FONTE: CORREIO DA BAHIA.
“Mãe, eu quero a chupeta”, o pedido choroso de Isadora é
uma das frases mais ouvidas ao longo do dia. A filha da jornalista, Juliana
Silveira, tem dois anos e meio e só larga o bico quando chega na escola. “Ela
sabe que não pode usar o pipo durante a aula e o entrega antes mesmo de descer
do carro, mas em casa tem sido difícil tirar esse vício”, conta a jornalista
que também tem uma filha mais nova. Catarina, de apenas 9 meses, prefere o dedo
polegar como consolo.
“A Isadora passou a usar pipo depois que parou de mamar.
Já Catarina, desde os dois meses, adora chupar dedo. No começo a gente acha
bonitinho, mas eu sei que nos dois casos esse mal hábito traz consequências
para a dentição e fala da criança. É o que me preocupa”, confessa
Juliana.
E realmente, ela tem por que se preocupar. “Tanto a
chupeta quanto o dedo causam sérios problemas na articulações orofaciais, que
estão em formação. Se esse hábito for prolongado, certamente vai comprometer a
mastigação, a deglutição, a fala e, até mesmo, a respiração da criança”, alerta
Catarina Farah, odontopediatra do Hapvida Saúde.
E dos males, qual o menor? Segundo a especialista, a
chupeta. “O dedo faz uma pressão ainda maior no céu da boca, o que provoca o
afundamento acentuado do palato e a projeção dos dentes. Essa deformidade
diminui também a cavidade nasal, o que aumenta as chances de alergias
respiratórias”, acrescenta.
O tratamento ortodôntico costuma ser longo e estressante
para as crianças, então, quanto mais cedo os pais estimularem os filhos a
largar a chupeta ou dedo, melhor. Mas como fazer isso?
O costume de chupar dedo ou pipo é uma forma da criança
se confortar ou se sentir segura. Forçá-la a abrir mão desse objeto de desejo
pode gerar traumas. “ Se ela ainda está fixada na fase oral, isso pode
demonstrar que existe uma fragilidade emocional. O pais devem conversar com os
filhos carinhosamente, explicar de forma simples porque o pipo ou chupar dedo
faz mal. Ao mesmo tempo, demonstrando outras fontes de prazer divertidas como
forma de compensação”, aconselha a psicóloga do Hapvida Saúde, Carla Cristini
Oliveira.
Essa negociação exige ainda mais paciência se for o dedo
o centro das atenções. “Ele está disponível o tempo todo, o que exige ainda
mais sensibilidade por parte dos pais. Usar estratégias de distração, como um
filme ou um brinquedo, podem ajudar. Elogiar o progresso da criança também é
fundamental. Parabenize seu filho quando perceber que ele tem deixado de
recorrer ao dedo como de costume ou se esqueceu por um bom tempo a tão desejada
chupeta. O elogio é uma forma de incentivo”, indica a psicóloga. Ah, outro
conselho. O choro é inevitável nesse processo de desapego. Então, seja forte
para não ceder a chantagens. “Caso contrário, os pais é que vão ter que segurar
o choro”, conclui Carta Cristini.

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