A ligação entre as
bactérias intestinais e o sistema imunológico é complexa e crucial para a
saúde. Estudos anteriores já mostraram que esses micro-organismos regulam a
resposta do corpo ao estresse e controlam a reação do organismo ao câncer. Até
então, como essa interação entre a microbiota e o sistema imune funcionava era
um mistério, mas uma nova pesquisa descobriu que as bactérias "boas"
colaboram com as células que revestem o interior do intestino e com as células
do sistema imunológico para regular a resposta à infecção.
Publicado no periódico Immunity na quinta (5), o estudo incluiu uma série
de experimentos in vitro e in vivo usando o microrganismo Salmonella
typhimurium para estudar a resposta imune do intestino.
Os cientistas
perceberam que as células imunes que apresentam antígenos "dizem" a
outras células do sistema imunológico, denominadas células T, para se
prepararem e emitirem uma resposta imune quando estão sob o cerco de estranhos
invasores microbianos.
Para evitarem que essas
células ataquem o próprio organismo, as bactérias também avisam a outro tipo de
célula T, conhecida como células T reguladoras, quando não há uma resposta
inflamatória tão forte a coisas como a comida que ingerimos. É como se elas
dissessem às células T reguladoras para desligar a resposta inflamatória quando
necessário, por meio da secreção de uma molécula anti-inflamatória chamada
citocina IL-10.
"O resultado é uma
resposta equilibrada que ainda pode combater uma infecção como a Salmonella,
mas que é regulada para prevenir danos ao tecido intestinal saudável", diz
Gretchen Diehl, principal autora do estudo.
Apesar de serem
consideradas bactérias “boas”, esses germes que podem se ligar ao epitélio
intestinal são considerados patógenos que podem potencialmente causar doenças,
de acordo com os pesquisadores. "Mas, neste caso, descobrimos que a ligação
de bactérias ao tecido do intestino não estava causando a doença; pelo
contrário, elas estavam promovendo uma regulação equilibrada das respostas das
células T e ajudando a proteger o intestino", explica Diehl.
Segundo os autores, as
descobertas são apenas uma peça do quebra-cabeça e outros mecanismos pelos
quais as bactérias intestinais nos mantêm saudáveis ainda precisam ser
revelados. "Uma mensagem para nós é que uma microbiota saudável é
necessária para permitir uma resposta equilibrada não apenas para nos proteger
da infecção, mas também para limitar possíveis danos nos tecidos, à medida que
o sistema imunológico tenta eliminar os agentes infecciooso", conclui
Diehl.


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