FONTE: Rodrigo Vilas Bôas REPÓRTER, TRIBUNA DA BAHIA.
Férias escolares, a garotada o tempo todo diante do computador, seja navegando pelas redes sociais ou se divertindo com os jogos online. Quando não é isso, senta diante da tevê, liga o Play Station, põe um jogo e esquece a vida. Na pior das hipóteses, os jovens se debruçam sobre os games violentos, cuja comercialização acontece livremente nos camelôs e são facilmente encontrados pela web.
Sem dúvida, este é mais um motivo de preocupação para os pais. E não é para menos. De acordo com um recente estudo da Sociedade Radiológica da América do Norte, a RSNA, os games violentos alteram as funções cognitivas e emocionais do cérebro dos jovens em apenas uma semana. “Nós percebemos que uma amostra aleatória de jovens adultos evidencia menos ativação em certas regiões frontais do cérebro depois de uma semana jogando em casa”, afirmou o professor Yang Wang, pesquisador da Universidade de Indiana.
Que uma infinidade de games violentos é comercializada não é mais novidade. Alguns já foram até banidos, a exemplo de Rapelay, cuja tarefa dos jogadores é estuprar uma mulher e suas duas filhas adolescentes numa estação de metrô. Criado pela empresa japonesa Ilusion, o game é vendido livremente, seja em camelôs ou na própria internet.
O Rapelay, inclusive, faz alusão à pedofilia, já que uma das adolescentes usa uniforme colegial e a outra teria 10 anos de idade. O estupro contra esta última garota ocorre em um quarto com ursos de pelúcia. Após elas engravidarem, a missão do estuprador é convencê-las a abortar, senão ele é jogado por elas nos trilhos do trem.
Para Carlos Alberto Franco, psicólogo e advogado especialista em crimes contra os direitos humanos na internet brasileira, pensar em um jogo que naturalize o estupro e o abuso a adolescentes pode incentivar uma pessoa a cometer esses atos na vida real. “Se o jogo não tem nenhum tipo de benefício, não há necessidade que circule”, opina.
Franco, porém, diz que o game não deve ser proibido por lei. “Não sou contra a liberdade de expressão. Na prática, não há um crime explícito. Mas é preciso haver um debate envolvendo vários setores, uma discussão democrática sobre esse assunto”.
Polêmico, o tema divide a opinião de especialistas. O psiquiatra e psicoterapeuta Aderbal Vieira Júnior, responsável pelo Ambulatório de Tratamento do Sexo Patológico do Proad – Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, defende a ideia de que “ninguém se torna pedófilo por causa de um jogo, assim como um zoófilo”.
TRATAMENTO – O especialista acredita, inclusive, que um jogo virtual pode ser usado no tratamento da pedofilia. “Sou favorável à busca de alternativas. O pedófilo existe, está aí no mundo. A libido dele tem que ser satisfeita de alguma forma, mas com adequação social, sem prejudicar ninguém”.
TRATAMENTO – O especialista acredita, inclusive, que um jogo virtual pode ser usado no tratamento da pedofilia. “Sou favorável à busca de alternativas. O pedófilo existe, está aí no mundo. A libido dele tem que ser satisfeita de alguma forma, mas com adequação social, sem prejudicar ninguém”.
Vieira Júnior admite que, em alguns casos, o jogo pode até servir de estímulo para alguém que não tenha se encorajado a praticar abusos. Mas discorda de especialistas que enxergam o game como substituto para a prática da pedofilia. “Ao contrário de fotografias de crianças e adolescentes, o jogo não utiliza elementos da vida real”, pondera.
O psicólogo Sérgio Augusto Germano Patto, especialista no atendimento de crianças e adolescentes, diz que o Rapeley “é uma anormalidade no mundo dos jogos e não traz bem algum pelo seu conteúdo e finalidade”. Mesmo assim, ele acredita que transtornos como a pedofilia não são acarretados por games.
“De qualquer forma, se uma criança começa a se interessar muito pelo jogo, pode ser um sinal de que, por algum motivo, está sentindo prazer. É um dado para procurar ajuda e ficar atento se esse prazer se repete em outros contextos”.
LISTA DE JOGOS.
A lista de jogos violentos é extensa e não para de crescer. Dentre eles destacam-se Carmageddon, Soldier of Fortune, God of War II, Gears of War 2, Mortal Kombat, Thrill Kill, MadWorld, Manhunt, Grand Theft Auto III, Postal 2, World Warcraft, Killer e Resident Evil 4.
LISTA DE JOGOS.
A lista de jogos violentos é extensa e não para de crescer. Dentre eles destacam-se Carmageddon, Soldier of Fortune, God of War II, Gears of War 2, Mortal Kombat, Thrill Kill, MadWorld, Manhunt, Grand Theft Auto III, Postal 2, World Warcraft, Killer e Resident Evil 4.
Fã do game Grand Theft Auto, popularmente conhecido como GTA, o designer gráfico Eugênio Farias, 30 anos, acredita que games violentos podem representar perigo. “A grande atração dos jogos é a liberdade de fazer o que quiser. Mas tem gente que pode confundir o real com o imaginário e passar a fazer o que não é certo”.
Na opinião de Carlos Alberto Franco, psicólogo e advogado especialista em crimes contra os direitos humanos na internet brasileira, os jogos que contêm “um certo grau de agressividade” têm papel produtivo e bastante saudável. “É fundamental estimular a criatividade, os movimentos e a imaginação dos mais novos”, salienta.
Para ele, esses games possuem caráter educativo, ao permitirem que o ser humano expresse sua agressividade. “O importante é trabalhar essa agressividade com regras estabelecidas, sem banalizar a violência”, observa.
Em sua quarta versão, o GTA consiste em uma mistura de ação, aventura e corrida, incluindo alguns elementos de RPG. Nele, o jogador pode fazer o que quiser: matar, roubar e agredir, por exemplo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário