Madri,
12 ago (EFE).- Um novo estudo sugere que mulheres com
câncer de mama e com caraterísticas específicas em certas áreas do genoma
teriam vivido mais tempo se tivessem tomado aspirina antes que de serem
diagnosticadas com a doença.
Os resultados desta
pesquisa, realizada com dados de 1.266 mulheres, foram publicados na revista
"Cancer", da Sociedade Americana do Câncer, e seus responsáveis
destacaram, no entanto, a necessidade de realizar mais estudos sobre o possível
potencial da aspirina para prevenir ou tratar câncer de mama em algumas
pacientes.
Estudos anteriores já
tinham relacionado a aspirina e o câncer de mama e demonstrado que algumas
mulheres que utilizam este remédio e que posteriormente são diagnosticadas com
a doença vivem mais, o que pode estar relacionado com os efeitos
anti-inflamatórios do fármaco.
No entanto, estes
estudos também tinham constatado que uma proporção de usuárias de aspirina com
câncer de mama parecia correr um maior risco de mortalidade.
A explicação desta
diferença poderia estar, segundo este novo estudo, na metilação do DNA dos
genes dos tumores ou do sangue periférico.
A metilação é um
processo que dirige quando e como são ativados e desativados os genes que
controlam o desenvolvimento do organismo e que pode ser afetada por causas
ambientais.
Esta é essencial no
desenvolvimento e no envelhecimento de um organismo e, portanto, desempenha um
papel crucial em várias doenças e na progressão de praticamente todos os tipos
de câncer.
Os pesquisadores da
Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, questionaram se a
metilação do DNA poderia influenciar nos efeitos da aspirina em pacientes com
câncer de mama.
Para isso, a equipe
examinou a metilação do DNA em tecidos de tumores de mama, incluídas partes do
DNA que controlam a expressão de 13 genes vinculados ao câncer de mama, e
também nas células que circulam no sangue das pacientes.
Foi examinado o
histórico de 1.266 mulheres diagnosticadas com câncer de mama no período 1996-1997.
Destas, 476 faleceram
por diversas causas e 202 especificamente por câncer de mama no final de 2014,
explicaram os pesquisadores em uma nota de imprensa.
Nas mulheres que usaram
aspirina, o risco de morrer por qualquer causa e o risco de morrer de câncer de
mama foi menor entre aquelas cujo DNA não estava metilado - modificado - na
região que controlava a expressão do gene BRCA1, um gene relacionado com o
câncer de mama.
Portanto, segundo os
autores, o perfil de metilação do DNA poderia ajudar a identificar pacientes
que poderiam se beneficiar da aspirina, embora advertem que é preciso seguir
investigando.
Além de conhecer melhor
os mecanismos biológicos subjacentes do uso da aspirina no câncer, esta
pesquisa, "se for confirmada", poderia impactar na tomada de decisões
clínicas ao identificar um subgrupo de pacientes usando marcadores epigenéticos
- influenciados pelo ambiente.
A metilação do DNA
poderia ajudar no futuro a identificar mulheres para as quais o tratamento pode
ou não ter êxito, resumiram os autores.
EFE.

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