FONTE:
, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk***, https://www.msn.com/
Enquanto
mais de 60 países do mundo implementam políticas públicas para tornar suas
matrizes elétricas 100% limpas e renováveis, o Brasil acaba de acionar todas as suas termoelétricas
fósseis, mais caras e poluentes do País. O motivo é a falta de água nos
reservatórios das hidrelétricas, situação que se agrava a cada ano.
O
resultado disso é sentido no bolso de todos, já que voltou a ser cobrada a
famigerada bandeira vermelha, encarecendo a conta de luz. É mais uma
preocupação para os orçamentos das famílias e para a competitividade das
empresas.
Porém,
muito pode ser feito para aliviar essa conta de luz. A geração própria de
energia, feita por sistemas solares, por exemplo, é parte da solução, pois
ajuda a reduzir custos do setor elétrico que hoje são repassados aos
consumidores brasileiros.
O
Projeto de Lei (PL) n.º 5.829/2019, de autoria do deputado federal Silas Câmara e relatoria do deputado federal Lafayette de
Andrada, que cria o marco legal dessa modalidade, representa o melhor caminho
para garantir em lei mais liberdade, opção de escolha, sustentabilidade e
economia aos consumidores.
O
texto está pronto para votação na Câmara dos Deputados. Com sua aprovação, trará ao País mais de R$ 139 bilhões
em novos investimentos até 2050, gerando mais de 1 milhão de empregos. Já a
redução de custos com o uso de termoelétricas representará mais de R$ 150
bilhões. Também haverá economia de R$ 23 bilhões com menores perdas elétricas.
Empreendida
por grandes monopólios e entidades de energia elétrica, uma campanha está em
curso para tentar frear o crescimento da geração própria de energia no País.
Querem transformar a solar, utilizada globalmente como solução, em “vilã” do
setor elétrico. A quem interessa estes ataques? Certamente, não aos
consumidores.
A
evolução da matriz elétrica brasileira, com maior participação das renováveis,
é ambientalmente desejável, tecnicamente sólida e economicamente viável. O
projeto “Sistemas Energéticos do Futuro: Integrando Fontes Variáveis de Energia
Renovável na Matriz Energética do Brasil”, com participação do Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Operador Nacional do Sistema (ONS), em parceria com a entidade do governo alemão Deutsche
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), analisou, em detalhes, a
inserção de grandes quantidades de energia solar e eólica na matriz elétrica
brasileira. As conclusões dos três anos de intenso trabalho confirmaram que é
possível aumentar a participação destas renováveis em mais de quatro vezes, dos
atuais 10% para mais de 40%, mantendo a confiabilidade, segurança e
estabilidade, com equilíbrio técnico e econômico para a expansão e operação do
sistema elétrico brasileiro.
O
estudo demonstrou a forte sinergia entre os recursos renováveis do Brasil, como
hídrico, solar, eólico, da biomassa, entre outros. Também desbancou o velho
mito de que precisamos de mais termoelétricas para dar apoio às renováveis.
Pelo contrário, quem equilibra o sistema quando há variações nos ventos e no
sol não são as usinas fósseis, mas sim as hidrelétricas. Por isso, a evolução
para uma matriz elétrica 100% renovável é possível e depende mais de vontade e
liderança política do que de condições técnicas e econômicas.
Quanto
mais usarmos o sol, o vento e a biomassa, menor será a dependência das
hidrelétricas. Isso ajuda a aliviar a pressão sobre os recursos hídricos, cada
vez mais escassos e preciosos. Com mais água disponível nas usinas, haverá
menor uso de termoelétricas fósseis para gerar energia elétrica, o que reduz as
nocivas bandeiras vermelhas e alivia a conta de luz da população. A água
economizada também poderá ser utilizada em seus outros propósitos para a
sociedade, como abastecimento humano, agricultura, criação animal e atividades
produtivas.
*** SÃO, RESPECTIVAMENTE, CEO E PRESIDENTE DO CONSELHO DE
ADMINISTRAÇÃO DA ABSOLAR.

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