FONTE:
, Giovana Meneguin, https://www.msn.com/
Alguns hábitos são passados de mãe para filha e
acabam se perpetuando durante muito tempo; outros, por sua vez, são difundidos
através das mídias, como filmes e redes sociais, e passam, assim, a fazer parte
do cotidiano de algumas pessoas. No entanto, isso não quer dizer que sejam
corretos ou saudáveis.
Portanto,
é preciso ter bastante atenção nos vícios presentes na nossa rotina,
especialmente quando falamos sobre saúde íntima, já que certas práticas e produtos podem vir a afetar a
região vaginal, causando infecções e interferindo até mesmo no prazer sexual.
Assim,
para ajudar você a manter a vagina sempre saudável e bem cuidada, confira
abaixo as recomendações das ginecologistas Mariana Betioli, fundadora da
Inciclo, e Evelyn Prete sobre 10 itens que devem ficar bem longe
da sua região íntima!
1
- Sabonetes.
De
acordo com Betioli, não devemos lavar a vagina com sabonetes comuns, pois assim
evitamos irritações e não desequilibramos o pH vaginal. “Algo fundamental para
ajudar na saúde íntima é limpar a região do jeito certo. Só que a limpeza nunca
deve ser feita na parte interna", afirma a médica.
Ela
explica que a vagina é autolimpante. Portanto, o ideal é levar somente a vulva,
ou seja, a área externa; quanto à parte interna, ela diz: "Só com água e
os dedos, já é possível limpar bem entre os lábios internos e externos”.
Betioli
ainda observa que, caso a pessoa queira, o sabonete deve ser usado em pouca
quantidade somente na vulva e no chamado monte de vênus, onde nascem os pelos
da região. Mas atenção: após a limpeza, é importante enxaguar e secar muito bem
a área. Além disso, ela ainda orienta para o uso de sabonetes neutros:
"Aqueles de glicerina ou feitos para os bebês são os mais
indicados".
2
– Duchas.
Ainda
que seja essencial higienizar a região íntima, a limpeza não deve ser feita em
excesso ou de forma agressiva. A fundadora da Inciclo explica que as duchas
vaginais, por exemplo, retiram a proteção da vagina. “Ao fazer a ducha,
desequilibramos a flora vaginal e ainda levamos bactérias da vulva para dentro
da vagina, favorecendo o surgimento de vários problemas de saúde”,
aponta.
Para
ela, esse tipo de prática tem a ver com o mito de que a vagina tem um cheiro
ruim e, portanto, precisa ser lavada a todo momento.
“A
vagina é constantemente associada ao odor de peixe. Não é coincidência você ir
na farmácia e ter uma prateleira cheia de produtos de higiene íntima feminina,
com aroma de flores e doces. Não existe nada parecido para a higiene íntima dos
homens porque é algo culturalmente enraizado”, afirma a médica. No entanto, ela
argumenta que apesar da região ter, sim, um odor particular, ele é totalmente
normal.
Caso
esse odor seja muito forte e acompanhado de coceira ou ardor, ou então haja a
ocorrência de corrimentos, Betioli recomenda ter atenção e procurar ajuda de um
especialista.
3
- Secar a urina de trás para frente.
Prete
comenta que desde muito cedo as meninas se acostumam a secar a região íntima no
sentido equivocado, de trás para frente.
Assim,
a ginecologista ensina que o correto é sempre usar o papel higiênico de frente
para trás, ou seja, no sentido da vagina para o ânus. “O contato do papel com a
região do ânus pode trazer bactérias intestinais para a região da vagina,
levando a infecções e desequilíbrio da flora vaginal”, esclarece Prete.
4
- Calcinhas de tecido sintético.
Renda,
elastano, lycra e microfibra estão entre os materiais mais usados na fabricação
de roupas íntimas. Mas atenção: nem todos são grandes aliados da sua vagina!
Por abafarem a região, os tecidos sintéticos podem ser bastante prejudiciais à
saúde íntima.
“É
importante manter a vulva arejada. Portanto, devemos evitar usar roupas
apertadas, como calças jeans e se possível, preferir sempre calcinhas de
algodão ou tecido respirável para ajudar na transpiração da região”, ressalta
Betioli.
Para
quem tem problemas maiores com umidade, dormir sem calcinha pode ser uma boa
opção. Isso porque, de acordo com Betioli, “o hábito melhora a ventilação,
evitando o acúmulo de fungos e o surgimento de casos de candidíase [infecção
fúngica que tem como principais sintomas a coceira intensa e o corrimento], por
exemplo.”
5
- Calças justas.
Talvez,
a geração Z não esteja tão errada em achar cringe usar calça skinny. Prete explica que, assim como ocorre com as calcinhas sintéticas, os
modelos mais justos de calça também prejudicam a ventilação, a transpiração da
região íntima e a manutenção da temperatura normal da genitália.
Além
disso, a médica aponta que outro problema que esse tipo de calça pode gerar é o
atrito, levando, assim, à formação de assaduras e ao escurecimento da região.
“Dê preferência para tecidos leves e deixe para usar as calças mais justas e as
jeans em dias que você for ficar um período curto fora de casa”, aconselha a
ginecologista.
6
- Absorventes descartáveis.
Pois
é! Está mais do que na hora de deixar de lado os absorventes
descartáveis. Além de sustentáveis e
econômicos a longo prazo, segundo Betioli, o coletor menstrual, o absorvente de
pano e a calcinha absorvente são opções mais saudáveis para a região
íntima.
“Os
modelos mais populares do mercado – os absorventes descartáveis externo e
interno – não são os mais indicados. O absorvente externo, assim como o
protetor diário, possui camadas plásticas que não permitem a passagem de ar,
criando um ambiente úmido e quente. Junto a isso, o sangue que fica em contato
com a vulva começa a entrar em decomposição, o que também aumenta o risco de
problemas”, afirma a responsável pela Inciclo.
Sobre
os absorventes internos, a médica complementa dizendo que, quando inseridos no
canal vaginal, esses produtos acabam sugando não só o sangue, mas também toda a
umidade da vagina. Assim, o cenário torna-se favorável para a proliferação de
bactérias indesejadas.
Para
as curiosas de plantão, Betioli explica que o coletor menstrual é feito de
silicone hipoalergênico, um material inerte e sem substâncias químicas, sendo,
assim, benéfico para a saúde feminina, bem como os modelos de calcinhas
absorventes e absorventes de pano que possuem tecidos respiráveis com
tratamento antimicrobiano.
7
– Comida.
Sexo com doces pode até ser divertido nos filmes e séries de
televisão, mas, na vida real, as consequências da brincadeira podem não valer a
pena. Sorvete, chantilly, leite condensado, chocolate, vegetais, legumes ou
qualquer outra comida não devem ser introduzidos ou passados na vagina.
“Sabemos
que durante a relação sexual, as pessoas buscam inúmeras formas de se estimular
e tornar a transa diferente. Mas, ao usar alimentos que (certamente) não foram
feitos para a prática, você cria um risco de contaminação. As consequências
disso são diversas, como possíveis reações alérgicas e mais infecções
vaginais", afirma Betioli.
Além
disso, Prete também faz um alerta para a alimentação em si. Isso porque maus
hábitos alimentares podem, sim, levar a problemas vaginais recorrentes. Ela
pondera que o consumo excessivo de gordura, carboidratos e açúcares, além dos
alimentos industrializados, pode causar o aumento da produção de bactérias na
vagina, culminando com infecções como a candidíase.
8
- Químicos em geral.
Desodorantes,
lenços umedecidos, hidratantes e lubrificantes cheios de químicos. Todos esses
produtos, quando inseridos na vagina, podem causar irritações e até mesmo
dermatite na região. Portanto, mantenha-os longe!
“A
vulva é muito delicada e tem uma fina camada gordurosa protetora que o lenço
umedecido, por exemplo, acaba removendo, o que pode ressecar, irritar, causar
coceiras e corrimentos incomuns. Químicos, de forma geral, são inimigos de uma
boa saúde íntima", aconselha Betioli.
9
- Calcinha pendurada no banheiro.
Apesar
de ser bastante prático lavar a calcinha no banho e deixá-la pendurada no
banheiro, especialmente dentro do box, o hábito não é recomendado.
Prete
explica que, quando deixamos a calcinha no banheiro, estamos expondo a peça à
umidade, fazendo com que, consequentemente, fungos se acumulem no tecido;
afinal, o toalete está entre os cômodos mais úmidos da casa.
Outro
ponto levantado pela médica é a própria descarga. Isso porque, ao ser acionada,
faz com que bactérias se espalhem pelo ambiente, podendo, assim, contaminar o
tecido da calcinha.
10
- Longos períodos com biquínis molhados.
Tal
como deixar a calcinha secando no banheiro não é uma boa ideia por conta da
umidade e de bactérias, ficar com o biquíni molhado por um longo intervalo de
tempo também não é legal.
A
peça úmida em contato direto com a região vaginal contribui para a proliferação
de fungos, podendo causar candidíase. “Sempre que puder, ao sair da piscina ou
da praia, troque o biquíni molhado por peças secas, para preservar sua saúde
íntima”, aconselha a Prete.
A
importância do autoconhecimento.
Por
fim, Betioli afirma ser fundamental conhecer o seu próprio corpo, pois assim
será possível observar padrões e perceber quando algo não vai bem. “A saúde da
mulher como um todo ainda é rodeada de tabus, e é necessário desconstruir isso.
Não deixe de se consultar com uma ginecologista de confiança, fazer exames
regulares e acompanhar de perto a sua saúde íntima”, conclui a especialista.
Fontes: Mariana Betioli, fundadora da marca de coletores menstruais Inciclo, é obstetriz, especialista em gravidez, parto e maternidade; Evelyn Prete, ginecologista e obstetra, com especialização em Medicina Fetal em andamento.

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