessoas acima dos 40 anos, segundo o Inca. Este tipo de câncer é caracterizado
por pintas escuras.
Manchas na pele e
sinais que surgem depois da exposição ao sol devem sempre ser avaliados por um
dermatologista, principalmente se mudarem de cor ou de tamanho, se coçarem e se
suas bordas tornarem-se irregulares com o tempo. Feridas na pele que não
cicatrizam após 15 dias também devem ser alvo de atenção. Estas características
podem indicar câncer de pele não-melanoma, explica Lobão.

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