FONTE: Camila Botto, TRIBUNA
DA BAHIA.
Publicada pelo Feminino e Além, site parceiro do
Tribuna da Bahia.
O sonho de muitas
mulheres atualmente é passar pela experiência de ser mãe, independente de
constituírem família, se vão casar ou não, isso independe até da opção sexual
da mulher.
De
fato, o funcionamento do organismo feminino é voltado para a gestação, pois,
todos os meses o corpo delas se prepara para a chegada de um óvulo fecundado ao
útero.
O que
muitas não sabem é a complexidade que envolve todo o processo de gravidez, que
não acaba após a mulher dar à luz ao bebê.
Todas
mulheres que engravidam estão sujeitas a desenvolverem uma doença chamada
depressão pós-parto, que é definida como um episódio depressivo não psicótico,
classificado assim sempre que iniciado nos primeiros doze meses após o parto.
Esse
tipo de depressão apresenta uma incidência no Brasil de até 20% dos casos após
o parto, mas este índice aumenta para cerca de 30 a 40% se considerarmos as
mulheres com perfil socioeconômico baixo e atendidas no SUS.
Os
achados da revisão feita por estes autores sugerem que a prevalência de
sintomas depressivos no pós-parto no Brasil encontra-se acima da média mundial
e próxima àquela encontrada em países similares do ponto de vista
socioeconômico.
A
manifestação clínica da doença é igual à das depressões em geral: a pessoa
sente uma tristeza muito grande de caráter prolongado, com perda de auto
estima, perda de motivação para a vida, é incapacitante, requerendo na maioria
das vezes o uso de antidepressivos.?
É
sabido que a depressão pós-parto acontece com mulheres de todas as idades,
classes sociais e de todos os níveis escolares. Ela pode ocorrer com mulheres
que desejam muito ter um filho, bem como com aquelas que não aceitam o fato de
ter engravidado.
Pode
ocasionar-se no nascimento do primeiro filho, do segundo, do terceiro ou de
outros. Os autores que estudam essa temática têm posições diversas sobre o
aparecimento da doença, pois a literatura disponível não apresenta uma
causa específica.
Apesar
disso, alguns fatores aumentam as chances do aparecimento da doença: ser a
primeira gestação, ser mãe solteira, conflitos e falta de apoio conjugal,
evento de vida estressante, como perda de emprego ou morte de familiar, falta
de apoio familiar e social, histórico pessoal ou familiar de doença psiquiátrica,
mas principalmente a existência de episódios depressivos anteriores e durante a
gravidez.
Complicações
obstétricas durante a gravidez ou imediatamente pós-parto, parto traumático,
parto múltiplo e prematuro, abortos anteriores, partos de natimorto ou síndrome
de morte súbita infantil, e a idealização da maternidade.
Para
diminuir a incidência dessa doença, existem alguns estudos voltados para o
pré-natal psicológico, um novo conceito em atendimento perinatal voltado para
maior humanização do processo gestacional, do parto e da parentalidade.
Um
estudo realizado em Brasília, favoreceu a integração da gestante e da família a
todo o processo de gravidez, por meio de encontros temáticos em grupo, com
ênfase psicoterápica na preparação psicológica para a maternidade e paternidade
e prevenção da depressão pós parto, ao final do estudo observou-se a diminuição
da incidência da doença.
A
gravidez é um momento especial na vida de qualquer mulher, mas, diante de
tantos métodos contraceptivos e com a facilidade de acesso à informação, o
momento de engravidar deve ser escolhido com muito cuidado, a família toda deve
estar preparada para isso, para dar a atenção e o suporte necessário à gestante
durante todo o processo.
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