FONTE: Agência Brasil, CORREIO DA BAHIA.
Houve polêmica
por causa da emenda da Câmara dos Deputados que estendeu aos aposentados o
direito a reajuste anual.
O assunto que mais movimentou o Senado na última semana
foi a votação da medida provisória (MP) que prorroga por mais quatro anos a
política de valorização do salário mínimo. Embora seja um tema convergente
entre os senadores, houve polêmica por causa da emenda da Câmara dos Deputados
que estendeu aos aposentados o direito a reajuste anual atualizado pela
inflação do ano anterior, mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) do
país de dois anos antes. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos
no país.
Para o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral
(PT-MS), a aprovação da emenda foi uma irresponsabilidade. Delcídio lembrou o
peso para a Previdência Social da concessão do reajuste a todos os aposentados
e comparou com outras votações recentes do Senado, que representam grande
impacto nas contas públicas – caso do reajuste de até 73% concedido aos
servidores do Judiciário. “Estamos caminhando para a nau da insensatez,
praticando irresponsabilidades uma atrás da outra”, disse o senador no plenário,
durante a votação.
O apelo foi em vão e os senadores aprovaram a MP apenas
com emendas de redação que servirão posteriormente para que o governo vete essa
parte do texto, segundo o próprio Delcídio. Outra proposta de emenda, do senador
Cristovam Buarque (PDT-DF), que não foi aprovada, gerou bate-boca no plenário
com o senador Paulo Paim (PT-RS), ao som de vaias dos aposentados que
acompanhavam a sessão nas galerias.
A emenda propunha a troca do índice que será usado para
corrigir a inflação, substituindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC) pelo Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1, mais especializado em
medir a inflação entre a população de baixa renda. A modificação, entretanto,
faria com que a medida provisória voltasse para a Câmara, e ela correria o
risco de perder a validade por decurso de prazo em razão do recesso branco, que
começará no dia 18, o que provocou os protestos do senador e da plateia que
assitia à sessão.
O episódio gerou cobranças de outros senadores, em
solidariedade a Cristovam, para que o presidente da Casa, Renan Calheiros
(PMDB-AL), fizesse cumprir o regimento, não permitindo mais manifestações nas
galerias. “Isso é um absurdo. Agora um senador que não concorda com determinado
ponto é xingado e vaiado? Que história é essa? A democracia se faz no debate,
ouvindo o outro lado”, protestou Delcídio. Na quinta-feira (9), a Mesa Diretora
do Senado aprovou ato limitando o acesso à tribuna de honra apenas a assessores
credenciados.
O plenário do Senado também recebeu, na última semana,
cinco projetos aprovados pela Comissão Especial da Reforma Política. Eles
tratam de temas diversos, como redução dos custos de campanha, nova divisão
para o tempo da propaganda política no rádio e na televisão, cláusula de barreira
para acesso a esse tempo e ao Fundo Partidário, e cotas para mulheres. Os
projetos da reforma política serão votados na próxima semana e a comissão
deverá enviar mais propostas ao plenário.
A semana teve ainda a leitura dos nomes que vão compor a Comissão
Parlamentar de Inquérito da Confederação Brasileira de Futebol (CPI da CBF),
que está pronta para ser instalada, e embate no plenário entre líderes do PT e
do PSDB, que trocaram acusações mútuas de golpismo após entrevista concedida
pela presidenta Dilma Rousseff à Folha de S. Paulo. Na entrevista, Dilma
comentou a crise política e os rumores sobre a possibilidade de impeachment.
Renan Calheiros também foi levado a apresentar nota
pública para comentar a decisão da Justiça Federal no Distrito Federal de
torná-lo réu em processo referente ao período em que foi presidente do Senado
pela última vez, em 2007. Na época, Renan renunciou à presidência da Casa
depois do escândalo em que foi descoberto que a Construtora Mendes Júnior
pagava o aluguel da jornalista Mônica Veloso e a pensão da filha que o senador
tem com ela. Renan, que responderá a processo por improbidade administrativa
por isso, chamou o episódio recente de “café requentado” e acusou uso eleitoral
do assunto.

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