Todo mundo sabe bem que dirigir ou operar máquinas alcoolizado é
perigoso, mas nem todo mundo leva a sério a recomendação dos médicos para que
as pessoas evitem fazer o mesmo de ressaca. Porém, cada vez mais estudos têm
confirmado os prejuízos do álcool ao cérebro também no dia seguinte à
bebedeira.
Uma pesquisa publicada esta semana por pesquisadores da Universidade de
Tecnologia Swinburne, na Austrália, esclarece por que a ressaca pode causar
tantos problemas. Com ajuda de exames e testes cognitivos em pessoas que haviam
bebido quantidades diferentes de álcool, eles descobriram que, no dia seguinte,
os usuários ainda apresentavam atividade cerebral e memória reduzidas.
O experimento foi realizado com mais de 100 pessoas, que apresentavam
graus diversos de ressaca. Quanto maior a quantidade de álcool consumida na
noite anterior, maiores eram os sintomas de mal-estar e pior era o desempenho
dos participantes dos testes de atenção e memória.
Os autores do trabalho, publicado no periódico The National
Centre for Biotechnology, esperam que os resultados sirvam de alerta para
que as pessoas compreendam que as limitações continuam no dia seguinte a uma
bebedeira, mesmo depois que o álcool já saiu do sangue.
Os dados comprovam o que muitos especialistas já sabiam – a habilidade de
dirigir ou realizar qualquer atividade que exija maior atenção piora muito
depois que alguém bebe, e a melhora não vem rápido, nem mesmo com horas de sono
e um bom café.
No ano passado, divulguei os resultados de uma pesquisa feita por médicos
do Hospital Infantil da Universidade de Michigan, nos EUA, sobre os riscos de
se tomar conta de criança durante a ressaca. Entre os mais de 1.100 pais e mães
entrevistados, quase 30% se lembrava de alguma situação arriscada enfrentada
pelos filhos porque algum cuidador ou motorista havia bebido. E, apesar de a
maioria dizer que se planejava antes de consumir álcool em festas com crianças
presentes, muito poucos se organizavam para não pegar o carro no dia seguinte.


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