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, https://www.uol.com.br/
Paris, 9 Jun 2021 (AFP) - As autoridades dos Estados Unidos enviaram uma mensagem
de incentivo à pesquisa, que não teve sucesso em 20 anos, ao aprovar um
medicamento para Alzheimer
esta semana. Mas a cura para esta doença parece estar longe.
O que aconteceu?
A agência
de medicamentos dos EUA (FDA) autorizou na segunda-feira um tratamento para
Alzheimer, chamado Aduhelm e desenvolvido pela empresa americana Biogen.
O
feito era esperado desde 2003. Antes, os tratamentos autorizados respondiam
apenas aos sintomas do Alzheimer, mas não às causas da doença.
O
tratamento da Biogen visa destruir as placas formadas por certas proteínas,
chamadas "amiloides", no cérebro dos pacientes.
Esses
depósitos comprimem os neurônios e são um dos principais fatores da doença de
Alzheimer, levando à perda irreparável de memória.
É um ponto de inflexão?
É
"um ponto de inflexão na pesquisa de novos tratamentos revolucionários
contra o mal de Alzheimer", estima em nota Hilary Evans, diretora da
fundação britânica Alzheimer's Research.
Os
pacientes e suas famílias finalmente têm um anúncio concreto depois de quase
duas décadas sem novos avanços no tratamento.
"É
um período em que se avançou muito na compreensão da doença - como é declarada,
por que é declarada - e no seu diagnóstico", principalmente em sua fase
inicial, diz Stéphane Epelbaum, neurologista.
"Mas
todos esses avanços são difíceis de transferir para avanços terapêuticos".
Enquanto isso, a doença vem ganhando espaço, em consequência do envelhecimento
da população.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) lista pelo menos trinta milhões de casos no
mundo, embora seja frequentemente difícil diferenciar o Alzheimer de outras
doenças mentais.
Alzheimer tem cura?
Não,
a cura para esta doença ainda não é possível.
"Temo
que haja esperança excessiva para a eficácia do tratamento" da Biogen,
adverte Epelbaum.
O
medicamento, com um preço altíssimo (mais de US $ 50 mil por ano), é destinado
apenas a uma pequena parte dos pacientes, em um estágio bem inicial da doença.
E mesmo neles, a eficácia é limitada.
O
mal de Alzheimer não progride muito rapidamente e, nos 18 meses em que o
tratamento da Biogen foi testado, os testes cognitivos mostraram apenas uma
pequena diferença entre os pacientes que o tomaram e os que receberam um
placebo.
E as outras pesquisas?
Outras
pesquisas feitas por grandes grupos continuam, embora algumas farmacêuticas,
como a americana Pfizer em 2018, tenham desistido de avançar nesse campo.
Vários
laboratórios americanos anunciaram resultados animadores este ano, como o Eli
Lilly, que também busca destruir as placas amiloides, principal pista nos
estudos nas últimas décadas.
Outras
empresas seguem estratégias diferentes, mas também obtêm dados positivos. O
Annovis, por exemplo, concentra-se em proteínas chamadas Tau, também ligadas ao
Alzheimer. A Cassava tenta evitar a formação das placas amilóides, ao invés de
destruí-las.
Mas,
nesses três casos, os resultados são limitados porque as pesquisas foram
realizadas em poucos pacientes.
"Nenhum
medicamento - por melhor que seja - será a única solução para o
Alzheimer", concluiu no Twitter nesta quarta-feira (9) o neurologista
Jonathan Schott, da University College London, insistindo na prevenção.

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