FONTE: GIULIA POLTRONIERI E TATIANA PRONIN, https://doutorjairo.uol.com.br/
Cerca de 40 bebês nascem prematuros a cada hora no
Brasil, ou seja, antes do prazo esperado de 37 a 42 semanas de gestação. Com
uma taxa estimada em torno de 12%, segundo dados da Fiocruz (Fundação Oswaldo
Cruz) e do Ministério da Saúde dos últimos anos, essa proporção é o dobro da
registrada em alguns países europeus. Por outro lado, não está tão diferente da
média mundial: mais de um em cada 10 bebês nascem antes do tempo.
Um parto antes da hora é sempre motivo de preocupação,
ainda mais para os chamados prematuros extremos, que nascem com menos de 28
semanas de gestação. É que nesse estágio muitos órgãos ainda não estão
completamente formados, o que gera maior risco de vida ou de sequelas. Os
recém-nascidos prematuros são classificados de acordo com a idade gestacional
ao nascer, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria:
- Pré-termo extremo (<28 semanas)
- Muito pré-termo (28 a <32 semanas)
- Pré-termo moderado (32 a <37 semanas)
- Pré-termo tardio: (34 a <37 semanas)
Covid-19 e prematuridade.
Graças aos avanços da medicina neonatal, as chances de
sobrevivência são muito mais altas hoje em dia. E até estratégias que nada têm
a ver com tecnologia, como o Método Mãe Canguru, têm ajudado a salvar vidas,
como ressaltou a OMS (Organização Mundial da Saúde) em posicionamento recente a
favor da manutenção
da prática durante a pandemia (você
confere mais informações sobre a prática abaixo).
Estudos e autoridades médicas chamaram atenção para o
risco aumentado de prematuridade para gestantes avançadas que testam positivo para a Covid-19.
Mas, ainda que a infecção seja um fator complicador para as grávidas, o receio
de pegar a doença – e consequente redução nas idas ao médico e às consultas
pré-natais – pode ser um problema ainda maior, como observa o coordenador de
obstetrícia do Grupo Santa Joana, em São Paulo, Mário Kondo.
Existem diversos fatores de risco para a prematuridade,
que, algumas vezes, podem ser controlados com um bom acompanhamento pré-natal.
Mas também há situações em que o parto é antecipado por decisão médica, quando
há indícios de sofrimento fetal, restrição de crescimento ou perigo para
a mãe. “Em cerca de 70% dos
casos, os partos prematuros ocorrem espontaneamente; e em 30% são eletivos”,
estima Kondo.
Principais causas.
Veja, a seguir, algumas causas comuns de prematuridade:
Hipertensão materna – casos em que a mulher já apresentava ou tinha
tendência a pressão alta crônica antes
de engravidar.
Pré-eclâmpsia –
quando a hipertensão ocorre especificamente na gestação, em geral a partir da
20ª semana de gravidez. Além da pressão alta, pode haver edema e perda de
proteína pela urina. A condição pode evoluir para a eclâmpsia,
quando a mulher sofre convulsão e há risco de vida tanto para ela quanto para o
bebê.
Descolamento prematuro da placenta – pode ocorrer em função de condições de saúde da
mãe e tem como principal sintoma o sangramento.
Placenta prévia –
quando a placenta passa a se localizar na frente do bebê, ou seja, cobrindo a
abertura do colo do útero. As causas são desconhecidas, mas é mais comum em
mulheres com mais de 35 anos ou que passaram por cirurgias uterinas.
Malformações uterinas ou fetais – no primeiro caso, o chamado “colo curto” ou a
presença de miomas
uterinos volumosos podem interferir
no risco.
Infecções e outras doenças durante a gestação – como infecções
no trato urinário, ISTs (infecções
sexualmente transmissíveis), diabetes gestacional ou outras.
Gestação gemelar –
a gravidez de gêmeos sempre envolve maior risco de complicações, e a
probabilidade de parto prematura aumenta ainda mais em casos de trigêmeos.
Ruptura prematura da bolsa amniótica – vale mencionar que quando isso acontece e a gestante
não entra em trabalho de parto, é possível adiar o parto com repouso absoluto e outras
medidas.
Como diminuir o risco.
Como há muitas causas possíveis para um parto de
prematuro, a prevenção depende da identificação precoce dos fatores de risco, e
pode incluir, além de repouso e observação, o uso de progesterona, antibióticos
e outros medicamentos.
As principais manteiras de se evitar um parto prematuro
é, antes de tudo, consultar o médico antes de tentar
engravidar, não só para identificar
possíveis infecções, como também para iniciar o uso de suplementos como o ácido
fólico, fundamental para o desenvolvimento fetal.
Depois que a gravidez
é confirmada, é fundamental que a
gestante vá a todas as consultas e exames do pré-natal, siga todas as
orientações médicas, se cuide (o que inclui não fumar, não usar álcool ou
drogas e ter uma dieta adequada) e procure atendimento sempre que houver algum
sintoma estranho, como secreções ou sangramentos.

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