sábado, 14 de janeiro de 2012

BAHIA ESTÁ ENTRE RECORDISTAS DE IMPLANTES...

FONTE: Roberta Cerqueira REPÓRTER, TRIBUNA DA BAHIA.


A determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que sejam recolhidas todas as próteses de silicone de duas marcas estrangeiras, devido a riscos de rompimento, chama a atenção para este tipo de cirurgia cada dia mais frequente, principalmente na Bahia. O estado está entre os recordistas em implantes de mama, glúteos, coxas e panturrilha. No Brasil, mais de 300 mil mulheres têm próteses nos seios.

A busca do corpo perfeito tem levado milhares de pessoas às mesas de cirurgias. Anualmente, são realizadas mais de 650 mil cirurgias plásticas no país. Destas, mais de 400 mil são estéticas e 82% dos pacientes são mulheres. Entre os procedimentos mais realizados estão lipoaspiração e a prótese mamária.

Apesar da maior procura feminina, os homens também estão em busca da perfeição. De acordo com o cirurgião plástico Giovani Lacerda, engana-se quem pensa que a vaidade é coisa de mulher. O desejo de ter o corpo ideal tem levado muitos homens às clínicas de estética e cirurgias plásticas. Atualmente, eles são responsáveis por cerca de 20% das cirurgias de correção, além de liderar os implantes capilares.

O especialista destaca ainda que Salvador, por ser uma cidade litorânea, tem uma demanda diferente de outras capitais, a exemplo de São Paulo, Brasília e Goiânia, onde também são realizados muitos procedimento. Aqui na capital a procura maior é por cirurgia de barriga, incluindo lipoaspiração e abdominoplastia, e mais recentemente, implante de prótese mamária, de glúteo e panturrilha.

“A procura por implante de silicone na panturrilha, principalmente por parte dos homens tem crescido cerca de 80%”, pontua o médico com mais de 20 anos de carreira.

Entretanto, de acordo com o especialista, a procura independe da temporada, é mais uma questão cultural. “É algo quase que constante o ano inteiro. Com uma leve alta no meio do ano e no final porque coincide com o período de férias escolar e do trabalho, pois a cirurgia é programada com antecedência por causa do período de recuperação. Quem pretende exibir o novo corpo no verão precisa submeter-se ao procedimento pelo menos dois ou três meses antes, para ter tempo de sair os hematomas e expor-se ao sol”, salienta.

Os números de procedimentos realizados em sua clínica comprovam isso. Só Giovani é responsável por até 40 cirurgias, por mês, ou seja, mais de uma plástica por dia.

RISCOS NUNCA ESTÃO DESCARTADOS.

É bom estar atento na hora de buscar esta alternativa evasiva. Apesar de ser a solução mais rápida para quem tem pressa nos resultados, elas não são a mais barata e segura. A depender do procedimento o paciente pode gastar de R$ 6 mil a R$ 20 mil. E, apesar da evolução da medicina, os riscos não estão descartados.

“Os métodos terapêuticos se modernizaram, mas toda cirurgia representa risco. Para minimizar o perigo, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estabeleceu algumas diretrizes, que reduz isso a quase zero.


A nova norma recomenda, por exemplo, que não se realize mais de dois procedimentos de vez ou que não ultrapasse mais de seis horas o tempo cirúrgico. Cabe ao cirurgião bom senso para seguir as orientações que podem diminuir e até anular as complicações”, pontua Lacerda.

Sobre a implantação de próteses mamarias antes dos 16 anos, pontua. “Até os 15 anos, mais ou menos, a mama e o copo como um todo, ainda está em desenvolvimento e não é recomendável colocar próteses”, diz.

Saber escolher bem o profissional que ficará responsável pela mudança é fundamental. “É sempre bom buscar referencias de amigos e consultar o site da Sociedade para saber se o médico é credenciado”, lembra.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, regional Bahia, Geza Urmenyi destaca ainda que cerca de 60% das cirurgias, realizadas no estado, são estéticas e 40% reparadoras. A diferença, segundo ele, se deve à falta de hospitais públicos preparados para este tipo de procedimento.


“Atualmente, ainda há outras prioridades mais urgentes, na rede pública, mas, isso deve mudar gradativamente”, acredita. E acrescenta. “Até porque toda cirurgia estética é também reparadora e toda reparadora tem fins estéticos, pois, ter um corpo melhor, mais bonito faz bem para a auto-estima e consequentemente para a saúde”, lembra.

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