FONTE: TRIBUNA DA BAHIA.
Campanha Julho Verde conscientiza sobre a importância da prevenção do câncer de cabeça e pescoço, quinta neoplasia mais comum no mundo.
Dados da Sociedade Brasileira de
Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) revelam que o hábito de beber e fumar
aumenta em até 20 vezes a chance de uma pessoa desenvolver algum tipo de câncer
de cabeça e pescoço.
Tumores nessa região correspondem
a 3% de todos os tipos de câncer. Os de cavidade oral, que incluem lábios,
língua, assoalho de boca, céu da boca, orofaringe como amígdalas, e de laringe
são os tumores mais comuns.
De acordo com o Instituto
Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, as estimativas de 2014, que também são
válidas para o ano de 2015, apontam a ocorrência de 11.280 novos casos de
câncer da cavidade oral em homens e 4.010 em mulheres.
Além do tabagismo e o álcool,
outros fatores estão associados mais fortemente ao aparecimento do câncer de
boca, como a infecção por HPV (subtipo 16 principal) e exposição solar (para o
câncer no lábio).
Há também os fatores de baixo
risco, dentre os quais estão a dieta pobre em frutas e vegetais, má higiene
oral, próteses mal ajustadas ou adaptadas, genéticos e outros aspectos em
associação que determinam uma queda na imunidade do hospedeiro, levando ao
aparecimento do tumor.
Os sintomas do câncer de
boca, às vezes, são nítidos, como feridas com ardor na boca, e às vezes não,
sendo indolores no início, como uma ferida que não cicatriza e não dói.
De acordo com o Dr. Giulianno
Molina de Melo, Cirurgião de Cabeça e Pescoço da Beneficência Portuguesa de São
Paulo, entre as lesões suspeitas estão a ferida na boca que não cicatriza em
duas semanas; os nódulos persistentes no pescoço e em mucosa da bochecha,
lábio, assoalho de boca e língua; as manchas esbranquiçadas ou avermelhadas,
indolores ou com leve ardor local em mucosa da boca; os dentes que apresentam
amolecimento sem causa aparente; o inchaço na gengiva que dificulta uso de
prótese; a dificuldade para engolir, falar, mastigar; mau hálito e perda de
peso.
“Apesar de quase 90% das lesões
malignas de boca estarem localizadas na língua, assoalho, mucosa jugal e
palato, ou seja, de fácil suspeita e reconhecimento, ainda diagnosticamos
pacientes, em sua maioria, em estádios avançados, o que dificulta muito o
tratamento, levando a cirurgias complexas, prolongadas, envolvendo
reconstruções para a reabilitação mais adequada e invariavelmente seguidas de
radioterapia e quimioterapia, apresentando-se até o momento com índices mais
baixos de sobrevida”, explica Dr. Giulianno.
No Brasil, cerca de 70% dos casos
ainda apresentam-se em estádios avançados: III e IV, onde as chances de cura ou
controle são menores, porém podem ser atingíveis. Já os casos iniciais I e II
possuem alta chance de cura/controle.
Os dados demográficos preocupam e
se este ritmo continuar, a incidência do câncer de boca, no Brasil, tenderá a
aumentar, ultrapassando outras doenças. Com isto os gastos em saúde como um
todo também aumentarão.
Hoje ocupa a quinta posição entre
os homens e a sexta entre as mulheres. Segundo o cirurgião, a prevenção de
fatores de risco ainda é a medida mais simples e eficaz para evitar o aparecimento
desses tumores.
“A recomendação médica, portanto,
é a de cessar o consumo de tabaco e álcool, pois associados e com a presença
dos outros fatores já descritos aumenta-se muito a possibilidade de desenvolver
esta doença”, conclui o Dr. Giulianno.
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