FONTE: Daniela Carasco, do UOL, em São Paulo, (http://estilo.uol.com.br).
Os caminhos para chegar ao orgasmo feminino ainda são misteriosos
para muita gente. A pesquisa Mosaico 2.0, que mapeou o comportamento sexual dos
brasileiros, constatou que 55% das mulheres ainda enfrentam dificuldades de
atingi-lo. Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, do Programa de Estudos em
Sexualidade da USP, os obstáculos são primordialmente psicológicos. Notícia
boa: todos são contornáveis!
Conheça cada um delas:
1. Achar que orgasmo depende só
da penetração.
Carmita conta que só um 1/3 das mulheres chega a
orgasmo com penetração, outro 1/3 o alcança por meio do clitóris e o restante
nem consegue atingi-lo. Quem faz parte do último grupo, deve, segundo a
especialista, considerar três razões primordiais: falta de repertório sexual,
penetração precoce e descuido nas preliminares –parte fundamental do processo.
2. Preocupação exagerada.
Entrar no sexo muito preocupada com o orgasmo
prejudica. “Ele é só a terceira fase do ciclo de resposta sexual. Antes, tem o
desejo e excitação”, conta a psicóloga e sexóloga Priscila Junqueira, de
Campinas. “Se as duas primeiras etapas não forem bem executadas e curtidas,
haverá prejuízo na resposta final, quando corpo e mente precisam entrar em
repouso.”
3. Obrigação do ritual.
Transar não é como um jogo de tabuleiro cheio de
estratégias a serem cumpridas. Se a interação for mecânica e marcada por
exigências, o orgasmo certamente ficará comprometido. Relaxar é a exigência
número um para gozar. Deixe as regras para outras ocasiões.
4. Desconhecer o próprio corpo.
Cada corpo tem seu próprio mapa do prazer. E a
melhor forma de descobri-lo é experimentando. Para Priscila, é fundamental
conhecer suas zonas erógenas. Descubra o que lhe excita e crie suas fantasias.
Esse conjunto de fatores dá autonomia, tira a responsabilidade do parceiro e,
consequentemente, aumenta a excitação --prato cheio para o orgasmo. Toque seu
corpo, explore a vulva e use brinquedinhos
eróticos.
5. Aversão à masturbação.
Ainda segundo dados da Mosaico 2.0, 40% das
mulheres brasileiras não têm o hábito de se masturbar. Carmita conta que, até
os anos 1970, a masturbação era considerada suja e doentia. O que os
especialistas fazem questão de reforçar é que é uma prática extremamente
saudável para a vida sexual e a primeira etapa do prazer, antes da descoberta
com o parceiro.
6. Insegurança corporal.
O desagrado
quanto ao próprio corpo ainda é um empecilho para se entregar ao prazer sexual. Por se acharem
feias, fora de forma e até sujas, mulheres deixam a baixa autoestima afetar a
performance. E aí não há como se sentir confortável com as carícias. Mais do
que genital, o orgasmo é uma questão emocional. Procure ajuda!
7. Depressão.
Carmita destaca que a condição depressiva anula o
entusiasmo, desejo, agilidade sexual e ritmo. E antidepressivos potencializam
esse efeito, já que atuam diretamente no retardo da libido. Parar de tomá-los
sem que a doença tenha sido curada não é o caminho. O ideal é focar no
tratamento para que, ao final, o orgasmo naturalmente chegue. Uma etapa de cada
vez!
8. Ansiedade.
Se o relaxamento é o potencializador do orgasmo,
uma pessoa ansiosa terá dificuldade de gozar. Preocupação com o ato, pressão
para dar prazer ao outro, medo de decepcionar, desconforto e falta de
intimidade são alguns agravantes da ansiedade na hora do sexo. Se a situação é
recorrente, procure ajuda de um especialista.
9. Cansaço.
Colocar o sexo na lista de tarefas obrigatórias,
assim como tratá-lo como última atividade do dia depois de uma rotina cansativa
de trabalho, detona o estímulo ao orgasmo. Se transar for só uma tarefa a mais
da sua agenda diária, repense. Ele certamente não te levará ao clímax.
10. Traumas sexuais.
Mulheres que já foram vítimas
de violência, abuso e
assédio podem sofrer com a inibição da sexualidade de forma geral. E isso
naturalmente comprometerá o orgasmo. “Em alguns casos, elas não chegaram
necessariamente a se darem conta da agressão no momento em que ela aconteceu,
mas carregam lembranças inconscientes que interferem no prazer”, explica
Carmita. Nesses casos, é imprescindível o acompanhamento psicológico para
superar traumas e voltar a ter uma vida sexual satisfatória.

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