Um
estudo revelado neste mês de novembro pela Faculdade de Medicina da
Universidade de Washington de St. Louis traz novas informações para o
entendimento do autismo enquanto condição clínica.
Encabeçado
pelo pesquisador Azad Bonni, chefe do Departamento de Neurociências da
universidade, o estudo revela que o autismo estaria diretamente relacionado à
ocorrência de conexões cerebrais - as chamadas sinapses - em excesso.
"Um
número aumentado de sinapses cria uma 'falta de comunicação' entre os neurônios
no cérebro em desenvolvimento que se correlaciona com as diferença na
aprendizagem", afirma Bonni.
Ou
seja, a pesquisa sugere que o cérebro de pessoas do espectro autista possui
sinapses demais. E, ao contrário do que se pode supor, esse aumento induz a
ruídos ou ausência de uma comunicação efetiva do cérebro.
"Você
pode tender a pensar que aquele que tem mais sinapses faria um melhor trabalho,
mas não parece ser o saco. O número aumentado de sinapses cria uma falha de
comunicação entre os neurônios, contribuindo para prejuízos na
aprendizagem".
O estudado foi publicado em novembro e ajuda a compreender
melhor os antecedentes deste transtorno tão complexo do ponto de vista
biológico.
A
pesquisa explica também a relação do autismo com a ubiquitina, uma proteína
presente nas células e com função reguladora. Alguns pesquisadores defendem
que, em indivíduos do espectro autista, ocorre uma mutação genética que impede
o funcionamento correto da ubiquitina.
Para
compreender o que leva a essa mutação, cientistas da Universidade Washington
removem o RNF8 (um gene de ubiquitina) em neurônios do cerebelo (umas das áreas
cerebrais afetadas pelo autismo) em camundongos.
A
conclusão foi que, nos ratos em que faltava o gene, houve uma tendência ao
aumento das sinapses. Isso fez com que sua capacidade de aprender fosse afetada
consideravelmente. Tais camundongos tinham 50% mais sinapses do que seus pares
que tinham seu gene RNF8 intacto.
O
que se sabe é o que o autismo é uma condição neurológica que afeta uma em cada
160 indivíduos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Suas implicações
podem incluir distúrbios sensoriais, atrasos na linguagem e dificuldade de
interação social.
Não
há um consenso quando se trata de explicar as causas da condição, mas, em
geral, entende-se que há um aspecto genético envolvido, embora fatores
socioambientais também possam interferir para o transtorno.
Para
quem lê em inglês e tiver interesse em se aprofundar mais no assunto, é
possível ler mais informações sobre a pesquisa aqui.


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