É fato que este tipo de
prática é incomum em nosso país.
Por Wilson
Galvão - Coordenador da Assessoria de Geografia, Tempo Integral e Livros
Escolares do Sistema Positivo de Ensino.
No Brasil, esse tema
pode se revestir de polêmica e causar divergências de opinião entre aqueles que
defenderiam, incentivariam, ou até se colocariam contrários a essa prática por
diversas razões.
É fato que este tipo de
prática é incomum em nosso país. No entanto, em alguns países asiáticos, como
no Japão e na Coreia do Sul, é normal que os alunos cuidem da limpeza das áreas
de uso comum, inclusive banheiros, da escola onde estudam.
Em visita a uma
instituição de Ensino Médio (chamada de High School) localizada em Incheon (uma
cidade próxima a Seul), na Coreia, presenciei tal cena.
É muito interessante de
observar. Bate o sinal do término de uma aula e surgem grupos organizados de
estudantes que se dividem para limpar e organizar a escola. Alguns alunos
limpam os corredores, outros a biblioteca, escadarias, banheiros. E fica tudo
muito bem limpo. Aliás, é na escola onde eles aprendem a fazer limpeza, faxina
e outros afazeres domésticos.
No Brasil, alguns
grupos de torcedores asiáticos chamaram muita atenção porque, ao final de uma
partida de futebol, se colocaram a limpar a arquibancada e recolher o lixo do
estádio onde tinham acabado de torcer pelo seu país na Copa do Mundo. Isso foi
notícia e muita gente elogiou e achou bonita a atitude.
O que poucos se
questionaram foi qual a origem ou a razão deste comportamento incomum no
Brasil. Não há dúvidas de que essa cultura é fruto da educação que receberam na
escola.
Essa prática no Brasil
poderia produzir efeitos benéficos sob vários aspectos. O primeiro diz respeito
ao cuidado, ao zelo com o ambiente da escola. Além disso, os alunos aprenderiam
a valorizar e entender o trabalho de pessoas que realizam essa atividade e,
muitas vezes, tornam-se invisíveis no dia-a-dia – e, infelizmente, às vezes
sofrem desrespeito e humilhações.
Situações e práticas que
envolvam os alunos no cuidado com o ambiente escolar podem corroborar para a
construção de uma relação de pertencimento, responsabilidade, afetividade e de
identidade para com o espaço da escola. Esse espaço se transforma num lugar de
valor e propicia uma formação de um cidadão que irá cuidar e ser responsável
pelos mais diversos ambientes e espaços públicos.
Ao assistir os alunos
cuidando da limpeza de sua escola é impossível não relacionar essa prática ao
respeito e cuidado que a população coreana tem pelos espaços compartilhados e
públicos. Ao caminharmos pelas ruas, metrô, praças ou monumentos em grandes
cidades do país, como Seul, é impossível ficar indiferente, pois esses espaços
são impecavelmente limpos, bem cuidados e organizados.
Num momento em que é
cada vez mais comum viralizar nas redes sociais vídeos que mostram situações de
violência e depredação no espaço escolar, não seria oportuno refletir sobre
estratégias para adaptar para realidade brasileira e implementar boas práticas
como as observadas nas escolas coreanas?


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