Já se sabe que níveis
mais altos de testosterona podem interferir em diversos aspectos do
comportamento masculino, da agressividade à tendência a fazer investimentos de
risco. Segundo um novo estudo, publicado na Nature Communications, a quantidade
de hormônio ainda pode explicar por que certos homens adoram artigos de luxo e
grifes famosas.
A conclusão é de
pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), do
Laboratório ZRT e da Universidade da Pensilvânia e, nos Estados Unidos, com
participação da Universidade de Western Ontario, no Canadá.
A pesquisa envolveu 243
voluntários de 18 a 55 anos, selecionados aleatoriamente para receber uma dose
de gel de testosterona ou de gel com placebo. Depois de quatro horas, eles
foram submetidos a exames para detectar se os níveis de testosterona já tinham
atingido o pico, e então passaram por diferentes testes para avaliar
mercadorias ou anúncios de diferentes produtos.
Os resultados mostraram
que os homens que receberam a dose de testosterona demonstraram uma preferência
mais forte por marcas de luxo e artigos que evocam poder do que os
participantes que receberam o placebo.
De acordo com
cientistas, a testosterona está associada a comportamentos de busca e de
manutenção de status. No reino animal, isso é feito por meio da agressividade –
um primata ataca o outro para mostrar quem é o dono do pedaço, por exemplo. Já
entre os homens, essas manifestações também ocorrem, mas podem ser substituídas
por atitudes mais civilizadas, digamos assim, como o consumo.
Um dos autores, o
professor de comportamento econômico da Caltech Colin Camerer, chega a comparar
o dinheiro gasto em carros e roupas de marcas sofisticadas como o peso da cauda
de um pavão macho. Se não fosse pela necessidade de atrair fêmeas, eles teriam
muito mais agilidade para correr sem tantas penas para carregar.
O mesmo raciocínio vale
para os homens: ninguém precisa gastar 300 mil dólares para andar de automóvel,
mas uma máquina com esse preço é um símbolo de status. Enquanto alguns tentam
se exibir com penas, armas ou músculos, outros usam logotipos na camisa ou no
automóvel.
Embora esse estudo
tenha sido feito só com homens e a testosterona, alguns trabalhos já associaram
as variações hormonais do ciclo menstrual a certos comportamentos femininos. Um
deles, publicado no periódico Psychoneuroendocrinology, constatou que, no
período fértil, quando o estrogênio está alto e a progesterona, baixa, elas são
mais assertivas e propensas a comprar artigos voltados para o sexo, como roupas
ou lingeries sensuais.


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