FONTE: Lucy Andrade, TRIBUNA DA BAHIA. Os pacientes com transplantes dos rins e com problemas renais que dependem dos medicamentos fornecidos pelo governo podem ter complicações na saúde devido à falta de azatioprina ou imurom, assim como eritropoetina recombinante humana, considerados essenciais para evitar a rejeição do órgão transplantado e impedir a coagulação do sangue.
Os remédios são fornecidos na farmácia do Hospital Ana Neri, no bairro da Caixa D’Água e já está em falta há 15 dias, uma situação de descaso com a saúde pública, que pode comprometer a vida dos pacientes.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), responsável pelo hospital, atribuiu a falta dos medicamentos ao Ministério da Saúde, que atrasou na entrega e afirmou que esta semana o remédio estará de volta à farmácia. “Houve um atraso na entrega em todo o Estado, mas nesta semana iremos regularizar a situação comprando o remédio”, garantiu.
“O eritropoetina recombinante humana é como se fosse o “viagra” da vida para as pessoas com problemas renais crônicos, que, sem ele, perdem a qualidade de vida. Esse remédio é fundamental para a produção de glóbulos vermelhos.
Assim como o azatioprina, que pode acarretar na perda do órgão. Essa situação é recorrente, sempre falta esses medicamentos, é um descaso com a saúde pública”, enfatizou o presidente da Associação dos Renais Crônicos da Bahia (Acreba), Gerson Barreto
Andando com dificuldades e ainda com curativos da cirurgia, o aposentado Edvaldo Cruz, de 67 anos, depois de pegar dois ônibus e descer uma ladeira para chegar ao hospital e escutar da atendente: “Esse remédio ainda no chegou, o Senhor liga na semana que vem para saber se já temos”.
O que revoltou o aposentado. “É um absurdo, mas não é a primeira vez que isso acontece, essa é a terceira vez, desde dezembro, que venho aqui e dou viagem perdida. É um transtorno chegar até aqui, tenho dificuldades para andar, moro em Lauro de Freitas, pego dois ônibus e quando chego não encontro”, reclamou.
De acordo com o presidente da Acreba, Gerson Barreto, a falta de medicamentos é algo rotineiro e a centralização tem dificultado a vida dos que dependem da farmácia. “Deve estar havendo algum desvio de verbas destinadas à saúde.
Os pacientes com problemas renais estão sofrendo, eles dependem dos remédios para não ter problemas de rejeição, assim como para não complicar a situação com coágulos de sangue. A falta também compromete a qualidade de vida.
É um descaso com a saúde. Outra questão é a descentralização, é necessário que haja distribuição dos medicamentos em outros hospitais da cidade”, reivindicou Barreto.
FARMÁCIA SEM ESTRUTURA. Outro problema é a falta de estrutura na farmácia, o espaço é muito pequeno, sem capacidade física para atender à demanda e conta com apenas duas atendentes para atender cerca de duas mil pessoas.
Em todo o estado há cerca de cinco mil pessoas com problemas renais crônicos, a farmácia atende mais de 50%, a centralização e a localização também são motivos de reclamações. “Isso aqui é um cubículo, tem dias que a fila está enorme e temos que ficar de baixo de sol e de chuva.
Tenho dificuldades para chegar aqui, moro em Periperi, e quando chego não tem o remédio, isso revolta”, indignou-se Maria de Lourdes Brito, 45 anos.
Barreto também enfatizou que desde 2008 o governo promete ampliar a farmácia do Ana Nery, assim como cobrir a parte externa, que, devido à falta de espaço, expõe as pessoas ao sol e à chuva.
“Depois de mais de dois anos prometendo melhorias no atendimento, o secretário de Saúde, Jorge Solla, disse que há projeto de instalar na cidade outras farmácias. Enquanto isso, os pacientes sofrem no sol e na chuva, e ainda com a falta de medicamentos”, disse Barreto.
A Sesab informou que há projeto para expandir a farmácia para mais dois pontos da cidade. “Estão sendo avaliados outros dois hospitais para distribuição, que seja de fácil acesso para a população, o local tem que ter estrutura adequada para atendimento”, informou o órgão.
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