FONTE: TRIBUNA DA BAHIA.
Os bancos dos vestiários das academias e das laterais das quadras de esportes já estão repletos de vítimas das primeiras contusões de 2012. Entre esses, muitos colocarão compressas de gelo sobre os músculos doloridos. O gelo, afinal (“ice”, em inglês), é o “I” da sigla RICE – o que quer dizer “rest, ice, compression, elevation”, isto é, repouso, gelo, compressão e elevação –, que continua a ser o protocolo-padrão para lidar com lesões relacionadas a práticas esportivas. O gelo também é bastante utilizado para tratar músculos que estão doloridos, mas não estão exatamente machucados.
Em quase todos os jogos de futebol americano, basquete ou futebol, de qualquer nível, muitos dos jogadores aplicam gelo sobre partes do corpo durante o intervalo, ao se prepararem para voltar a jogar. No entanto, um artigo publicado neste mês pela revista Sports Medicine, coloca a prática em questão, avaliando em que medida ela pode ser prejudicial.
No artigo, pesquisadores da Universidade de Ulster e da Universidade de Limerick, ambas irlandesas, examinam cerca de 30 estudos sobre os efeitos do uso de gelo para combater dores musculares. Nem todos os resultados dessa análise são reconfortantes.
Na maioria das pesquisas, o gelo se mostrou bastante eficaz na diminuição da dor. Mas os pesquisadores descobriram que ele também reduziu significativamente a força e potência muscular por até 15 minutos após a aplicação ter terminado.
O gelo também tende a diminuir a coordenação motora fina. Algumas das pesquisas analisadas constataram que as pessoas, depois de aplicações de gelo, experimentaram diminuição da propriocepção no membro contundido, isto é, da percepção do posicionamento de uma parte do corpo, como um braço ou perna.
Muitas vezes, o resultado disso foi um desempenho atlético pior, pelo menos em curto prazo. Após 20 minutos de aplicação de gelo, os voluntários não foram capazes de saltar tão alto ou correr tão rápido, nem de arremessar ou atingir uma bola tão bem quanto normalmente fariam.
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