Andreas Hvid, o fotógrafo dinamarquês que desencadeou a ira no Egito,
depois de postar nas redes sociais um vídeo em que está nu no topo da pirâmide de
Quéops, parece não se arrepender
de sua atitude polêmica. Em uma entrevista à publicação dinamarquesa Extra
Bladet, Hvid relata os detalhes de sua operação e garante que no país dos
faraós não recebeu somente críticas ferozes. "Fico triste ao ver que
tantas pessoas ficaram tão irritadas. Mas também recebi respostas positivas de
muitos egípcios ... Eu provoquei muita gente, mas também posso ter servido para
abrir espaço para os egípcios liberais", diz ele no artigo, assinado pela
jornalista Maiken Kolby.
Hvid, 23, se especializou na atividade conhecida como rooftopping,
que consiste em escalar edifícios ou construções de grande altitude, como
arranha-céus e antenas, bem como crateras, muitas vezes ilegalmente e sem
nenhum tipo de produção. O jovem, que já subiu em arranha-céus em
Bangkok, Hong Kong e no Leste Europeu, costuma tirar fotos em que
aparece alguém nu. O vídeo gravado na pirâmide de Quéops, de três minutos de
duração e tornado público em 5 de dezembro, mostra uma garota tirando a roupa e
termina com uma imagem dela e do fotógrafo em uma pose sexual à luz do
amanhecer.
Dadas as críticas recebidas pela ofensa que representa um vídeo de
conteúdo erótico no famoso monumento egípcio, o dinamarquês disse que era uma
montagem: "Era uma pose para a foto. Nós não fizemos sexo". Segundo
seu relato, na primeira tentativa, acompanhado por uma jovem norueguesa, a
polícia os interceptou enquanto iniciavam a escalada. Depois de ser
interrogados na delegacia, foram libertados. A garota decidiu abandonar o
projeto, mas para Hvid se tornou uma "obsessão" e ele contatou uma
jovem dinamarquesa, que em seguida se deslocou para o Cairo. De acordo com
Hvid, no final de novembro, ambos escalaram uma cerca às 21h30 e se esconderam
em um templo até os guardas deixarem o complexo.
Enquanto alguns meios de comunicação egípcios questionam a veracidade da
gravação, as autoridades iniciaram uma investigação. Há três anos, Andrej
Ciesielski, um garoto de nacionalidade alemã, foi preso por ter escalado sem
permissão o topo de uma das pirâmides e punido com a proibição de voltar
ao Egito. No caso de Hvid, o fato de suas imagens terem um conteúdo erótico
poderia agravar a punição. No ano passado, dois cantores foram condenados à
prisão por serem protagonistas de videoclipes com carga erótica e,
recentemente, a atriz Rania Youssef foi processada por usar um vestido muito
provocante na cerimônia de encerramento do Festival de Cinema do Cairo.
Em suas declarações ao jornal dinamarquês, Hvid está ciente das
consequências legais de sua ação. "No futuro, não voltarei a pôr os pés no
Egito, pois provavelmente correria o risco de ser condenado. O projeto de
escalar a pirâmide é o que me fez ir lá, então sinto que já vi tudo que me
interessava no Egito", diz o fotógrafo, que planeja continuar sua arriscada
e controversa atividade artística. Por isso, ele não quer revelar qual será sua
próxima meta.


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