quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

DEPRESSÃO TEM LADO BOM, DIZEM ESPECIALISTAS...

FONTE: Rivânia Nascimento REPÓRTER, TRIBUNA DA BAHIA.


Dados da Organização Mundial da saúde (OMS), revelam que atualmente cerca de 121 milhões de pessoas sofrem de depressão no planeta – 17 milhões no Brasil. Nas próximas duas décadas a depressão deverá afetar mais pessoas que o câncer ou as doenças cardíacas, constituindo a maior causa de afastamento do trabalho, segundo estimativas da OMS.


Porém, especialistas defendem que, em muitos casos a depressão pode ser uma adaptação mental saudável que nos oferece melhores condições para resolver problemas complexos. O assunto tem provocado polemica e dividido opiniões entre psiquiatras e psicólogos.

Um artigo intitulado “O lado Luminoso da Escuridão” publicado na Revista americana Scientifc American – de autoria do neurobiólogo Paul W. Andrews e pelo psiquiatra J. Anderson Thomsonvêm vem causando polêmica por defender que na maioria dos casos a depressão tem um lado bom.


Segundo os pesquisadores. Sob seus efeitos nos tornamos mais analíticos, concentrados nas questões que realmente nos incomodam, e podemos encontrar saídas criativas.


Eles argumentam que, do ponto de vista evolutivo, não faria sentido que a depressão mantivesse uma prevalência até 50 vezes maior que a de outros transtornos mentais-como a esquizofrenia, que atinge 1% a 2% da população – se não houvesse o propósito de autoproteção.

Para os especialistas, um percentual pequeno de pessoas certamente pode sofrer de depressão patológica e até correr risco de tirar a própria vida, mas isso não se aplicaria à maior parte.


Obviamente não é agradável deprimir-se, mas em muitos casos é necessário, argumenta os pesquisadores. Se para muitos médicos e outros profissionais da saúde mental e mesmo para a grande parte do público leigo a afirmação soa estranha, para terapeutas que trabalham com a teoria psicanalica a ideia não é nova: por mais doloroso que seja, encarar o sofrimento e vivenciar lutos, não apenas pela morte de pessoas queridas mas também em razão de outras perdas – seja de um relacionamento, um emprego, um projeto, é fundamental para superar a dor.


Para o neurologista, Márcio Brandão, existe depressão e depressões e é preciso está atento para as motivações de cada uma delas. A endógena é aquela desenvolvida sem um fator inicial, ou seja, não existe uma causa que justifique a sua existência. De acordo com o médico, ela vai se instalando gradualmente e quando a pessoa se dá conta já está totalmente mergulhada na tristeza.


Já a depressão reativa ocorre em decorrência de um acontecimento como a perda de ente querido, término de relacionamento, ou seja, existe um motivo concreto para a dor. Ainda segundo o neurologista, a depressão pode realmente levar o indivíduo a um estado de criatividade mas não pode deixar de encarar o problema como uma doença.


“A depressão não é necessariamente uma coisa ruim, é na depressão que muitas pessoas conseguiram tomar decisões que mudaram suas vidas, foi também nesse estágio de profunda reflexão que os poetas produziram com muito mais sensibilidade suas melhores obras. No entanto, volto a dizer que existe casos e casos e o indivíduo tem que buscar ajuda de profissionais para lidar com o problema”, justiça.

Para o psicanalista e membro da Escola Brasileira de Psicanálise, Paulo Gabrielli, não se pode considerar a depressão como doença já que existe um amplo leque de situações que podem levar o individuo a tristeza. Quanto a pesquisas, o médico diz que existe sim um lado positivo na dor, mas destaca que é importante ouvir o sujeito para depois analisar as possibilidades.

“É preciso entender o que se passa na vida do sujeito porque só através da fala é possível analisar se a aquilo tem alguma função adaptativa na vida dele ou não. Não se pode apenas oferecer a pílula da felicidade tem que entender a razão da depressão”, explica.

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