BRASÍLIA
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a vacina contra
febre amarela para todos os viajantes internacionais que se destinam ao Estado
de São Paulo, com exceção das áreas metropolitanas da capital e de Campinas. A
orientação, divulgada nesta segunda-feira, 20, é mais abrangente do que a
adotada atualmente no Estado, pois inclui toda a região litorânea paulista,
hoje considerada livre de risco para a doença.
O
coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, o
infectologista Marcos Boulos, afirmou que a mudança da OMS não vai alterar a
recomendação local. "Não vemos atualmente motivo para vacinar a população
do litoral. Não há até o momento nenhum indício de risco de febre amarela
naquela região." Boulos acredita que a recomendação da OMS foi tomada
diante dos casos na Serra do Mar do Rio e do receio de que os casos avancem
para São Paulo.
"O
monitoramento está sendo realizado. Os casos ocorreram em uma região distante
do litoral paulista", completou. O diretor assegurou que, caso seja
observado o aparecimento de infecções suspeitas ou de mortes de macacos com
indícios da doença em áreas mais próximas de São Paulo, a estratégia será
revista. "Nessa situação podemos começar a pensar em cobrir o litoral norte
paulista. Mas no momento ainda não."
Boulos
afirmou ser necessária muita cautela na indicação da vacina contra febre
amarela. Ele lembrou que, como o imunizante é feito com o vírus atenuado, há um
risco (embora pequeno) de reações adversas. A estimativa é de que ocorra entre
1 morte a cada 200 mil e até 1 morte a cada 1 milhão de doses aplicadas.
"Daí a necessidade de se fazer uma imunização com cuidado, selecionando
gradativamente as pessoas que estão sendo imunizadas."O diretor criticou a
conduta que está sendo adotada no Rio, com indicação de vacina para toda
população. "É uma irresponsabilidade", classificou.
"Se
toda população for vacinada, há um risco de o Estado registrar, pelo menos, 16
mortes provocadas por reação ao imunizante", avaliou. Ele lembrou ainda
que o número de casos da doença registrados no Estado não justificam a ação
nestas proporções.
O
infectologista observou que, em casos de vacinação aleatória, profissionais de
saúde têm menos recursos para filtrar os casos em que o imunizante é contraindicado,
como pessoas com doenças autoimunes ou que fazem uso de remédios que diminuem a
resposta imunológica. "Mesmo com todo cuidado na vacinação, há em São
Paulo duas mortes prováveis de terem sido provocadas pela vacina. No caso do
Rio, isso pode chegar a 60."
Boulos
disse estar convicto de que a febre amarela está se alastrando pelo País.
"Sabemos que a doença vai chegar em outras áreas do Estado. Mas a previsão
é de que isso não aconteça agora. Vamos ampliar a vacinação, mas com calma, com
cautela."
Além
de São Paulo, o comunicado da OMS recomenda que viajantes que se destinam para
o Rio (com exceção da capital e de Niterói) também sejam imunizados contra a
febre amarela. Este é a terceira alteração nas orientações a viajantes feita
pelo organismo neste ano. Em janeiro, a OMS estendeu a indicação da vacina para
69 municípios do sul e sudoeste da Bahia. No dia 6 deste mês, foi a vez de a
recomendação ser feita para todo o Espírito Santo.
O
Ministério da Saúde afirmou que não haverá alterações na recomendação da vacina
no País. Além das áreas já consideradas de risco, em São Paulo o imunizante é
recomendado para 125 cidades; no Rio, para 55. No Espírito Santo, por sua vez,
78; e na Bahia, 35.

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