O “sexting” tornou-se
algo comum para alguns adolescentes, mas não todos. Pelo menos por enquanto. Um
estudo norte-americano mostra que a prática não atingiu níveis epidêmicos, como
muita gente acredita, mas também não recuou nem um pouco nos últimos anos,
apesar do esforço de prevenção por parte de pais, educadores e profissionais de
saúde naquele país.
Embora a principal
motivação para o envio de fotos ou vídeos de nudez ou sexo seja conquistar ou
agradar um parceiro romântico que parece confiável, casos de imagens que vazam
indevidamente têm vindo à tona com cada vez mais frequência. Histórias desse
tipo muitas vezes se tornam uma tragédia na vida do adolescente ou de seus
familiares.
Um estudo de
pesquisadores das Universidades da Flórida e de Wisconsin traz novas taxas de
prevalência do “sexting” em uma amostra nacionalmente representativa de 5.593
estudantes de 12 a 17 anos. Eles consideraram apenas imagens e vídeos
sexualmente explícitos, que têm maior potencial de danos ao adolescente do que
textos.
Os resultados,
publicados na revista Archives of Sexual Behavior, mostram que 14%
dos adolescentes já receberam esse tipo de material de um namorado ou namorada,
enquanto 13,6% disseram ter recebido o conteúdo de alguém que não era um
parceiro estável. Cerca de 11% dos estudantes relataram ter enviado um “sext”
para um namorado ou namorada.
A maioria (64%) dos
estudantes que receberam pedido para enviar esse tipo de conteúdo consentiu.
Entre os jovens que foram solicitados a enviar um “sext” por alguém que não era
um parceiro estável, apenas 43% concordaram em mandar.
Os garotos foram
significativamente mais propensos a enviar e receber “sext” de um parceiro ou
parceira estável. Mas eles e elas foram igualmente propensos a receber material
explícito de não namorados (as). As garotas foram mais propensas a receberem
pedidos de envio de parceiros que não eram estáveis, mas apenas 34% toparam.
Como esperado, os
jovens mais velhos foram mais propensos a enviar e receber “sexts”. Alunos que
se identificam como não heterossexuais também apresentaram uma tendência um
pouco maior a se envolver em “sexting” de alguma maneira.
Com relação à
frequência, cerca de um terço dos alunos que enviaram ou receberam mensagens
explícitas relataram ter feito isso apenas uma vez. A maioria respondeu
“algumas vezes” e menos de 2% disseram ter enviado “sexts” diversas vezes na
vida.
Cerca de 4% dos
estudantes admitiram já ter compartilhado uma imagem explícita enviada a eles
por outra pessoa sem a permissão dela. O mesmo número de entrevistados
acreditava que uma imagem deles já tinha sido compartilhada sem permissão.
Os resultados são mais
modestos que os de estudos anteriores, com amostras menores de jovens, o que
pode ser considerado uma boa notícia. Os pesquisadores acreditam que mostrar
aos adolescentes que a prática não é uma regra nessa fase da vida pode inibir a
tendência de aderir ao “sexting” apenas porque “todo mundo faz”. Se colocar em risco
só para agradar os outros é uma grande roubada.


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