Ter que passar pelo luto não acontece apenas quando se perde alguém próximo. “Toda perda, seja de algo significativo ou não, gera luto”, diz a psicóloga Miriam Salete, autora do livro “A sombra não assombra”. Ela explica que perder – seja o emprego, o namorado, a casa ou qualquer outra coisa – é um processo natural da vida, com o qual é preciso aprender a lidar. E sofrer faz parte. No entanto, a forma como vivemos, com um desejo constante de acumular, pode nos tornar menos tolerantes às perdas. “Não se quer abrir mão do status ou do namorado. Vivemos o advento da posse”, afirma. Depois de 1 ano trabalhando com vendas numa empresa em São Paulo, Cristiane Torres Venâncio, de 40 anos, viu-se desempregada de uma hora para outra. “A empresa faliu.
Todos os funcionários foram pegos de surpresa. Me senti impotente”, conta. Ainda que seja um processo difícil, viver a dor é importante no processo de superar as perdas, aprender com elas e seguir em frente. “Se o processo de interiorização da tristeza não for vivenciado, não se produzirá nada depois”, afirma a psicóloga.
O editor de livros Analdino Rodrigues Paulino Neto (na foto com a filha), de 55 anos, também viu sua vida mudar radicalmente depois do fim do casamento de 6 anos. “A iniciativa da separação foi da minha ex-mulher. Quem realmente teve o sentimento da perda fui eu, e foi muito difícil”, diz ele. Neto, na época, também ficou privado da convivência com a filha Amanda, com quem tinha relação muito forte. “Juntava uma dor com a outra e ficava algo maior do que eu”, conta. Para superar, ele se dedicou à profissão e hoje é presidente da Associação de Mães e Pais Separados. Segundo ele, foram necessários 3 anos para que superasse a perda. “A gente aprende muito com o sofrimento, fica mais humilde e atento à vida. Foi uma reconstrução total da minha pessoa e dos meus objetivos”, reconhece.
Já Antônio Manuel Dias Teixeira, de 57 anos, ainda luta para se recompor. “Eu era muito feliz. De repente, perdi tudo: o apartamento, meus móveis, a saúde da minha esposa, que hoje vive com medo. Minha vida virou de cabeça para baixo”, diz o corretor de imóveis. Ele e a família foram vítimas do acidente na estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, em janeiro de 2007, quando um desabamento abriu uma cratera na região. “Tudo isso me dói muito, mas eu sigo em frente”, diz ele, que sonha em ter sua própria casa novamente.
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