quinta-feira, 10 de setembro de 2015

NORDESTINOS NÃO SE PREOCUPAM MUITO COM A SAÚDE BUCAL...

FONTE: Chayenne Guerreiro, TRIBUNA DA BAHIA.


O Brasil tem o maior número de dentistas do mundo, mas 62% dos nordestinos não vão.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, divulgada pelo IBGE, existem 260 mil dentistas no país o que classifica o Brasil como o que possui mais profissionais de saúde voltados para essa área no mundo. Mesmo assim, a mesma pesquisa aponta que 55,6% dos brasileiros não costumam frequentar o dentista anualmente. A recomendação é de que as consultas sejam semestrais.
No Nordeste, os índices são ainda piores:  62,5% da população não vai ao dentista. A PNS revelou ainda que, entre as pessoas com 18 anos ou mais, 11% perderam todos os dentes; entre os brasileiros que estão acima dos 60 anos, o índice é de 41,5%. “É algo cultural, de quando o próprio dentista não tinha o conhecimento de como tratar aquele dente, então a resolução era: Vamos arrancar. O grande problema é que as pessoas não dão valor a saúde bucal.
Muitos quando vêem ao consultório falam que foram ao dentista somente quando crianças, e eu sempre questiono: Você faz exame médico periódico? Eles sempre respondem que fazem, ou seja, para as pessoas, dente não faz parte da saúde. Hoje em dia, estamos tentando instruir as pessoas de que os dentes fazem parte da nossa saúde. Elas precisam ter a consciência de que uma carie é uma doença que está na boca, assim como qualquer outro órgão, e que problemas dentários, podem levar a outros problemas de saúde. Se as pessoas não sentem dor, elas não vão ao dentista,” explicou a dentista da clinica Hapvida, Rizia Souza.
Ainda segundo Souza, o medo é algo que vem desde a infância e que ainda se faz presente na vida de muitos adultos. “Outro fator que influencia, é o medo. Antigamente era muito sofrido ir ao dentista, as técnicas de extração, de anestesia, tudo envolvia muito sofrimento.     Isso vem de geração em geração que o dentista é terror, hoje ainda temos pacientes que vem e sentam na cadeira se tremendo e as coisas mudaram completamente,” diz.
A pesquisa ainda traz dados a respeito dos hábitos de escovação, 89,1% dos entrevistados maiores de idade disseram que escovam os dentes pelo menos duas vezes ao dia. E 67,4% consideram sua saúde bucal “boa ou muito boa”. A falta de higiene dental pode resultar em sérios problemas, é o que alerta  Rizia Souza. “A principal doença que podemos adquirir é a endocardite bacteriana, uma doença cardíaca que inicia-se por um problema periodontal. A nossa gengiva, está cheia de vasos sanguíneos e nosso sangue passa por todos os cantos do corpo, essa bactéria caindo na corrente sanguínea passeia pelo corpo e se estabelece no coração. O paciente que tem um dente com infecção, sem tratar, essa bactéria pode cair ali e causar uma infecção generalizada. Já tivemos casos de morte por problemas dentários, de dentes sem tratar que resultaram em uma infecção mortal. Pacientes diabéticos, podem ter um agravamento da doença através de um problema periodontal,” conta.
Rizia Solta  ressalta a importância das consultas periódicas. “O importante é ser colocado de uma forma em que as pessoas entendam que hoje em dia, tudo que é feito com antecedência, com mais conforto, com mais facilidade. A carie ela desenvolve, ela aumenta, se agrava e leva a conseqüências maiores. A consulta periódica ao dentista vai impedir que isso aconteça, por que dente não dói de imediato, ele começa apenas como um problema e quando vai doer, já esta no extremo. Então que as pessoas comecem a procurar mais o dentista, mesmo que seja apenas para uma limpeza. É nesse momento que o dentista pode identificar algo precocemente e tratar logo ali,” conclui. 

Uso de aparelhos ortodônticos exige cuidados especiais. 
O uso de aparelhos ortodônticos para corrigir problemas na mordida durante o crescimento, desenvolvimento e amadurecimento, é um importante aliado para quem precisa ajustar a função mastigatória e quer ter um sorriso bonito. Entretanto o uso do aparelho pode tornar a higiene bucal um pouco mais difícil e, caso não seja realizada corretamente, aumenta ainda mais o risco de doença periodontal, cáries e outros distúrbios na cavidade oral.
Uma recente pesquisa encomendada pelo Instituto Datafolha1, em parceria com o Conselho Federal de Odontologia, sobre saúde bucal mostrou que apenas 21% dos brasileiros estão em alguma terapia dental, sendo que destes, 6% estão em tratamento ortodôntico. Outro dado importante é que, mesmo em tratamento, 12% dos jovens de 25 a 34 anos continuam com problemas bucais, como doenças periodontais e de cunho ortodôntico.
 “Notamos um crescimento considerável, nos últimos anos, do número de pessoas que querem se submeter a cuidados odontológicos, principalmente referentes ao uso de aparelhos para corrigir imperfeições na mordida, melhorar a saúde bucal e ter uma estética melhor. Porém o cuidado com a boca e os dentes não podem parar por aí. A higiene bucal é essencial nesse processo”, explica o Dr. Victor Rogerio, pós-graduado em Odontologia Estética e Reabilitação Dental e mestre em Ciências Cirúrgica Interdisciplinares na UNIFESP.
 Para diminuir o risco das doenças bucais, que podem prejudicar ou interromper o tratamento ortodôntico, nada mais eficaz do que fazer uso frequente e correto do trio escova, fio dental e enxaguatório bucal. De acordo com a pesquisa, o costume de usar fio dental, enxaguante bucal e escovar a língua são mais altos entre os mais jovens – respectivamente, 66%, 58% e 93%.

 O Dr. Victor Rogerio complementa: “Cuidados simples, mas contínuos, na higiene oral podem evitar problemas bucais. A escovação, no mínimo três vezes por dia, o uso do fio dental e de enxaguante bucal são alguns deles e devem ser praticados por toda a família”.


No dia a dia, quando não há tempo para uma higienização completa, é indicado, ao menos, o uso do antisséptico bucal, mas isso não se deve tornar uma rotina, já que o fio dental e a escova de dentes são insubstituíveis. É importante que o produto contenha flúor – para ajudar no combate à cárie dentária – e seja sem álcool – para não agredir os tecidos orais. “Os bochechos ajudam a reduzir a placa bacteriana e o mau hálito, atuando em toda cavidade oral e dentes. Para que seja eficiente, recomendam-se bochechos de aproximadamente 30 segundos e após o uso do antisséptico, não enxágue a boca e não faça ingestão de bebida ou alimentos por pelo menos 30 minutos”, completa o especialista.

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