sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MÃOS MARCADAS...

      

Senhor!
Quando me deres

O privilégio do renascimento

No berçário do mundo, ante as necessidades que apresento

E aquelas que não vejo,

Eis, Senhor, o desejo

Em que dia por dia me aprofundo:

Deixa-me renascer em qualquer parte,

Entretanto, que eu possa acompanhar-te

Onde constantemente continuas

Trabalhando e servindo em todas as estradas

Para que eu também tenha as mãos marcadas

Como trazes as tuas...

Quanta ilusão quando me debatia

Crendo que o desespero fosse prece,

A rogar-te alegria e esperança

Sem que nada fizesse!

Imitava na Terra o lavrador

A temer a pedra e lama, vento e bruma,

Aguardando milagres de colheita

Sem plantar coisa alguma.

Entretanto, Senhor, agora sei

Que o trabalho é divino compromisso,

Estímulo do Céu guiando-nos os passos

E que, atendendo à semelhante lei

Puseste ambas as mãos em nossos braços

Por estrelas de amor e de serviço.

Assim, quando efetues

As esperanças em que me agasalho

E estiver entre os homens, meus irmãos,

Que eu me esqueça em trabalho

E me lembre das mãos...

Não me dês tempo para lastimar-me,

Que eu busque tão-somente a luz que me acenas...

No anseio de seguir-te

Quero o trabalho apenas.

Dá que eu seja contigo, onde estiveres,

Uma rósea de paz... Que eu seja alguém

Sem destaque e sem nome

Que se olvide no bem.

E se um dia uma cruz de provas e de agravos

Reclamar-me a tarefa e o coração,

Não me largues ao susto a que me enleie,

Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos

Da incompreensão que me rodeie,

Entre bênçãos e fé e preces de perdão!

Não consintas que eu volte ao tempo morto

Da ilusão convertida em desconforto,

Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,

A servir sem perguntar a quem...

Ouve, celeste amigo,

Aspiro a estar contigo,

Longe de minhas horas desregradas,

Onde sempre estiveste e sempre continuas

Plantando o amor em todas as estradas,

Para que eu também tenha as mãos marcadas

Como trazes as tuas...
                                     Maria Dolores (Uberaba, 03 de Junho de 1972).

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier – Emmanuel.

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