Há novas evidências de
que leves pulsos de eletricidade podem aliviar a depressão
-se
conseguirem atingir o alvo certo no cérebro.
Um estudo com 25
pessoas com epilepsia descobriu que aqueles que tinham sintomas de depressão
se sentiam melhor quase que imediatamente quando os médicos estimulavam
eletricamente uma área do cérebro logo acima dos olhos. Os resultados
foram
publicados na revista Current Biology.
Os pacientes que
participaram da análise estavam no hospital à espera de cirurgia e já tinham
fios inseridos em seus cérebros para ajudar os médicos a identificarem de onde
vinham as convulsões.
Quando houve
estimulação no córtex orbitofrontal lateral vários pacientes falaram sobre a
mudança que sentiram, de acordo com Kristin Sellers, autora do artigo e
pesquisadora da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados
Unidos. "A resposta de uma foi: Uau, eu me sinto muito melhor. O que vocês
fizeram?", segundo o relatório.
A estimulação durou
apenas alguns minutos e, quando interrompida, o efeito no humor rapidamente
apareceu.
Para ter certeza de que
o efeito era real, os pesquisadores também fingiram estimular a região sem
realmente ativar as máquinas, mas nestes casos os pacientes não relataram
mudanças ou melhoras.
Os resultados serão
usados como evidência de que pacientes com depressão podem ser ajudados com uma
abordagem conhecida como estimulação cerebral profunda. O protocolo já é usado
para controlar tremores, incluindo os relacionados à doença de Parkinson, mas
não é aprovado ainda para depressão pelo FDA (Departamento de Saúde e Serviços
Humanos dos Estados Unidos).
A pesquisa também
oferece fortes evidências de que estimular o córtex orbitofrontal lateral
pode melhorar temporariamente o humor de uma pessoa deprimida.
Porém, não ficou claro
se as estimulações podem produzir alguma mudança duradoura. De qualquer forma,
os estudos sugerem que as pulsões de eletricidade serão importantes no
tratamento de depressão.
"O que descobrimos
foi que consistentemente, a estimulação no córtex orbitofrontal lateral estava
melhorando o humor em pacientes sintomáticos", diz a pesquisa. Além do
mais, a estimulação mais poderosa produziu uma melhoria mais dramática no
humor e não houve problemas com efeitos colaterais.
A descoberta pode ser
polêmica, uma vez que toda a pesquisa sobre a estimulação cerebral reflete um
afastamento da visão de longa data de que a depressão é causada por um
desequilíbrio químico no cérebro.
"Um tipo mais
moderno de concepção é pensar a depressão como uma disfunção do circuito, o que
significa que há algo sobre a maneira como as células do cérebro estão falando
umas com as outras, o que não está certo", diz Vikram Rao, professor de
neurologia clínica da Universidade da Califórnia em São Francisco que
participou do estudo.
Por isso, pesquisadores
tentam identificar circuitos defeituosos e fazê-los funcionar melhor usando
pulsos elétricos. O desafio tem sido encontrar áreas que tenham uma boa conexão
com o circuito com defeito.

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