FONTE: Estadão Conteúdo, TRIBUNA DA BAHIA.
A hipótese de que a doença poderia ser
transmissível foi levantada com base em uma pesquisa feita em corpos de
pacientes mortos com a "doença da vaca louca".
Um novo
estudo sugere que fragmentos de uma proteína encontrada no cérebro de
indivíduos com a doença de Alzheimer podem ser transmitidos para outras pessoas
a partir de contaminação por certos procedimentos médicos ou cirúrgicos.
A
hipótese de que o Alzheimer poderia ser transmissível foi levantada com base em
uma pesquisa feita em corpos de pacientes mortos com a doença de Creutzfeldt
Jakob (DCJ), popularmente conhecida como "doença da vaca louca". O
estudo foi publicado nesta quarta-feira, 9, na revista científica Nature.
Segundo
os autores, a pesquisa não traz nenhuma evidência de que o Alzheimer possa ser
contagioso, mas o estudo do cérebro de oito pacientes mortos com DCJ sugere que
"sementes" da proteína beta amiloide podem ser transmitidos por
procedimentos médicos.
Essas
proteínas, típicas da doença de Alzheimer, formam placas entre as células do
cérebro, impedindo que elas se comuniquem entre si - um marco da doença.
Os oito
pacientes cujos cérebros foram estudados desenvolveram a DCJ depois de
receberem injeções de hormônio do crescimento obtidas a partir de cadáveres
entre 1958 e 1985, quando essa técnica de obtenção do hormônio foi banida.
Além
dos agentes infecciosos da DCJ, os cientistas encontraram também, em quatro dos
cérebros, níveis consideravelmente altos da proteína beta amiloide, sugerindo
que as "sementes" do Alzheimer teriam sido adquiridas durante o
procedimento cirúrgico.
Os
autores, no entanto, destacam que não há motivos para temor, já que o contágio
é ainda apenas uma hipótese. "Nosso estudo está especificamente
relacionado às injeções de hormônios do crescimento derivadas de cadáveres, um
tratamento que não existe mais há anos. É possível que a descoberta possa se
aplicar também a outros procedimentos médicos ou cirúrgicos, mas para avaliar
esse risco será preciso fazer mais pesquisas", disse o líder do estudo,
John Collinge, da College University London (Reino Unido).
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