domingo, 3 de abril de 2011

TRISTE TENDÊNCIA...


FONTE: Por Gisele Brito (gisele.brito@folhauniversal.com.br) (folha.arcauniversal.com.br).



A notícia não é boa. O Brasil vive uma escalada no número de suicídios. Entre 1998 e 2008, o índice aumentou 33,5%, segundo o Mapa da Violência 2011, realizado anualmente pelo Instituto Sangari, em parceria com o Ministério da Justiça. O aumento é superior às variações nas taxas de crescimento da população (17,8%), de homicídios (19,5%) e de mortes em decorrência de acidentes de transporte (26,5%) no mesmo período. O Rio Grande do Sul é o estado com a maior taxa. A cada 100 mil pessoas, cerca de 11 atentaram contra a própria vida em 2008. Ainda assim, são os números da região Nordeste que mais chamaram atenção dos pesquisadores. Em 10 anos, o número de suicídios mais do que dobrou: aumentou 109%. “Ainda não temos muitas explicações para isso. Em geral aumentos assim estão ligados a perdas de esperança em decorrência de crises financeiras. O crescimento econômico pelo qual passou o Nordeste, na verdade, só atingiu as camadas mais baixas da pirâmide social. As camadas intermediárias podem estar em crise de identidade”, cogita Julio Jacobo, sociólogo responsável pelo estudo. Para João Mendes de Oliveira, psiquiatra da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a própria melhoria da qualidade de vida dos nordestinos poderia explicar o incremento da violência. “O aumento da renda traz também pressões e cobranças. As pessoas trabalham mais, dormem menos, moram em apartamentos pequenos e ficam cada vez mais estressadas. Estes fatores somados aumentam a chance de suicídio caso a pessoa já tenha predisposição”, diz. Além disso, Oliveira destaca que a notificação correta é cada vez maior. “Antigamente essa questão era tratada como tabu. Ninguém assumia que um parente havia se suicidado. Era uma vergonha. A causa da morte era notificada sempre como acidental, como um choque anafilático ou alergia a medicamentos, por exemplo”, pontua o médico. “Essa pesquisa é mais um termômetro do que um diagnóstico. Ela aponta que é preciso aprimorar a prevenção. Algumas ações pontuais têm sido desenvolvidas, principalmente em nível municipal, mas é preciso intensificá-las”, alerta Jacobo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário