FONTE: Juan Torres (juan.torres@redebahia.com.br) e Victor Uchôa (victor.uchoa@redebahia.com.br), CORREIO DA BAHIA.
Eram 9h58, ontem, quando a polícia registrou a morte de Wesley Morais Oliveira, 23 anos. Ele é o milésimo nome a figurar na lista de homicídios.
Joilson Viana Nascimento, Pedro Cruz Nogueira, Gilson Arlindo da Silva, Elinalva Martins dos Santos... A imensa lista, que parece de chamada, em vez de presença, contabiliza mortos. Assassinados. Na sua, na nossa cidade. Só este ano.
Joilson Viana Nascimento, Pedro Cruz Nogueira, Gilson Arlindo da Silva, Elinalva Martins dos Santos... A imensa lista, que parece de chamada, em vez de presença, contabiliza mortos. Assassinados. Na sua, na nossa cidade. Só este ano.
Os nomes da triste relação vão passando e é como se, a cada linha, se ouvissem os tiros, as facadas, os gritos de pânico. Uma, duas, três... Mil vezes. Ao ser assassinado ontem, Wesley Morais Oliveira, 23 anos, passou a ocupar a milésima linha da relação de mortos por homicídio em 2011, em Salvador e Região Metropolitana (RMS), segundo boletim diário disponibilizado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) desde 17 de janeiro.
O corpo de Wesley foi encontrado com perfurações de bala na cabeça, mão e axila esquerda, na 1ª Travessa Luciano Gomes do Jardim Cajazeiras, em Pau da Lima. O CORREIO coletou os dados da SSP, analisou-os dia a dia e produziu uma série que começa a ser publicada hoje. Estatísticas: No estudo, constata-se que, em média, uma pessoa é assassinada a cada 4 horas e 12 minutos em Salvador e RMS, que 90% dos mortos são homens, que a região recordista em assassinatos é o Subúrbio Ferroviário e que o dia da semana mais violento é o domingo. Entre os cinco dias com mais mortes no ano, quatro são de fim de semana.
O mês com mais mortes é maio, mas fevereiro tem média diária mais alta - 6,54 assassinatos/dia. As vítimas têm aproximadamente 28 anos, em média, e a lista de mortos inclui ainda 67 menores de idade e 10 idosos.
CLIQUE AQUI E VEJA DADOS ESTATÍSTICOS CALCULADOS PELO CORREIO
A relação nominal dos primeiros 16 dias do ano foi solicitada à SSP, mas o pedido não foi atendido. Em balanço mensal, a Secretaria informa que em janeiro morreram 179 pessoas. Descontando desse número as 87 mortes da lista nominal divulgada desde 17 de janeiro no site da SSP (http://www.ssp.ba.gov.br/), somam-se, então, mais 92 pessoas mortas.
COMPARAÇÃO.
As estatísticas colocam a capital baiana (isolada da RMS) à frente da maior cidade do país - em números absolutos. Mesmo com uma população de 11,2 milhões de pessoas (contra 2,6 milhões em Salvador), São Paulo registrou, de janeiro a maio deste ano, 414 vítimas em homicídios.
Em Salvador, no mesmo período, foram 642 mortos - 55% a mais. Estudo realizado em 2008 pelo Instituto Sangari, vinculado ao Ministério da Justiça, mostrou que, naquele ano, Salvador, com taxa de 60,1 homicídios por 100 mil habitantes, era a quarta capital mais violenta do país, atrás somente de Vitória (73,9), Recife (85,2) e Maceió (107,1).
O cálculo realizado pelo CORREIO com base nos dados do IBGE e em relatórios de homicídios da SSP de 2010 mostra que no ano passado essa taxa aumentou para 61,26 homicídios/100 mil habitantes.
Este ano, porém, a tendência é de uma pequena queda. Considerando os números de 17 de janeiro até ontem, Salvador encerraria o ano com 57,37 homicídios/100 mil habitantes. Na RMS, a taxa é maior - 65,82.
EXTREMOS.
Dia 23 de junho. Naquela quinta-feira, a promessa de os fogos pipocarem no interior acalmou os ânimos na capital, e a véspera de São João, também feriado de Corpus Christi, ostenta hoje o título de único dia do ano sem nenhum homicídio.
Na outra ponta da tabela está o ensolarado domingo de 1º de maio, Dia do Trabalho. Rubro-negros e tricolores acordaram no clima do sarro - e da tensão: era dia do Ba-Vi que definiria vaga na final do Baianão. Em Roma, João Paulo II era beatificado e, em algum lugar no fundo do Atlântico, os destroços e os cadáveres do Air France 447 eram revirados em busca da caixa preta, que seria encontrada naquela tarde.
Alheia - ou não - a isso tudo, Margareth Menezes cantava na Praça Municipal e a banda LevaNóiz fugia fugia com milhares de pessoas em show na Castro Alves. Mas não teve Super-Homem nem Mulher Maravilha certos para salvar os 15 mortos do dia com mais homicídios (13 homens e duas mulheres). A multidão em festa na pirambeira musical ou na classificação do Vitória abafou as famílias que, elas sim, alheias a tudo, choravam.
Contando... Até as 22h de ontem, mais uma morte havia sido registrada, somando cinco em todo o domingo, 1.001 mortos na lista nominal e 1.093 no total.
E assim, entre números e mais números, se foram este ano 16 Antônios, uma Antônia, 15 Josés, 15 Carlos, 12 Paulos, 10 Andersons, 3 Marias, 9 Jefersons (um deles com dois “f”)...
A relação nominal dos primeiros 16 dias do ano foi solicitada à SSP, mas o pedido não foi atendido. Em balanço mensal, a Secretaria informa que em janeiro morreram 179 pessoas. Descontando desse número as 87 mortes da lista nominal divulgada desde 17 de janeiro no site da SSP (http://www.ssp.ba.gov.br/), somam-se, então, mais 92 pessoas mortas.
COMPARAÇÃO.
As estatísticas colocam a capital baiana (isolada da RMS) à frente da maior cidade do país - em números absolutos. Mesmo com uma população de 11,2 milhões de pessoas (contra 2,6 milhões em Salvador), São Paulo registrou, de janeiro a maio deste ano, 414 vítimas em homicídios.
Em Salvador, no mesmo período, foram 642 mortos - 55% a mais. Estudo realizado em 2008 pelo Instituto Sangari, vinculado ao Ministério da Justiça, mostrou que, naquele ano, Salvador, com taxa de 60,1 homicídios por 100 mil habitantes, era a quarta capital mais violenta do país, atrás somente de Vitória (73,9), Recife (85,2) e Maceió (107,1).
O cálculo realizado pelo CORREIO com base nos dados do IBGE e em relatórios de homicídios da SSP de 2010 mostra que no ano passado essa taxa aumentou para 61,26 homicídios/100 mil habitantes.
Este ano, porém, a tendência é de uma pequena queda. Considerando os números de 17 de janeiro até ontem, Salvador encerraria o ano com 57,37 homicídios/100 mil habitantes. Na RMS, a taxa é maior - 65,82.
EXTREMOS.
Dia 23 de junho. Naquela quinta-feira, a promessa de os fogos pipocarem no interior acalmou os ânimos na capital, e a véspera de São João, também feriado de Corpus Christi, ostenta hoje o título de único dia do ano sem nenhum homicídio.
Na outra ponta da tabela está o ensolarado domingo de 1º de maio, Dia do Trabalho. Rubro-negros e tricolores acordaram no clima do sarro - e da tensão: era dia do Ba-Vi que definiria vaga na final do Baianão. Em Roma, João Paulo II era beatificado e, em algum lugar no fundo do Atlântico, os destroços e os cadáveres do Air France 447 eram revirados em busca da caixa preta, que seria encontrada naquela tarde.
Alheia - ou não - a isso tudo, Margareth Menezes cantava na Praça Municipal e a banda LevaNóiz fugia fugia com milhares de pessoas em show na Castro Alves. Mas não teve Super-Homem nem Mulher Maravilha certos para salvar os 15 mortos do dia com mais homicídios (13 homens e duas mulheres). A multidão em festa na pirambeira musical ou na classificação do Vitória abafou as famílias que, elas sim, alheias a tudo, choravam.
Contando... Até as 22h de ontem, mais uma morte havia sido registrada, somando cinco em todo o domingo, 1.001 mortos na lista nominal e 1.093 no total.
E assim, entre números e mais números, se foram este ano 16 Antônios, uma Antônia, 15 Josés, 15 Carlos, 12 Paulos, 10 Andersons, 3 Marias, 9 Jefersons (um deles com dois “f”)...
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