terça-feira, 10 de maio de 2016

CERCA DE 20% DAS MULHERES TEM DEPRESSÃO PÓS-PARTO...

FONTE: Camila Botto, TRIBUNA DA BAHIA.

Publicada pelo Feminino e Além, site parceiro do Tribuna da Bahia.
O sonho de muitas mulheres atualmente é passar pela experiência de ser mãe, independente de constituírem família, se vão casar ou não, isso independe até da opção sexual da mulher.

De fato, o funcionamento do organismo feminino é voltado para a gestação, pois, todos os meses o corpo delas se prepara para a chegada de um óvulo fecundado ao útero.
O que muitas não sabem é a complexidade que envolve todo o processo de gravidez, que não acaba após a mulher dar à luz ao bebê.
Todas mulheres que engravidam estão sujeitas a desenvolverem uma doença chamada depressão pós-parto, que é definida como um episódio depressivo não psicótico, classificado assim sempre que iniciado nos primeiros doze meses após o parto.
Esse tipo de depressão apresenta uma incidência no Brasil de até 20% dos casos após o parto, mas este índice aumenta para cerca de 30 a 40% se considerarmos as mulheres com perfil socioeconômico baixo e atendidas no SUS.
Os achados da revisão feita por estes autores sugerem que a prevalência de sintomas depressivos no pós-parto no Brasil encontra-se acima da média mundial e próxima àquela encontrada em países similares do ponto de vista socioeconômico.
A manifestação clínica da doença é igual à das depressões em geral: a pessoa sente uma tristeza muito grande de caráter prolongado, com perda de auto estima, perda de motivação para a vida, é incapacitante, requerendo na maioria das vezes o uso de antidepressivos.?
É sabido que a depressão pós-parto acontece com mulheres de todas as idades, classes sociais e de todos os níveis escolares. Ela pode ocorrer com mulheres que desejam muito ter um filho, bem como com aquelas que não aceitam o fato de ter engravidado.
Pode ocasionar-se no nascimento do primeiro filho, do segundo, do terceiro ou de outros. Os autores que estudam essa temática têm posições diversas sobre o aparecimento da doença, pois a literatura disponível não apresenta uma causa específica.
Apesar disso, alguns fatores aumentam as chances do aparecimento da doença: ser a primeira gestação, ser mãe solteira, conflitos e falta de apoio conjugal, evento de vida estressante, como perda de emprego ou morte de familiar, falta de apoio familiar e social, histórico pessoal ou familiar de doença psiquiátrica, mas principalmente a existência de episódios depressivos anteriores e durante a gravidez.
Complicações obstétricas durante a gravidez ou imediatamente pós-parto, parto traumático, parto múltiplo e prematuro, abortos anteriores, partos de natimorto ou síndrome de morte súbita infantil, e a idealização da maternidade.
Para diminuir a incidência dessa doença, existem alguns estudos voltados para o pré-natal psicológico, um novo conceito em atendimento perinatal voltado para maior humanização do processo gestacional, do parto e da parentalidade.
Um estudo realizado em Brasília, favoreceu a integração da gestante e da família a todo o processo de gravidez, por meio de encontros temáticos em grupo, com ênfase psicoterápica na preparação psicológica para a maternidade e paternidade e prevenção da depressão pós parto, ao final do estudo observou-se a diminuição da incidência da doença.

A gravidez é um momento especial na vida de qualquer mulher, mas, diante de tantos métodos contraceptivos e com a facilidade de acesso à informação, o momento de engravidar deve ser escolhido com muito cuidado, a família toda deve estar preparada para isso, para dar a atenção e o suporte necessário à gestante durante todo o processo.

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