FONTE: Nelson Rocha, TRIBUNA DA BAHIA.
Tudo em excesso faz mal. Se você tem dúvida quanto a esta máxima, saiba o que acontece com as pessoas que exageram, por exemplo, no sexo. Os dom juans são elogiados e admirados, a liberdade sexual continua cada vez mais exaltada e até glamourizada, seja masculina ou feminina.
A prática do sexo, portanto, é incentivada através da mídia e da propaganda. Entretanto, moralismo à parte, não há nenhum mal nisso se a pessoa não tem tendência à compulsão, à dependência, porque aí o prazer pode virar dor.
E, neste caso, uma saída para diminuir o constante impulso sexual é fazer parte do grupo especial de auto-ajuda: O dos Dependentes de Amor e Sexo (D.A.S.A.), no qual já estão inseridos muitos baianos que buscam um meio de controlar over dose nas relações sexuais.
“Esse tipo de compulsão é tão sério, quanto o alcoolismo e a dependência química, que pode resultar em patologias como a pedofilia e as perversões sexuais. Por isso, muitas vezes o indivíduo necessita de controle psiquiátrico, através de medicamentos, e psicoterápico.
Assim como no alcoolismo, porém é necessário que o dependente de amor e sexo reconheça-se como tal e, a partir daí, busque ajuda”, comentou Limiro Besnosik, que está à frente da organização D.A.S.A em Salvador, que se reúne às segundas-feiras, das 19 às 21h, no Mosteiro Nossa Senhora da Conceição ( Rua Campinas de Brotas, 737, fim de linha de Brotas).
A D.A.S.A é a versão nacional da S.L.A.A. ( Sex and Love Addicts Anonymous), criada nos Estados Unidos nos moldes dos A.A. (Alcoólicos Anônimos), com o objetivo de oferecer ajuda mútua aos seus integrantes. Em outros estados a irmandade está bem organizada.
No Rio de Janeiro, por exemplo, existe há cerca de 20 anos, com muitos grupos em funcionamento. “A regra básica é o anonimato”, garante Limiro. “Às vezes a pessoa aparece sem que a gente saiba. Ou são dependentes, ou ouviram falar do grupo”, revela o atual coordenador do grupo, demonstrando interesse em que outras pessoas possam se integrar a este que é gratuito.
“A cada mês escolhemos um coordenador e um tesoureiro. Sobrevivemos de doações para as despesas básicas como limpeza da sala de reunião, confecção e distribuição de folhetos. Divulgamos a nossa existência porque é grande o número de pessoas que precisam de ajuda para não serem dependentes da compulsão sexual”, ressalta Limiro.
Solidão, isolamento social, imagem pessoal ou profissional destruída, baixa ou nenhuma capacidade laborativa – em função de muito ou todo o tempo dedicado à compulsão –, relacionamentos superficiais, vários vícios associados, famílias desfeitas, comportamentos de risco ou autodestruitivos, entre outras dificuldades, permeiam o universo daqueles que procuram o grupo.
O dilema e os riscos dos que só vivem pensando naquilo é grande. Que o diga o médico psicoterapeuta e educador Antonio Pedreira, que costuma recomendar aos seus clientes a participarem do D.A.S.A.
“É um apoio muito importante para a cura”, diz.
Ele afirma ser a compulsão sexual “uma patologia que se chama transtorno de impulso, que inclui comer compulsivamente, assim como a jogatina compulsiva, a cleptomania, que é relativa à prática de furtos de coisas sem valor, a pira mania, que faz com que o sujeito tenha a vontade de querer tocar fogo nas coisas, o consumo de drogas, entre outras. Mas a mais difícil de curar é a compulsão sexual”, afirma.
TRANSTORNOS PROVOCADOS.
Conforme o doutor Antonio Pedreira, a compulsão sexual manifesta-se por “uma insaciabilidade, que resulta na busca constante de novos parceiros. E para conseguir, o indivíduo usa de todos os recursos de sedução: canta, dá presentes, promete mundos e fundos e acaba por perder o foco no trabalho.
Conforme o doutor Antonio Pedreira, a compulsão sexual manifesta-se por “uma insaciabilidade, que resulta na busca constante de novos parceiros. E para conseguir, o indivíduo usa de todos os recursos de sedução: canta, dá presentes, promete mundos e fundos e acaba por perder o foco no trabalho.
Muitos são casados, que alimentam casos extraconjugais na base de mentiras e álibis forjados”, revela. Entretanto, apesar dos transtornos que o doente possa passar ou provocar que, segundo o médico, “vêm associados à depressão, o síndrome de pânico, à ansiedade, ao TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e, não raro, ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade/Impulsividade (TDA-I)”, com dois ou três anos de psicoterapia individual o paciente pode se curar.
“Um tratamento medicamentoso também é prescrito, através do consumo de substâncias psicotrópicas. Para cada pessoa há uma medicação específica”, ressaltou. Em busca da cura, o publicitário V.L., 25 anos, entrou pra o grupo dos dependentes de amor e sexo.
“O fato de eu ter sido abusado sexualmente por um primo na infância, contribuiu para que desenvolvesse essa dependência prematuramente. Gosto de meninas e desde agosto de 2009 participo das reuniões do grupo. Até chegar aos encontros promovidos pelo grupo passei por um processo de terapia com um psicólogo, que me ajudou no processo de amadurecimento e aceitação da doença.
Entrar pra o grupo foi um momento de iluminação, pois nele encontrei mais amparo convivendo com pessoas que não se identificam nominalmente, mas através do comportamento”, relatou.
Para V.L., amor e sexo são coisas diferentes, mas que fazem parte de uma mesma moeda. “Hoje ainda preciso de um tempo para diferenciar bem uma coisa da outra. Sofro de ansiedade e tenho dificuldades para ficar só, mas percebo avanços substanciais no meu comportamento depois do grupo. Não faço mais terapia, à qual posso recorrer de novo.
Não tenho religião, porém acredito em Deus. Pretendo me aprofundar mais espiritualmente e, quando me sentir curado, gostar e me relacionar com alguém”, revelou, acrescentando estar solteiro e nunca ter tomado remédios “para não criar uma outra dependência”.
E.R.B., 49 anos, viúva, com um filho de 13 anos e há cinco anos integrante do D.A.S.A., diz que já nasceu com a compulsão sexual. “Já vim ao mundo com ela. No período da adolescência tive muitos parceiros. Mesmo casada, eu traía o meu marido. Hoje não faria mais isto por quer estou controlada. Mas antes não sabia diferenciar amor de sexo. Não tinha um controle emocional e misturava tudo”, disse.
E.R.B. que, por sua vez, tomou remédios, fez análise, e atualmente concentra-se no programa de cura recomendado pelo grupo e na literatura sobre amor e sexo verdadeiros. Se você, caro leitor, também se sente um portador da compulsão sexual, anote os números do coordenador do grupo (71) 9986-4847/8109-9775.
Talvez esteja no D.A.S.A., a solução para o seu problema.
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