FONTE: Chayenne Guerreiro, TRIBUNA DA BAHIA.
O Brasil tem o maior número de dentistas do mundo,
mas 62% dos nordestinos não vão.
Segundo
dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, divulgada pelo IBGE, existem
260 mil dentistas no país o que classifica o Brasil como o que possui mais
profissionais de saúde voltados para essa área no mundo. Mesmo assim, a mesma
pesquisa aponta que 55,6% dos brasileiros não costumam frequentar o dentista
anualmente. A recomendação é de que as consultas sejam semestrais.
No
Nordeste, os índices são ainda piores: 62,5% da população não vai ao
dentista. A PNS revelou ainda que, entre as pessoas com 18 anos ou mais, 11%
perderam todos os dentes; entre os brasileiros que estão acima dos 60 anos, o
índice é de 41,5%. “É algo cultural, de quando o próprio dentista não tinha o
conhecimento de como tratar aquele dente, então a resolução era: Vamos
arrancar. O grande problema é que as pessoas não dão valor a saúde bucal.
Muitos
quando vêem ao consultório falam que foram ao dentista somente quando crianças,
e eu sempre questiono: Você faz exame médico periódico? Eles sempre respondem
que fazem, ou seja, para as pessoas, dente não faz parte da saúde. Hoje em dia,
estamos tentando instruir as pessoas de que os dentes fazem parte da nossa
saúde. Elas precisam ter a consciência de que uma carie é uma doença que está
na boca, assim como qualquer outro órgão, e que problemas dentários, podem
levar a outros problemas de saúde. Se as pessoas não sentem dor, elas não vão
ao dentista,” explicou a dentista da clinica Hapvida, Rizia Souza.
Ainda
segundo Souza, o medo é algo que vem desde a infância e que ainda se faz
presente na vida de muitos adultos. “Outro fator que influencia, é o medo.
Antigamente era muito sofrido ir ao dentista, as técnicas de extração, de
anestesia, tudo envolvia muito sofrimento. Isso vem de
geração em geração que o dentista é terror, hoje ainda temos pacientes que vem
e sentam na cadeira se tremendo e as coisas mudaram completamente,” diz.
A
pesquisa ainda traz dados a respeito dos hábitos de escovação, 89,1% dos
entrevistados maiores de idade disseram que escovam os dentes pelo menos duas
vezes ao dia. E 67,4% consideram sua saúde bucal “boa ou muito boa”. A falta de
higiene dental pode resultar em sérios problemas, é o que alerta Rizia
Souza. “A principal doença que podemos adquirir é a endocardite bacteriana, uma
doença cardíaca que inicia-se por um problema periodontal. A nossa gengiva,
está cheia de vasos sanguíneos e nosso sangue passa por todos os cantos do
corpo, essa bactéria caindo na corrente sanguínea passeia pelo corpo e se
estabelece no coração. O paciente que tem um dente com infecção, sem tratar,
essa bactéria pode cair ali e causar uma infecção generalizada. Já tivemos
casos de morte por problemas dentários, de dentes sem tratar que resultaram em
uma infecção mortal. Pacientes diabéticos, podem ter um agravamento da doença
através de um problema periodontal,” conta.
Rizia
Solta ressalta a importância das consultas periódicas. “O importante é
ser colocado de uma forma em que as pessoas entendam que hoje em dia, tudo que
é feito com antecedência, com mais conforto, com mais facilidade. A carie ela
desenvolve, ela aumenta, se agrava e leva a conseqüências maiores. A consulta
periódica ao dentista vai impedir que isso aconteça, por que dente não dói de
imediato, ele começa apenas como um problema e quando vai doer, já esta no
extremo. Então que as pessoas comecem a procurar mais o dentista, mesmo que
seja apenas para uma limpeza. É nesse momento que o dentista pode identificar
algo precocemente e tratar logo ali,” conclui.
Uso de aparelhos ortodônticos exige cuidados
especiais.
O uso
de aparelhos ortodônticos para corrigir problemas na mordida durante o
crescimento, desenvolvimento e amadurecimento, é um importante aliado para quem
precisa ajustar a função mastigatória e quer ter um sorriso bonito. Entretanto
o uso do aparelho pode tornar a higiene bucal um pouco mais difícil e, caso não
seja realizada corretamente, aumenta ainda mais o risco de doença periodontal,
cáries e outros distúrbios na cavidade oral.
Uma
recente pesquisa encomendada pelo Instituto Datafolha1, em parceria com o
Conselho Federal de Odontologia, sobre saúde bucal mostrou que apenas 21% dos
brasileiros estão em alguma terapia dental, sendo que destes, 6% estão em
tratamento ortodôntico. Outro dado importante é que, mesmo em tratamento, 12%
dos jovens de 25 a 34 anos continuam com problemas bucais, como doenças
periodontais e de cunho ortodôntico.
“Notamos
um crescimento considerável, nos últimos anos, do número de pessoas que querem
se submeter a cuidados odontológicos, principalmente referentes ao uso de
aparelhos para corrigir imperfeições na mordida, melhorar a saúde bucal e ter
uma estética melhor. Porém o cuidado com a boca e os dentes não podem parar por
aí. A higiene bucal é essencial nesse processo”, explica o Dr. Victor Rogerio,
pós-graduado em Odontologia Estética e Reabilitação Dental e mestre em Ciências
Cirúrgica Interdisciplinares na UNIFESP.
Para
diminuir o risco das doenças bucais, que podem prejudicar ou interromper o
tratamento ortodôntico, nada mais eficaz do que fazer uso frequente e correto
do trio escova, fio dental e enxaguatório bucal. De acordo com a pesquisa, o
costume de usar fio dental, enxaguante bucal e escovar a língua são mais altos
entre os mais jovens – respectivamente, 66%, 58% e 93%.
O Dr. Victor Rogerio complementa: “Cuidados simples,
mas contínuos, na higiene oral podem evitar problemas bucais. A escovação, no
mínimo três vezes por dia, o uso do fio dental e de enxaguante bucal são alguns
deles e devem ser praticados por toda a família”.
No dia a dia, quando não há tempo para uma higienização completa, é indicado, ao menos, o uso do antisséptico bucal, mas isso não se deve tornar uma rotina, já que o fio dental e a escova de dentes são insubstituíveis. É importante que o produto contenha flúor – para ajudar no combate à cárie dentária – e seja sem álcool – para não agredir os tecidos orais. “Os bochechos ajudam a reduzir a placa bacteriana e o mau hálito, atuando em toda cavidade oral e dentes. Para que seja eficiente, recomendam-se bochechos de aproximadamente 30 segundos e após o uso do antisséptico, não enxágue a boca e não faça ingestão de bebida ou alimentos por pelo menos 30 minutos”, completa o especialista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário