
Pare para pensar. Como você se comporta quando vai ao supermercado? Você coloca todas as mercadorias nas tradicionais sacolinhas plásticas gratuitas e, às vezes, até pega umas a mais e coloca na bolsa ou leva sua própria sacola (as chamadas ecobags)? E depois, quando você chega em casa, o que você faz com os saquinhos? Joga no lixo normal ou os utiliza de diversas formas, inclusive para colocar o lixo, até rasgarem e depois leva tudo para reciclar?

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 1 trilhão de sacos plásticos são consumidos por ano no mundo todo. Somente no Brasil, 1,5 milhão de sacolas são distribuídas por hora. O uso excessivo e o descarte incorreto de saquinhos plásticos prejudicam a natureza, na medida em que demoram cerca de 400 anos para se decompor. Dessa forma, eles poluem o meio ambiente, entopem bueiros e ainda são responsáveis pela morte de milhares de animais que ficam presos no plástico, se engasgam com as sacolas ou se sufocam com elas. Há, entretanto, quem defenda que se usadas de forma consciente e sem desperdício, elas podem não ser tão prejudiciais assim. Para os ambientalistas, a solução não está em abolir definitivamente os saquinhos dos supermercados, mas, sim, informar os consumidores do impacto desse material no meio ambiente e oferecer alternativas para que a mudança de hábito aconteça. “A discussão sobre a utilização das sacolas plásticas vai além da proibição do uso. Na verdade, temos que fazer uma reflexão sobre as reais consequências que estes plásticos trazem ao ambiente em que vivemos. De fato, é claro que o consumo exagerado de sacolas plásticas gera uma quantidade grande de resíduos e que no nosso planeta não há espaço para tanto lixo. Entretanto, a eliminação repentina das sacolinhas no mercado poderá causar um desastre total, pois a maioria das pessoas não está acostumada a buscar alternativas. Então, é necessário realizar um trabalho de reeducação nos indivíduos, provocando a sensibilização ambiental”, defende Larissa Ferreira Lima, educadora ambiental da organização não-governamental (ONG) Verdenovo. Segundo pesquisa do Ibope, 71% das donas de casa brasileiras apontam as sacolinhas plásticas como o método preferido para transportar as compras de supermercado e 75% delas são totalmente a favor do seu fornecimento pelo varejo. om o objetivo de forçar a população a mudar de opinião e, com isso, reduzir o consumo de saquinhos, atualmente diversas campanhas estão sendo desenvolvidas. Uma delas é o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, promovido pela Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, em parceria com o Instituto Nacional do Plástico (INP) e Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief). O projeto visa a conscientização da população sobre uso responsável e descarte adequado de sacolas plásticas. Desde seu lançamento, em 2007, 3,9 bilhões de sacolas deixaram de ser produzidas. Para este ano, a redução prevista é de 750 milhões de saquinhos no varejo brasileiro – 26,3% a menos do que no início do projeto. O programa tem o apoio da Associação Brasileira de Supermercados. CD e acordo com especialistas, quando o assunto é sacolinha plástica, o consumidor responsável precisa ter em mente os “três erres”: reduzir, reutilizar e reciclar. O primeiro passo é reduzir o consumo no dia a dia, usando sacolas retornáveis; o segundo é reutilizar os saquinhos que leva para casa; por último, quando a sacolinha já não servir mais, o ideal é encaminhá-la para a reciclagem. Dessa forma ela não terá impacto negativo no meio ambiente e poderá transformar-se em outros materiais, como baldes, vassouras ou sacos de lixo (veja o ciclo completo no infográfico abaixo).
ECOLÓGICO. O segurança Irineu Santana, de 31 anos, que há cerca de 6 meses aderiu às sacolas retornáveis, segue à risca o que dizem os especialistas. “Eu nunca pego sacolinhas plásticas. Para embalar os produtos, sempre trago a minha sacola. Só pego quando compro carne e frios. Daí eu coloco dentro de uma sacolinha e depois ponho na sacola retornável para não molhar os outros produtos. E todos os sacos que levo para casa são reutilizados, principalmente para colocar lixo”, afirma. Para Magno Castelo Branco, presidente da ONG Iniciativa Verde, além de educação, o consumidor precisa sentir-se financeiramente responsável pelas sacolinhas para que as campanhas surtam efeito. “As pessoas pegam um punhado de saquinhos e levam para casa. Com certeza muitos acabam levando mais do que necessitam. Aposto que se as sacolinhas passassem a ser cobradas, as pessoas pegariam somente o necessário”, pontua. O técnico em telecomunicação César Aparecido de Souza, de 27 anos, concorda com Castelo Branco, ainda que utilize as sacolinhas que o estabelecimento disponibiliza todas as vezes que vai ao supermercado. “É uma questão de costume. Quando vou a algum mercado que cobra pelos sacos fico assustado, mas acredito que a iniciativa de cobrar é boa, pois as pessoas abusam. Só acho que os mercados deveriam avisar e colocar cartazes para não pegar o consumidor desprevenido no caixa”, afirma. Atualmente alguns supermercados, como é o caso da rede Dia, já cobram pelas sacolinhas. Outras redes também trabalham para reduzir o uso dos saquinhos. O Carrefour, por exemplo, tem a meta de extingui-los até 2014. Para isso, ele vende sacolas retornáveis e oferece caixas de papelão aos clientes. Já o Walmart dá aos clientes que não usam sacolas plásticas um desconto de R$ 0,03 a cada cinco itens comprados. A rede quer reduzir em 50% o uso de sacolas até 2013. A estratégia do Pão de Açúcar é similar, ele bonifica os clientes de seu programa de fidelidade que não usarem embalagem. Tudo em prol do meio ambiente.
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