FONTE: Paula Fettback, médica especialista em fertilidade***, https://www.msn.com/
Quando um casal quer engravidar e recebe a notícia de que tem problemas de fertilidade, trata-se de algo muito maior do que uma questão de saúde. O diagnóstico afeta os sonhos de até 15% dos casais e deve ser levado a sério. Por quê?
Em primeiro lugar, há o cuidado
psicológico: a dificuldade para engravidar é um dos fatores que levam
a transtornos psiquiátricos como a depressão e
a ansiedade. Estudos indicam que há uma prevalência maior desses
transtornos em casais inférteis do que naqueles em que não há problemas para
engravidar.
Em seguida, deve-se entender que as opções
terapêuticas para apoiar a jornada rumo à fertilidade evoluíram
na última década e, hoje, apresentam maiores taxas de sucesso, com menos
efeitos colaterais.
Se, depois de um ano de tentativas
naturais, um casal não conseguir engravidar, esse é o sinal para buscar ajuda
especializada. E a escolha do tratamento dependerá de uma profunda investigação
diagnóstica no casal.
É isso mesmo. É um mito pensar que a mulher é a fonte de fertilidade (ou o contrário). Isso é mais cultural e tem a ver com a imagem que se formou há séculos de que elas são responsáveis pela família, enquanto o homem é o provedor.
Saindo da história e voltando para a medicina, as principais causas de infertilidade são tanto femininas quanto masculinas: em 30% dos casos estão relacionadas às mulheres e, na mesma proporção, aos homens.
A endometriose é uma das vilãs para elas. Essa doença inflamatória pélvica ginecológica afeta muitas mulheres e pode levar à infertilidade especialmente porque o diagnóstico costuma ser tardio — entre os principais sintomas, e que podem confundir as pacientes, estão as cólicas menstruais. Problemas nas tubas, ovários policísticos e outros fatores também podem estar na origem da dificuldade em engravidar.
No homem, a principal causa de infertilidade ainda é a varicocele, a presença de varizes nos testículos, mas existem também aspectos comportamentais envolvidos, como obesidade, tabagismo, estresse, entre outros.
O tratamento vai depender justamente do diagnóstico e pode ser de baixa e média complexidade — envolvendo relações sexuais programadas e inseminação intrauterina — ou de alta complexidade, como no caso da fertilização in vitro. A técnica evoluiu tanto no manejo da ovulação, rendendo menos efeitos colaterais, como em termos de custo, tornando-se mais viável e acessível.
Como você pode perceber, nem
todos os fatores que predispõem à infertilidade são passíveis de prevenção. Mas
sabemos que um estilo de vida equilibrado pode
ajudar. Então procure dormir e acordar cedo, alimentar-se de maneira variada e
balanceada, se exercitar e
não ter vícios. Afinal, é de gerar uma vida que estamos falando. E cuidar do
corpo é essencial para uma boa fecundação e gestação.
*** Paula Fettback é doutora em
Obstetrícia e Ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP e especialista em
fertilidade.

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