Além de prevenir o vírus do papiloma humano, ou HPV, a vacina Gardasil
parece também fazer efeito contra um tipo de câncer de pele. A conclusão é de
um estudo publicado na terça-feira (3) no periódico JAMA Dermatology. Após tratarem uma mulher com múltiplos carcinomas
de células escamosas com a vacina, os cientistas relataram que os tumores da
paciente regrediram.
Embora o caso de um único paciente não seja páreo para ensaios
controlados, o resultado levanta a possibilidade de que a vacina possa salvar
ainda mais vidas do que imaginávamos.
O carcinoma de células escamosas é o segundo tipo mais comum de câncer de
pele, atrás apenas do carcinoma basocelular. Embora não seja tão mortal como o
melanoma, ainda é responsável por milhares de mortes a cada ano em todo o
mundo.
Alguns tipos de HPV são conhecidos por causar cânceres do colo do útero,
do ânus, da vagina e da vulva. No entanto, a presença do vírus em muitas
células cancerosas escamosas fez com que pesquisadores suspeitassem que alguns
cânceres de pele poderiam entrar também nessa lista de doenças causadas pelo
HPV.
No estudo publicado no JAMA, Anna Nichols, da Universidade de Miami,
resolveu tratar uma de suas pacientes, uma mulher de 97 anos cuja perna tinha
tantos tumores que nem uma cirurgia e radioterapia eram considerada segura, com
doses de Gardasil. Nichols então injetou duas doses de Gardasil em seu braço,
com seis semanas de intervalo, seguidas de injeções em vários tumores,
repetidas durante um período de 11 meses.
"Todos os seus tumores desapareceram completamente 11 meses após a primeira
injeção e ela não teve recorrência", concluiu a pesquisadora. "Já faz
24 meses desde que começamos o tratamento."
Segundo Nichols, o trabalho levanta a possibilidade de que o Gardasil
possa ser usado muito mais amplamente no tratamento, sendo muito menos invasivo
do que as opções existentes. Mas estudos maiores ainda são necessários.


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