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Consumo de alimentos doces pode não ser o vilão da dieta.
Em algum momento da vida, você vai se deparar com essa questão: açúcar
ou adoçante? A resposta pode estar associada a um estilo de vida ou a uma
escolha sem critério - o que a longo prazo pode provocar efeitos
colaterais. O CORREIO procurou nutricionistas e médicos para explicar a
diferença entre os dois produtos e indicar a melhor opção para cada situação.
Os açúcares são fontes importantes de nutrientes e não devem ser excluídos totalmente das dietas. Seja em grãos ou na forma líquida, comprados no mercado, são produtos processados e, quando consumidos em excesso, podem levar à obesidade e outras complicações.
Os açúcares são fontes importantes de nutrientes e não devem ser excluídos totalmente das dietas. Seja em grãos ou na forma líquida, comprados no mercado, são produtos processados e, quando consumidos em excesso, podem levar à obesidade e outras complicações.
Os especialistas concordam em um ponto: o ideal é fazer uma reeducação
alimentar para diminuir o desejo de comer doces. “O ideal é ir tirando o sabor
doce da sua vida, adoçando menos os alimentos”, explica a endocrinologista
Paula Velasco. Com a reeducação é possível até parar de consumir o açúcar ou o
adoçante ficando apenas com aqueles encontrados em produtos naturais, como as
frutas.
E
atenção: aquela vontade de comer alimento doce pode ser mesmo um vício.
“Hoje em dia tem se discutido isso amplamente. Nosso cérebro se vicia em
açúcar, principalmente na primeira infância. O recomendado é que nenhum açúcar
seja dado para as crianças até os 2 anos, só o dos alimentos naturais. Porque o
paladar das crianças é muito aberto ao doce, e é nos primeiros anos de vida que
se vicia em açúcar. Além disso, você previne doenças como obesidade,
hipertensão e diabetes”, explica a endocrinologista.
A
data de 11 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Obesidade. Entre as
principais causas que contribuem para prevalência da doença estão o consumo de
alimentos processados, incluindo açúcares, estresse e falta de atividade
física.
O cérebro se vicia em açúcar,
principalmente na primeira infância. Nenhum açúcar deve ser dado para crianças
até 2 anos, explica a endocrinologista Paula Velasco.
Açúcares.
Os mais comuns tipos de açúcares são refinado, cristal, mascavo e demerara - além do ‘emergente’ açúcar de coco. O refinado - mais claro e fino - é o mais modificado e menos nutritivo. Ele passa por processo industrial, que adiciona componentes químicos. O mais indicado por três nutricionistas ouvidos pelo CORREIO é o açúcar de coco, que se tornou popular por promover um baixo índice glicêmico - ou seja, quando as moléculas são quebradas de maneira mais lenta pelo organismo.
Os mais comuns tipos de açúcares são refinado, cristal, mascavo e demerara - além do ‘emergente’ açúcar de coco. O refinado - mais claro e fino - é o mais modificado e menos nutritivo. Ele passa por processo industrial, que adiciona componentes químicos. O mais indicado por três nutricionistas ouvidos pelo CORREIO é o açúcar de coco, que se tornou popular por promover um baixo índice glicêmico - ou seja, quando as moléculas são quebradas de maneira mais lenta pelo organismo.
O
problema é o preço: 350 gramas pode chegar até a R$ 32. Como nem todo mundo tá
disposto a pagar quase R$ 100 num quilo de açúcar, o melhor é investir no
demerara - por passar por menos processos de refinamento, ter também baixo
índice glicêmico e ser mais em conta. O quilo pode ser encontrado por R$ 6 nos
mercados. “Mas é sempre importante lembrar que ele não deixa de ser açúcar e,
por isso, não deixa de estimular um pico de insulina, da mesma forma”, explica
a nutricionista Camila Berbert.
Já
o mascavo é obtido diretamente do caldo de cana recém-extraído, passa por um
refinamento leve e não recebe nenhum aditivo químico. Por isso, é o preferido
pela nutricionista Fernanda Orichio. Para ela, a escolha dos colegas de
profissão pelo demerara é o risco de dejetos de insetos no mascavo - por conta
de sua forma de obtenção. O quilo chega a custar R$ 15.
Mas,
cuidado: para além do índice glicêmico, os açúcares possuem calorias. “O
problema do açúcar também é a caloria. Em excesso, pode engordar. Coisa que não
se tem nos adoçantes”, explicou a nutricionista Camila Calfa.
A
nutricionista Íçara Santos, de 27 anos, opta pelo uso do açúcar demerara há
três anos. “O que aprendi é que o adoçante é específico para quem tem diabetes.
Tentei diminuir o uso açúcar e só tenho o demerara na minha casa. Ainda não
consegui retirá-lo totalmente da minha dieta. Fora de casa é mais complicado.
Quando não tem, eu acabo usando o branco mesmo”, conta.
A
endocrinologista Paula Velasco explica que todo açúcar tem os mesmos efeitos -
seja de coco, mascavo ou refinado. “Eles aumentam o índice glicêmico e a
insulina, o que ajuda no ganho de peso. O melhor em usar os menos processados é
porque eles levam menos produtos químicos para ‘branquear’. Mas todos são açúcar
do mesmo jeito e devem ser usados com moderação”, conclui.
Adoçantes.
Eles surgiram como alternativa para a ingestão do açúcar - e com menos calorias. Mas a indicação dos adoçantes ainda não é consenso, principalmente por conta da quantidade de “gotas” - quando utilizada de forma indiscriminada. O poder desses líquidos é 100 a 500 vezes maior do que o açúcar.
Eles surgiram como alternativa para a ingestão do açúcar - e com menos calorias. Mas a indicação dos adoçantes ainda não é consenso, principalmente por conta da quantidade de “gotas” - quando utilizada de forma indiscriminada. O poder desses líquidos é 100 a 500 vezes maior do que o açúcar.
“Não
adianta colocar 10 gotas no café. Você vai continuar estimulando o paladar pelo
doce e a quantidade ingerida vai aumentar a velocidade de absorção da glicose”,
explica Camila Calfa.
Os
adoçantes mais comuns são aspartame e sacarina (à base de petróleo), sucralose
(da cana-de-açúcar), stevia (da planta Stévia Rebaudiana) e xilitol
(encontrados nas fibras de vegetais). Para preparar alimentos que vão ao forno,
os menos indicados são a sucralose, que libera toxina em altas temperaturas, e
o aspartame, que perde suas proteínas quando aquecido.
Os
tipos mais comercializados no Brasil eram à base da sacarina e do aspartame. No
entanto, houve uma mobilização no sentido de informar que, a longo prazo, os
produtos poderiam causar câncer. Com isso, os nutricionistas indicam sempre
adoçantes naturais, principalmente o xilitol que, por ser caro, acaba sendo
menos utilizado, e o stevia.
“Com
os adoçantes, de maneira geral, quando é utilizado de forma crônica, o
organismo responde como se fosse absorver uma grande quantidade de carboidrato
e, com isso, ele acelera a ingestão de outros carboidratos, o que não é legal”,
explica a nutricionista Camila Berbert.
O
Ministério da Saúde indica o uso de adoçantes apenas como parte do tratamento
em diabéticos, em pessoas com excesso de peso ou os que estão tentando
controlar o ganho. “O consumo dos adoçantes deve ser feitos por pessoas que
querem perder peso. Diferente do açúcar. Para pessoas magras e que praticam
atividade física intensa, pode até ser benéfico”, explica o endocrinologista
Durval Sobreiro.
O
estudante de educação física Jairo Pereira, 31, consome adoçante naturais e
conta que, com a reeducação alimentar, o açúcar passou a ficar em escanteio.
*** Colaborou Raquel Saraiva.





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