FONTE: *** Jairo Bouer (doutorjairo.blogosfera.uol.com.br).
Um estudo mostra que
jovens que passam o dia todo nas mídias sociais têm um risco 2,6 vezes maior de
relatar transtornos alimentares e preocupação excessiva com a imagem corporal
em comparação com quem passa pouco tempo nesse tipo de site.
O trabalho contou com
1.765 norte-americanos de 19 a 32 anos, que responderam a questões sobre
frequência de uso de plataformas como Facebook, YouTube, Twitter, Instagram,
Snapchat e Pinterest, entre outros. Fatores como sexo, idade específica, gênero
e renda não influenciaram a associação, ou seja, todos os grupos foram
igualmente afetados.
A pesquisa, publicada
no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, foi financiada
pelo Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos.
A equipe do Centro
Pitt para Pesquisas em Mídia, Tecnologia e Saúde, que conduziu o trabalho,
explica que a relação entre transtornos alimentares e a mídia tradicional, como
revistas e televisão, já é conhecida há muito tempo. Já as redes sociais, além
de replicar o conteúdo de outras mídias, ainda permitem a interação dos
usuários, o que reúne interesses em comum e ajuda a propagar estereótipos que
interferem na autoimagem.
Transtornos
alimentares como anorexia nervosa, bulimia, comer compulsivo e vigorexia (a
obsessão por músculos) afetam desproporcionalmente adolescentes e jovens
adultos, o público mais ativo nas redes sociais. Os autores esclarecem, no
entanto, que não dá para saber se o uso exagerado das plataformas é causa ou
consequência da preocupação excessiva com o corpo. Pode ser, ainda, que seja as
duas coisas.
Pesquisas anteriores
já mostraram que as pessoas tendem a postar apenas imagens em que aparecem mais
magras, o que ajuda a alimentar uma expectativa irreal dos outros em relação à
aparência.
Os autores observam
que, apesar de certas iniciativas positivas dos provedores de serviços, como o
fato de o Instagram ter proibido a hashtag “Thinspiration” (mistura das
palavras “inspiração” e “magra”), usuários criam estratégias para continuar com
o conceito, como modificar a grafia. Os vídeos no YouTube classificados como
“pró-anorexia” também continuam gerando mais audiência do que o material que se
destina a alertar sobre os riscos desse transtorno, que em alguns casos pode
matar.
Jairo Bouer é médico formado
pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência em
psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. A partir do seu trabalho no
Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP (Prosex), passou a focar
seu trabalho no estudo da sexualidade humana. Hoje é referência no Brasil, para
o grande público, quando o assunto é saúde e comportamento jovem, atendendo a
dúvidas através de diferentes meios de comunicação.
Sobre o blog.
Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões
sobre saúde, sexo e comportamento.



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