Você já deve ter ouvido
falar que os sintomas de ataque cardíaco são diferentes para
homens e mulheres. O que se acredita é que enquanto eles sentem uma dor aguda
no peito, elas recebem sinais não tão óbvios assim — como uma simples
indigestão ou dor nas costas. No entanto, uma pesquisa
recente, publicada no Journal of the American Heart Association, parece provar
justamente o contrário.
No estudo, os
cientistas avaliaram os sintomas de 1941 pacientes (dos quais 39% eram
mulheres) que deram entrada na emergência do Royal Infirmary of Edinburgh,
um hospital da Escócia. Todos eles estavam com sinais claros de síndrome
coronária aguda — um termo genérico para situações em que o fornecimento de
sangue para o coração foi subitamente bloqueado.
Desses pacientes, 284
(90 mulheres e 184 homens) foram oficialmente diagnosticados com infarto do
miocárdio NSTEMI. Ele é o tipo mais comum de infarto, e acontece quando a
artéria coronária fica parcialmente entupida.
Sintomas
de ataque cardíaco.
Os pesquisadores então
dividiram os sintomas de ataque cardíaco em dois: típico ou
atípico. Os sintomas típicos incluíam dores no peito, braço e mandíbula. Além
de uma certa pressão, aperto ou esmagamento nessas regiões. Também foram
considerados sintomas típicos: náusea, vômitos, sudorese, falta de ar ou
palpitações.
Já a dor atípica
incluía a presença de dor nas costas, dor epigástrica (azia), queimação no
estômago ou indigestão.
Resultados.
A descoberta? A dor no
peito foi o sintoma mais comum em ambos os sexos. Cerca de 93% dos homens e
mulheres queixaram-se dela.
Apesar da crença
popular, homens foram os que mais experimentaram sintomas de ataque
cardíaco atípicos. Foram 41% de homens contra 23% de mulheres. E elas
foram as que mais tiveram os típicos (35% delas contra 22% deles), como a
náusea (34% versus 22%), dor na mandíbula (28% versus 20%) ou nas costas (31%
versus 17%).
Ambos os sexos têm
menos probabilidade de ter sintomas de ataque cardíaco na
região dos braços: 36% das mulheres e 31% dos homens.
De acordo com Amy
Ferry, principal autora do estudo, três coisas diferenciam esta pesquisa das
anteriores.
Primeiro, os
diagnósticos de ataques cardíacos foram baseados nas diretrizes mais recentes
sobre o assunto. Se fossem as diretrizes anteriores, apenas 1 em cada 3
mulheres entraria no estudo, o que significa que muitas não seriam
incluídas.
Segundo, Amy e seus
colegas usaram apenas os sintomas relatados pelos pacientes antes de eles serem
oficialmente diagnosticados com um ataque cardíaco. E não coletaram os dados
dos prontuários médicos. “Isso garantiu que os sintomas fossem registrados
conforme o paciente os descrevia. E que não fossem submetidos à interpretação
do médico avaliador, ou então traduzidos para terminologia médica”, disse ela.
Ou seja, os sintomas de ataque cardíaco que os pacientes tiveram não foram
influenciados por diagnósticos posteriores.
Terceiro, o estudo
incluiu uma ampla amostragem de pacientes com suspeita de ataque cardíaco.
“Estudos que se baseiam em populações com ataques cardíacos já confirmados
correm o risco de excluir muitos sintomas”, disse Amy.
Conclusões.
No entanto, isso não
quer dizer que se homens e mulheres experimentam sintomas de ataque
cardíaco diferentes dos descritos no estudo, eles não terão um
infarto.
“O infarto pode
apresentar muitos sintomas diferentes tanto em homens quanto em mulheres”,
explicou Amy. “O mais comum é dor no peito, mas também pode aparecer incômodos
nos braços, pescoço, costas ou mandíbula. Além disso, alguns pacientes podem
sentir náusea, vômito, sudorese, falta de ar ou palpitações.”
Enquanto a dor no peito
foi o sintoma mais comum de ataque cardíaco para mulheres e homens, 41% dos
homens e 23% das mulheres tiveram sintomas atípicos, como azia, dor nas costas
ou queimação. Resumindo, nada deve ser ignorado — é preciso ir ao hospital em
qualquer sinal.

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