FONTE: André Messias - Revista
, https://www.msn.com/
Conceição
trabalha como diarista. 1x por semana ela vai ao meu apartamento. Não é muito
comum nos encontrarmos. Mas certo dia, eu ainda estava em casa quando ela
chegou e, aproveitando a ocasião, Conceição me fez a seguinte pergunta: “André,
queria começar a correr, mas só posso ir aos domingos. Será que adianta alguma
coisa?” Como era uma pergunta que exigia uma boa conversa, falei para Conceição
que tentaria mudar minha agenda naquele dia e voltar a tempo de
conversarmos.
Voltei
a tempo e fomos conversar. Perguntei a Conceição sobre seus objetivos, se sente
alguma dor ou desconforto, suas limitações, como era sua rotina nos demais dias
e que ela precisaria fazer algumas avaliações médicas para começar a correr
(nesse momento torna-se necessário citar que a corrida é um movimento
natural do ser humano e que, para a maioria das pessoas, os benefícios serão
enormes. Costumo brincar com as pessoas dizendo: cuidado, é um caminho sem
volta).
Conceição
me deu as respostas, me falou sobre sua rotina e me prometeu ir ao médico
naquela semana. Liguei para uma aluna médica e Conceição fez sua consulta dias
depois. Liberada, Conceição recebeu umas dicas de corrida, um programa de
treinamento e me prometeu dedicação.
É
importante destacar que, em função de sua ocupação profissional, Conceição era
uma pessoa ativa, fazendo com que ela apresentasse
bons resultados em seus exames.
Bons hábitos estão associados a outros
bons hábitos.
Como
citado no início, não era comum encontrar com Conceição, mas passamos a nos
falar por telefone e ela sempre me parecia bastante empolgada com a corrida e
dizia que estava seguindo as orientações. Disse que, mesmo indo apenas aos
domingos, algumas dores articulares sumiram, seu sono estava melhor e que sua
disposição para o trabalho havia aumentado. Como muitas vezes bons hábitos
estão associados a outros bons hábitos, Conceição passou a ter uma alimentação mais saudável, dormir mais cedo e beber mais água.
Com
o passar das semanas, o condicionamento de Conceição melhorou
significativamente e pude exigir um pouco mais de seu organismo. Conceição
continuava a correr somente aos domingos, todavia sua saúde e qualidade de vida
aprimoravam-se cada vez mais.
Certo
dia Conceição chegou ao meu apartamento e eu ainda estava em casa. Seu corpo
havia mudado: cintura menor, músculos mais tonificados, rosto mais fino,
sorriso mais brilhante e ela havia chegado bem mais cedo. Antes que eu a
elogiasse, ela me agradeceu e disse: “Obrigada, André! A corrida está mudando
minha vida. Durmo das 22h às 5h e acordo bem, disposta, animada e sem qualquer
tipo de dor. Estou conseguindo correr 6 quilômetros em 30 minutos e termino
bem! Obrigada!”
Sua saúde precisa ser sua
prioridade.
O
caso de Conceição representa um grande exemplo para muitas pessoas que se
perguntam se adianta alguma coisa treinar apenas um dia na semana. É importante
citar que a Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de 150 a 300
minutos por semana de atividade física em intensidade moderada ou 75 a 150
minutos em intensidade vigorosa, mas também afirma que todo minuto conta.
Desculpas ou motivos: faça sua escolha.
Ou
seja, ainda que a pessoa esteja bem longe de alcançar essa recomendação, sua
saúde pode ter muitos benefícios com uma baixa quantidade de atividade física.
Se não é possível treinar em grande quantidade, é preciso investir na qualidade do
treino.
Importante:
é necessário que toda e qualquer pessoa se esforce ao máximo para alcançar as
recomendações citadas anteriormente no intuito de promover sua saúde. Contudo,
nos casos em que isso não seja possível (mas reflita: a semana tem 10.080
minutos), é preciso lembrar que pouco é melhor do que nada.
Sabemos
que a vida tem muitas demandas, e se não estivermos atentos, colocamos muitas
prioridades e nossa saúde vai ficando para o final da fila. Cada pessoa precisa
ser a sua prioridade. A única forma de estar bem e em paz com o mundo é
colocando a saúde no início da fila. A atividade física é o caminho para
isso.


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