Uma
garota de 16 anos chegou à emergência de um hospital no Texas, nos Estados Unidos, com um colapso pulmonar e outras duas condições agravantes após gritar
muito no show da boyband britânica One Direction.
O caso incomum, que foi objeto de um estudo divulgado na última semana no periódico The Journal of Emergency Medicine, impressionou os
médicos devido à gravidade e ao fato de que a jovem não tinha histórico de
problemas pulmonares. É o primeiro registro de um episódio semelhante na
literatura médica.
A
menina apresentava grande falta de ar, mas não sentia dor ou outros sintomas.
Os médicos também afirmaram que a jovem não tinha dificuldade respiratória e
que não notaram nenhum ruído anormal enquanto ela respirava. Um exame físico,
porém, revelou uma pista de qual poderia ser o problema – era possível ouvir um
som “crocante” ao pressionar os dedos contra o pescoço e o peito da jovem. Este
sintoma é chamado de enfisema subcutâneo e ocorre quando o ar respirado vai
para dentro do tecido que fica logo abaixo da pele. Quando você pressiona, as
bolhas de ar são estouradas, causando esse som característico.
Um
raio-X confirmou a existência de enfisema subcutâneo no espaço entre a faringe
e o pescoço, além das cavidades no peito. Também era possível observar um
colapso pulmonar, que ocorre quando o ar fica preso no espaço entre as paredes
da região peitoral e o próprio pulmão, geralmente após atividades como
levantamento de peso intenso ou mergulho. Essas observações levaram a três
diagnósticos diferentes, sendo que, segundo os médicos, as três condições já
são difíceis de serem observadas em consultório isoladamente. “A combinação
desses três diagnósticos nunca havia sido descrita na literatura médica”,
escrevem os autores no estudo.
Caso incomum.
O
mistério de como a jovem conseguiu desenvolver as três condições
simultaneamente, no entanto, persistia. Os especialistas realizaram uma
tomografia computadorizada para investigar se havia algum buraco no trato
respiratório que pudesse ter permitido a passagem do ar para essas regiões
incomuns, mas nenhum sinal foi encontrado. Como o paciente tinha diabetes tipo
1, os médicos pensaram que outra possibilidade seria uma ruptura no trato
respiratório, causada pelas respirações profundas que pessoas com essa condição
podem apresentar quando o açúcar no sangue for muito alto e provoca cetoacidose
(estado que ocorre quando o sangue fica muito ácido). Porém, testes de açúcar
no sangue revelaram que a menina não tinha cetoacidose.
A
principal suspeita, então, é que a jovem tenha um orifício muito pequeno em
algum lugar do trato respiratório que só se abre quando uma força muito grande
é aplicada (como gritar excessivamente no show de sua banda favorita) e depois
se fecha quando o esforço chega ao fim. Os médicos, no entanto, não puderam
verificar com certeza essa hipótese – mas, considerando que as causas mais
graves foram eliminadas, o diagnóstico de exclusão não deve representar uma
ameaça à vida da garota.
O
tratamento para colapsos de pulmão leves, como o que a jovem americana
apresentou, geralmente consiste em um período de observação no hospital e
fornecimento de oxigênio extra para ajudar órgão a se recuperar. A jovem pode
voltar para casa já no dia seguinte. “Após um período de observação sem
intercorrências com um estudo de radiografia de tórax repetido e sem
alterações, o paciente foi dispensado no dia seguinte sem mais visitas para
este problema”, observou a equipe no relatório.


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