Já é possível encontrar no mercado uma Coca-Cola
diferente. O novo produto — que está em 25 países — faz parte de uma
estratégia da empresa para disponibilizar itens com menor teor de açúcar. Por
isso, a bebida apresenta uma redução de 50% desse ingrediente. Também conta com
o adoçante estévia, retirado de uma planta chamada Stevia rebaudiana. Ela seria
uma opção principalmente para aquelas pessoas que não se adaptam à versão zero
açúcar, produzida somente com adoçantes.
Segundo a nutricionista Mariana Del Bosco, de São Paulo,
o lançamento desse tipo de produto vai de encontro com as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) para a diminuição do consumo de açúcar. Em
2002, a entidade estipulou que a substância não deveria representar mais de 10%
do total de energia de uma dieta. Já em 2015, ao rever as diretrizes, a OMS
cravou: o ideal é que não mais do que 5% das calorias diárias venham de
açúcares (o correspondente a 25 gramas ou seis colheres de chá).
Já há associação, com forte nível de evidência, entre
essa substância e um aumento da ingestão calórica, uma menor procura por
alimentos nutritivos e um maior risco de desenvolver doenças crônicas, como
obesidade, diabete e problemas cardiovasculares.
Mariana
Del Bosco, nutricionista.
Esse lançamento da Coca-Cola, porém, não tem passe livre
à mesa, dizem os experts. “Por ainda conter açúcar, não deve fazer parte do dia
a dia. O melhor seria consumir com moderação aos finais de semana”, avalia a
nutricionista Renata Bressan, da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade
e da Síndrome Metabólica (Abeso). Até porque, mesmo se considerarmos a
recomendação mais antiga da OMS, uma mulher que faça atividade física moderada
e tenha um gasto de 1 600 calorias por dia não pode ingerir mais do que 40
gramas de açúcar. E uma lata de 350 mililitros dessa nova Coca já fornece 18
gramas. A versão regular, vale ressaltar, concentra 34 gramas.
Sobre o tipo de adoçante, a endocrinologista Cecília
Amabilini, da Clínica Halpern, na capital paulista, comenta que, de acordo com
evidências atuais, todos eles são seguros para o público em geral (veja o
limite de ingestão diária para vários deles clicando aqui). “As grávidas, no entanto, não devem usar ciclamato nem
sacarina. E o aspartame é contraindicado para os pacientes fenilcetonúricos”,
avisa. Na verdade, com exceção desses casos, a troca de um adoçante por
outro seria mais uma questão de preferência mesmo. Segundo Mariana, por ser
derivada de uma planta, a tal da estévia tende a ser vista com bons olhos por
quem busca uma alimentação mais natural. “Mas algumas pessoas podem não se
adaptar ao seu sabor, já que deixa um sabor residual amargo”, lembra Renata.


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