FONTE: Jane Fernandes,
https://atarde.uol.com.br/
Com aumentos
pontuais de até 35%, o volume de pacientes das empresas de home care teve um
crescimento médio estimado em 15% ao longo do ano passado, segundo o presidente
do Núcleo de Empresas de Atendimento Domiciliar (Nead), Leonardo Salgado.
“Sempre que tem alguma situação para deixar os hospitais lotados, você consegue
enxergar melhor o paciente que poderia ser tratado em casa”, pondera Salgado,
referindo-se ao impacto da pandemia no setor.
Embora reúna
somente 43 das mais de 800 empresas de atendimento domiciliar inscritas no
Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde, o Nead, única entidade
representativa do setor, realiza um censo geral a cada dois anos. Com base na
última edição, publicada em setembro de 2020, Salgado diz que o Nordeste foi a
região com maior crescimento em número de empresas cadastradas, mas a maior
concentração ainda fica no Sudeste.
O presidente
do Nead explica que o aumento da demanda por atendimento domiciliar, também
chamado de home care, não foi uniforme em todo o País, seguindo mais ou menos a
curva de crescimento da Covid-19 nos estados. Assim, a alta foi notada
primeiramente em São Paulo, Amazonas, Ceará e Rio de Janeiro, com manutenção
por dois ou três meses, e quando começou a queda nesses estados, houve o
crescimento na Bahia e outras partes.
Ao longo do
tempo, segundo Salgado, essa demanda adicional também passou a ser formada por
pessoas com doenças crônicas e outros problemas que requerem atenção prolongada
e passaram a apresentar complicações por falta de acompanhamento médico.
A gerente de
relacionamento com o mercado da S.O.S. Vida, Fernanda Gama, diz que a empresa,
com atuação na Bahia, Sergipe e Distrito Federal, registrou um aumento de 30%
de pacientes internados em casa, comparando março de 2020 e o mesmo mês de
2021. “Em 2020, tivemos um aumento de indicação do paciente sair do hospital
para dar continuidade ao tratamento em casa. Também percebemos um aumento agora
em março, pelo aumento de casos de Covid-19”, comenta.
Acima da média.
No Vital Care,
do grupo Vitalmed, que atua em Salvador e outras seis cidades baianas, e também
nas capitais do Maranhão, Ceará e Pernambuco, a ampliação foi acima da média
nacional, chegando a 51% no mesmo período, segundo a coordenadora Médica de Qualidade,
Aida Moreira Tanajura. Na sua avaliação, a principal motivação foi “o aumento
da demanda de internamentos nos hospitais para pacientes graves, que gerou uma
pressão para liberação de leitos e, consequentemente, a transição de cuidados
para clínicas de transição e domicílio”.
Já na Assiste Vida, com atuação em mais de 70 municípios baianos,
incluindo Salvador, o incremento registrado foi de aproximadamente 3% nos meses
de pico, informa o diretor assistencial Tarcyo Bonfim. “Mas não houve um
crescimento efetivo, pois quando os hospitais esvaziavam havia uma diminuição
na solicitação para a atenção domiciliar”, esclarece.
Cobertura.
De acordo com o presidente do Nead, os serviços das empresas de
atendimento domiciliar são majoritariamente contratados por planos de saúde,
principalmente nos perfis de alta complexidade. No entanto, a resolução da
Agência Nacional de Saúde sobre o tema só prevê obrigatoriedade de cobertura
quando o home care é usado em substituição ao internamento hospitalar.
A contratação particular ocorre com maior frequência nos atendimentos de
baixa complexidade, como realização de curativos, fisioterapia, consulta e
afins, diz Salgado. Ele comenta que o custo do home care é bastante variável,
pois sempre vai depender dos serviços inclusos, mas geralmente a cobrança é por
diária. Em casos de alta complexidade, por exemplo, o custo seria em torno de
60% menos do que o valor cobrado na diária hospitalar.

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